Colossal: O Godzilla existencialista

Welbe
Welbe
Jul 24, 2017 · 3 min read

Se beber, não destrua Seul

O cinema independente vem crescendo e com esse crescimento a distância entre o indie e o cinema comercial vem diminuindo com o cinema comercial englobando mais das “manias” que o cinema indie abusa. A verdade é que, com menos dinheiro, os filmes indies se tornaram o seu próprio gênero. Colossal é um desses filmes, mas com o diferencial da desestruturação de um subgênero.

Colossal começa com Gloria (Anne Hathaway) sendo mandada embora pelo namorado após uma noite de bebedeira. Com sérios problemas com alcoolismo e desemprego, ela não encontra outra solução a não ser de voltar a sua cidade natal no interior — a típica jornada de autoconhecimento. Lá ela reencontra um colega de infância, Oscar (Jason Sudeikis) que prontamente oferece um emprego em seu bar e doa móveis usados. Gloria parece ter encontrado seu lugar, ajudando a reconstruir o local, da mesma maneira que reconstruía sua vida. O único empecilho é que a protagonista continua manguaçada.

E é logo após um PT que logo pela manhã Gloria descobre que um monstro gigante invadiu Seul, na Coreia do Sul, e, mais pra frente e mais tarde, por uma série de dicas a protagonista descobre que ela e a criatura tem algum tipo de ligação e toda vez que ela se encontra em um parquinho da cidade, numa exata hora, o monstro surge do outro lado do mundo.

E talvez seja ai a desestruturação do subgênero de monstro gigante. Ao contrário de puxar o foco pra si e ter todos os outros personagens como coadjuvantes, o grande Kaiju se torna o coadjuvante de Glória, sem cenas grandes de destruição ou grande focos na “ameaça”. O CGI não é perfeito, provavelmente pela falta de orçamento de grandes filmes, mas entrega seu propósito e traz até um tom cômico. A partir daí o filme se torna uma metáfora para responsabilidade: Gloria enquanto bêbada causa destruição e morte do outro lado do planeta.

A premissa é interessante, mas acaba ficando por isso. A chance de desenvolver a história de uma maneira mais profunda ou até filosófica é desperdiçada e o filme fica na sua camada mais rasa com apenas uma lição de moral. Falta um clímax, algo que surpreenda tanto quanto a premissa. Em uma escala que vai até 10, Colossal poderia passar com louvores, mas se contenta em ficar na média. Talvez o que falta seja algo do tipo:

Cena do “Must Watch” Pacific Rim (2013)

O Grotto

Ninguém aguentava mais falar sobre o que ninguém se importa ai eu criei isso pra poder falar pra continuarem não se importando

Welbe

Written by

Welbe

Ninguém mais me aguentava falando das coisas que eu costumo falar, até que me mostraram o Medium pra eu falar sozinho.

O Grotto

O Grotto

Ninguém aguentava mais falar sobre o que ninguém se importa ai eu criei isso pra poder falar pra continuarem não se importando

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade