Death Note (2017 — Netflix)

Welbe
Welbe
Aug 26, 2017 · 5 min read

Testemunha de defesa: Eu mesmo. (Pero no mucho)

Antes tudo preciso dizer que ja falei um pouco sobre Death Note nesse link aqui, então corre la, da uma lida rápida pelo menos no começo pra dar uma contextualizada. Ou não… Você é livre…

Um pouco de informação:

Faz uns 10 anos que a gente anda convivendo com a hipótese de uma adaptação americana pra obra japonesa. Sério.
Em 2007 noticiaram que dez empresas nos Estados Unidos haviam manifestado interesse na franquia, Vertigo Entertainment foi a primeira a começar desenvolver uma adaptação hollywoodiana, 2009 foi informado que a Warner Bros, comprou os direitos da Vertigo, em 13 de janeiro de 2011, foi anunciado que Shane Black tinha sido contratado para dirigir o filme com alterações significativas no backstory do personagem principal (vingança em vez de justiça, e sem shinigamis.) Black se opôs a esta mudança, e não tinha recebido sinal verde, ja em 2015 foi revelado que Adam Wingard dirigiria o longa, ainda em 2015 Nat Wolff e Margaret Qualley foram anunciados no elenco como Light e Misa (Que mais pra frente se tornou Mia), 2016 a Warner Bros decidiu fazer menos filmes, o estúdio tirou Death Note de seu calendário, mas permitiu que Wingard negociasse o projeto em outro lugar e então no mesmo mês a Netflix anunciou que seria ela que faria de vez a releitura americana.
Parece confuso? É porque foi.

E então a Netflix fez:

Desde o começo a expectativa para/com a produção veio trazendo uma série de duvidas, os trailers ja anunciavam o que o que pouca gente entendeu. O filme americano não se trata de uma adaptação do mangá, mas talvez uma releitura que usa do coração da obra original e personagens que de parecidos com os originais só tem o nome, pense no filme como um universo paralelo, um “What if…” de Death Note, como o universo Ultimate ou Terra 2 dos quadrinhos.

Mia(Margaret Qualley) é tão diferente de Misa que eu não me surpreenderia que, caso aconteça, Misa apareça em um próximo filme. Mia é o clichê adolescente de popular mas perturbada protegida pela sua capa de rótulos.

Tão protegida que pode fumar durante o treino e continuar no time.

Ryuk é ok, Willem Dafoe da ao personagem uma pose mais amedrontadora e cruel, até mais que no anime onde Ryuk é quase um alivio cômico. A diferença real fica no quanto Ryuk pode influenciar nas decisões de Light, que talvez tenha sido uma das coisas que mais me incomodou. O Shinigami é a muleta que o filme usa pra poder andar, as coisas não acontecem porque Light pensa direitinho nelas mas sim porque Riuk simplesmente escolhe o como fazer.

L (Lakeit Stanfield) é o que mais se aproxima do original, os trejeitos estão la, os olhos expressivos ainda estão la, a calma excessiva fica la quase todo filme, menos quando a coisa fica pessoal, quando mexem com a “família” o lance é bem mais em baixo, é um L novo com camadas novas que pra mim são até interessantes de mostrar. Dessa vez tanto L quando Light me parecem mais humanos…

Light (Nat Wolff) dessa vez não é “perfeito”, não faz sucesso com todo mundo, não é exemplo de filho estudioso, ainda se mostra inteligente (Por mais que só quando convêm) mas é nitidamente mais problemático. O motivo da mudança se deve ao fato de que pro publico médio, é mais fácil aceitar que uma pessoa sofrida tende a tomar medidas mais drásticas do que simplesmente acordar um lado negro adormecido dentro de uma pessoa boa.

Light e L na versão pobre do embate intelectual do anime

É claro que isso faz parte esses dilemas morais que dão toda a graça da obra original, mas adaptar as 12 horas de anime em 1h40 de filme (Que ja é pouco pra QUALQUER filme) não é tão simples quanto parece ser, deixar os personagens mais rasos talvez tenha sido a forma que encontraram de poupar tempo de tela. A tarefa é ingrata demais pra qualquer um.

A obra original discute temas como justiça, mortalidade e livre arbítrio e não é o foco da adaptação produzida pela Netflix, existe uma rasa discussão das atitudes do protagonista mas não se aprofunda em nada, o que deixa Death Note em um filme investigativo leve com pitadas de um humor hora sádico, hora galhofa e um terror despretensioso que justifica a classificação +18 com violência gráfica gratuita. E se eu fosse escolher um culpado, ele seria Adam Wingard.

As transições de cenas são curtas e rápidas, mais próximas do que vemos em séries de TV do que em filmes, a forma como transita entre a comédia pro horror e a trilha sonora que destoa completamente da cena na tela dificulta na hora de definir uma identidade. Os atores, entregam, não são o problema do filme e a adaptação impede que o “ white washing” seja discutido.
Nat Wolff entrega o Light que tem pra hoje e trabalha com o que tem, a falta de genialidade do personagem não cai como culpa dele e quando preciso ele mostra a emoção que a cena pede pra mostrar.

Em conclusão: Faça como Elsa e ‘Let it go’.
A primeira adaptação americana de Death Note é na verdade uma releitura, toma diversas liberdades que realmente não atrapalham na história principal, as regras do caderno, mudanças de cidade e atores são compreensíveis, é necessário mudar pra atingir um público mais amplo. O filme tenta sim abraçar coisas que o anime mostrou tão bem e não faz nenhuma delas muito certo (Eu gostei do plano “final”), mas por culpa do tempo. O fato é que Death Note precisa ser planejado a longo prazo, com pelo menos 3 filmes confirmados ou uma série de 7/8 episódios de 40 minutos, não da pra fazer milagre… Mas também dava pra fazer melhor.

Não é do caralho mas não merece o ódio que a internet decidiu jogar em cima de uma tarefa difícil que nasceu dentro de moldes errados.
Basicamente, eu escolhi ver o copo meio cheio.
O que eu quero dizer é que se Light se chamasse Jorge e o L se chamasse T o filme não iria incomodar tanto…

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O Grotto

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