Colossal: O Godzilla existencialista
Se beber, não destrua Seul

O cinema independente vem crescendo e com esse crescimento a distância entre o indie e o cinema comercial vem diminuindo com o cinema comercial englobando mais das “manias” que o cinema indie abusa. A verdade é que, com menos dinheiro, os filmes indies se tornaram o seu próprio gênero. Colossal é um desses filmes, mas com o diferencial da desestruturação de um subgênero.

Colossal começa com Gloria (Anne Hathaway) sendo mandada embora pelo namorado após uma noite de bebedeira. Com sérios problemas com alcoolismo e desemprego, ela não encontra outra solução a não ser de voltar a sua cidade natal no interior — a típica jornada de autoconhecimento. Lá ela reencontra um colega de infância, Oscar (Jason Sudeikis) que prontamente oferece um emprego em seu bar e doa móveis usados. Gloria parece ter encontrado seu lugar, ajudando a reconstruir o local, da mesma maneira que reconstruía sua vida. O único empecilho é que a protagonista continua manguaçada.

E é logo após um PT que logo pela manhã Gloria descobre que um monstro gigante invadiu Seul, na Coreia do Sul, e, mais pra frente e mais tarde, por uma série de dicas a protagonista descobre que ela e a criatura tem algum tipo de ligação e toda vez que ela se encontra em um parquinho da cidade, numa exata hora, o monstro surge do outro lado do mundo.
E talvez seja ai a desestruturação do subgênero de monstro gigante. Ao contrário de puxar o foco pra si e ter todos os outros personagens como coadjuvantes, o grande Kaiju se torna o coadjuvante de Glória, sem cenas grandes de destruição ou grande focos na “ameaça”. O CGI não é perfeito, provavelmente pela falta de orçamento de grandes filmes, mas entrega seu propósito e traz até um tom cômico. A partir daí o filme se torna uma metáfora para responsabilidade: Gloria enquanto bêbada causa destruição e morte do outro lado do planeta.

A premissa é interessante, mas acaba ficando por isso. A chance de desenvolver a história de uma maneira mais profunda ou até filosófica é desperdiçada e o filme fica na sua camada mais rasa com apenas uma lição de moral. Falta um clímax, algo que surpreenda tanto quanto a premissa. Em uma escala que vai até 10, Colossal poderia passar com louvores, mas se contenta em ficar na média. Talvez o que falta seja algo do tipo:


