O Inimigo
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Apr 18 · 5 min read

Com uma garrafa de vinho e um peixe frito pra harmonizar

Publicado em 02/04/2015

Chegou a Semana Santa e, mais uma vez, você está liso para viajar. Vai morgar em casa por três dias enquanto seus amigos estão na praia, postando fotos no Instagram e fazendo raiva. Calma jovem, seus problemas acabaram. Garimpamos uma seleção esperta de documentários musicais que estão disponíveis na íntegra no YouTube, para você se enterrar no sofá ou na frente do computador sem culpa e sem precisar gastar uma dinheirama com cerveja cara, tira-gosto, passeio de barco ou de bugre.

Em vez disso, faça o seguinte: vá ao mercado, compre umas gelas e uns petiscos. Aproveite e chame a brodagem lisa que também não viajou e faça sua festinha particular. A seleta passa por documentários de cenas/estilos musicais indo até ícones da música tradicional e pesada. Confira os 10 selecionados abaixo e aproveite.

1. The Punk Singer (2013)

A ativista Kathleen Hanna é mais conhecida pelas bandas que fez parte (Bikini Kill, Le Tigre, The Julie Ruin), mas há muito mais a saber. The Punk Singer discute a as motivações que a levaram a abandonar as apresentações de spoken word e formar uma banda punk feminista. O documentário atingiu grande repercussão na época do lançamento por ter revelado o porquê de Kathleen ter se afastado da música além de mostrar cenas intimistas de seu relacionamento com Adam “Ad-Rock” Horowitz, dos Beastie Boys.

2. Joy Division (2007)

Numa Manchester em reconstrução, surge o Joy Division, banda que ainda hoje inspira revivals periódicos do post punk. O documentário narra todo o surgimento da cena punk e a posterior post punk, onde Ian Curtis e companheiros de banda estavam inseridos, bem como as lutas do dia a dia que moldaram o que foi o som e letras da banda e todo o caminho que levou ao trágico fim do grupo com a morte do vocalista. Para quem leu Touching from a Distance, livro de memórias de Deborah Curtis, o filme é um ótimo complemento.

3. Guidable: A Verdadeira História do Ratos de Porão (2008)

Três décadas do que foi e é o Ratos de Porão são expostas sem cortes. Turnês, parcerias, uso de drogas, brigas, mudanças na formação. A história da banda é contada de forma direta, em muitos momentos lembrando feridas mal cicatrizadas. Durante duas horas são mostradas cenas inéditas e hilárias — como a participação da banda em programas de Gugu Liberato e Angélica -, e histórias são contadas com sinceridade raras vezes vistas em documentários. Os causos incluem os relatos da primeira turnê europeia e a união entre o Ratos e o Sepultura em shows, que aproximou as cenas do punk/hardcore e metal.

4. Cure For Pain: The Mark Sandman Story (2011)

A vida de Mark Sandman foi tão enigmática quanto a música que criou com as bandas Treat Her Right e Morphine. Como o próprio título indica, Cure for Pain é mais a história de um artista tentando lidar com seus demônios interiores do que a biografia de uma banda. Familiares e amigos falam sobre as tragédias que abalaram a vida de Sandman e moldaram sua música, enquanto fãs famosos como Josh Homme e Ben Harper discutem a influência e o pioneirismo do vocalista no cenário alternativo.

5. Uma noite em 67 (2010)

Documentário que se preze prende a atenção e passa rápido. Uma noite em 67 é pontuado pelas falas de Paulinho Machado de Carvalho, diretor da TV Record, mostrando tudo que girou em torno do festival que teve como finalistas Roberto Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Edu Lobo, numa luta entre o novo e o velho. Com entrevistas no bastidores do evento (onde artistas e repórteres fumam tranquilamente) e depoimentos atuais dos artistas, jurados e organizadores do festival, algumas posições são revistas. Destaque para a famosa cena de Sérgio Ricardo cavando a própria eliminação desistindo de cantar depois de quebrar e arremessar seu violão no público, além das cenas da infame passeata contra a guitarra elétrica.

6. Quando Éramos Príncipes (2013)

Ronnie Von veio de família rica e nunca fez questão de esconder isso de ninguém, mas mesmo assim esse fato muitas vezes foi colocado acima de sua qualidade musical. O que muitos não sabem ainda hoje é que ele foi um dos primeiros artistas psicodélicos do Brasil. Nos anos 60, o Príncipe gravou três discos que de fracasso de público e crítica passaram a itens de colecionador. Neste documentário sobre sua fase psicodélica, ele conta sua história ao lado de amigos, jornalistas e produtores. E de quebra, executa ao vivo ao lado da banda paulistana Os Haxixins alguns clássicos da época.

7. Ruído das Minas (2011)

Se até hoje São Paulo e Brasília ainda brigam pela paternidade do punk nacional, ninguém duvida que Belo Horizonte é a capital oficial do metal brasileiro. De lá, saíram grupos pioneiros como Overdose, Sarcófago, Mutilator e Sepultura, além do clássico selo Cogumelo Records. A ausência dos irmãos Cavalera não tira o brilho do documentário, mas abre espaço para que outros personagens menos celebrados relembrem causos e perrengues do tempo em que usar cabelo grande e camisa preta era algo realmente transgressor e até perigoso.

8. Ave Sangria: Sons de Gaita, Violões e Pés (2009)

Na época em que o udigrudi nordestino começa a ter o reconhecimento há muito merecido, com shows comemorativos e discos sendo relançados em vinil por selos estrangeiros, este mini-doc sobre o Ave Sangria é mais do que oportuno. Em pouco mais de vinte minutos, Lula Côrtes, Zé da Flauta, Laílson e outros personagens subterrâneos de Pernambuco relembram a trajetória daquela que foi — e ainda é — a melhor e mais importante banda da psicodelia nordestina. Preste atenção no relato da Feira de Música Experimental de Nova Jerusalém, onde até os caretas pastaram.

9. Nick Drake: A Skin Too Few (2002)

Nick Drake morreu cedo e deixou três belos discos, cultuados em todo o mundo. Neste documentário, a trajetória breve e particular do músico é contada de forma cronológica, pontuada por depoimentos de figuras-chave como a irmã Gabrielle Drake e o produtor Joe Boyd. Delicado e soturno como a música de Drake, A Skin Too Few é um deleite tanto para os iniciados quanto para os neófitos que estão descobrindo o artista agora.

10. Cássia Eller (2014)

Cássia Eller era um fenômeno da natureza e sua partida deixou um buraco na música brasileira. Nos dias de hoje seu jeito, sua voz, suas opiniões fariam muita diferença. O filme mostra a história de Cássia desde criança quando já era viciada em música até chegar ao teatro e depois a música. Os amores, o filho, drogas. Cássia se notabilizou por tornar músicas de outros artistas como suas. Depois que ela cantava, a versão original era a com sua voz. Tudo é mostrado de maneira franca, como Cássia era.

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O som que o outro lado faz.

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