Um terço.

Quantos terços existem no relógio em cem anos?

De certo não fora a primeira vez que me ocorria nos últimos cem anos, mas nesta cadeia de eventos gêmeos eu senti que mais nada me restava diante da situação além de um acúmulo interminável de iguais para remoer, minha preciosa coleção de passados vívida como o mais jovial e berrante recém nascido e singular em suas próprias circunstâncias — ainda assim decepcionantemente idênticos — .

Começa sempre pela postura de quem não se entrega por pouco, pra qualquer dose, qualquer louco e apesar das palavras contrariarem tua pose, eu não me enganava e volto a dizer: que feito cigana, a vida é quem leva você. Vez ou outra me completava mais um olhar e contemplava mais um copo, como se logo menos fosse me laçar. Antes fosse, pois como Adônis permaneço morto durante o inverno e sabe-se lá quanto tempo ainda resta para que este acabe e portanto ainda devo carregar esta cruz, perdi a conta de quantas vezes reparei a indecisão com que tuas mãos não sabem se reviram minhas mechas ou procuram uma brecha pra apagar a luz.

Um terço, um terço enleio ao teus seios fez com que não restasse receios que me fizessem parar. Perdidos e suspeitos, por fim somos dois alheios que entre a Bela e a Fera pensam “quem me dera não ter que escolher”, pode até ser que por debaixo dos panos daqui um cem anos você volte para me ver.

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