Electric Ladyland [REDUX] é o néctar Hendrixiano da Magnetic Eye Records

O Inimigo
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Aug 14 · 3 min read

Publicado em 10/09/2015

Por Guilherme Espir

Acredito que seja possível criar bons conceitos e fazer sucesso sem ficar necessariamente se aproveitando de períodos mercadologicamente estratégicos. A responsabilidade é a música e o sentimento deveria vir antes que o adiantamento pelas masters.

E para demonstrar como é possível honrar o legado dos medalhões com um bom trabalho de ideal contemporâneo e ainda impulsionar a nova cena, eis que lhes apresento ao fantástico Electric Ladyland [REDUX], escatológica session lançado no dia 3 de julho desse ano.

Tributo ao mestre Hendrix, organizado pela Magnetic Eye Records, selo de chapação que além de exaltar a valvulação psicodélica do Cherokee (sem manchar seu nome), como a meia irmã do ‘’homi’’ sempre faz, mostra para o mundo um disco único até então e que além de reunir as maiores bandas da cena Psych/Sludge/Stoner, faz releituras homéricas que comprovam algo grandioso: se James Marhsall ainda estivesse entre nós, ele seria o septuagenário mais Rock ’N’ Roll da história, sua persona apreciaria o levante Stoner com toda certeza.

Um disco (duplo) com esse grau de valor aos fatos e excelência só poderia vir dessa cena da música pesada. É impressionante notar como eles conspiram para isso, a cena anda como um bloco, conduz as vertentes do som magnético como o BRIC deveria fazer. Aliás, proponho aqui uma reformulação neste fatídico esquema, no lugar do Brasil, Rússia, Índia e China, gostaria de colocar o Earthless, All Them Witches e o Wo Fat, a economia agradece.

É com essa arte chapante aí de cima, feita por David Paul Seymour, que essa gravação encara o cidadão que ousa pousar seus ouvidos neste play. São 16 temas, 16 novos exemplos da caótica nova safra underground e praticamente 70 minutos das interpretações Hendrixianas mais cabulosas e originais que alguém já criou.

E o mais insano é que quando acaba o disco, além do ouvinte se espantar com a criatividade de cada segundo que consagra este trabalho, o resultado é tão natural e orgânico que chega a ser impossível não imaginar o Hendrix numa cavernosa session com o Earthless, combo psicodélico que atropela a faiscante versão de ‘’Como On (Let The Goood Times Roll)’’.

Esse disco está sendo elogiado em todos os cantos do globo. É engraçado ver um trabalho desta natureza recebendo tamanha atenção e produzindo tanta repercussão também, mas cada detalhe que forma ELectric Ladyland [REDUX] é elementar. A maior paixão de Jimi era fazer uma jam, algo que aqui chega a ser um pleonasmo. Hendrix gostava de experimentar riffs, canalizar retornos, colocar um canal na frente do outro, fazer uma entrada marcante… Aqui tem tudo isso.

Essa cena especificamente bebeu muito dessa água, só que da mesma forma que o guitarrista surgiu com um pensamento de fazer algo único, esse novo momento histórico-sonoro, com bandas como Elder (que finaliza o disco com uma versão fabulosa de ‘’Voodoo Child’’), All Them Witches e Wo Fat, ilustram como é possível ter uma inspiração e fazer algo novo com ela, fora que chamar os caras em peso assim foi uma sacada violenta.

Origami Horses, Mos Generator, King Buffalo e Mothership, são exemplos que ilustram o que acontece quando caras que comem música com farofa fazem quanto tocam. O sentimento de cada uma das 16 passagens é soberbo, cada detalhe é de alta patente… Até a curta porém grandiosa ‘’… And The Gods Made Love’’, introdução dos caras da Elephant Tree, mostra que não teve salto alto.

Esse cena vai pra frente junta, mesmo com gerações diferentes, só que mostrando uma mentalidade única, algo que aqui fica claro, pois o principal não é ‘’fazer um cover do maior guitarrista de todos os tempos’’, o ponto básico é elevar a obra do maior guitar hero da história e mostrar como sua música é atemporal e, rapaz, esses caras conseguiram.

Eis aqui um novo olhar para o espólio do gênio, a Magnetic Eye Records fez um trabalho espetacular e conseguiu dar um novo olhar para a gênesis, não só da guitarra, mas da música. Você não só vai conhecer uma fileira de novos sons, como também se espantará com o Fuzz que Jimi estaria espancando hoje em dia.

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