Estreia de Maria Fxntes, em Salmoura, vai da música às experimentações visuais

O Inimigo
O Inimigo
Jan 22 · 4 min read

Artista aposta não só na música, mas no conceito total de arte envolvendo a música

Foto: guesc

Por Hugo Morais

Maria Fxntes começou a tocar aos 13 anos e já fez parte de uma banda de Metal. O gosto pela música passeia por diversas influências, o que fica claro ao ouvir Salmoura. O disco com 5 faixas vai do Brega, passando pelo Trip Hop até chegar a sonoridades mais pesadas sem perder sua essência. O vocal de Maria se destaca em todas as canções, uma interpretação única para cada uma. Destaque para “Abuso” e a visão/julgamento sobre a mulher.

Batemos um papo com Maria Fxntes para entender um pouco do processo de criação do seu disco de estreia.

Como se deu sua formação musical? O que você cresceu escutando que afetou as suas escolhas?

Bom, eu tive algumas fases. Meus primeiros contatos com a música eram com o que meus pais ouviam. Meu pai ouvia muito Legião Urbana (eu amava, achava as letras super poéticas), mas curtia umas coisas mais pesadas também, tipo Metallica, Black Sabbath. Minha mãe gostava mais de mpb, Chico César, Zeca baleiro. Depois na adolescência, no período que comecei a tocar, ouvi muito Nirvana, Radiohead, Portishead.. curtia uns new metal também, Evanescence (paixão forte), System of a Down.

Sons bem variados. O que você vê mais desses sons em seu lançamento? Ou no momento não os vê? Li que Luisa Nascim e Letrux são influência.

Musicalmente eu sinto que, do que citei, Metallica me influenciou bastante no gosto pelos riffs de guitarra mais abafados (como tem em “Abuso” e “Pele Fina”) e Portishead com o trip hop que traz essa atmosfera de sensualidade e também muito propício pra viajar e roer (como visualizava a pegada de “A Temperatura da Tua Pela”). Luisa e Letrux são referências já de um tempo mais próximo, lembro que fiquei fissurada quando saiu o Cobra Coral e também com o [Letrux em Noite de] Climão, ouvi direto direto. Letrux me marcou muito com o disco, a poética as vezes debochada de algumas letras, a sofrência, a sensualidade. Acho que vejo sua influência em Salmoura no gosto pelos sintetizadores, na minha forma de cantar meio recitada às vezes, numa certa teatralidade de algumas músicas. Luisa por sua vez é uma artista que admiro demais, escutei muito os dois primeiros álbuns de Luísa e os Alquimistas durante o período de composição de Salmoura. Eu acho que vejo essa influência no reggae de “Vórtice” e no brega de “Cadela”. E nessa passeada que o álbum dá por vários gêneros, que é uma coisa que vejo muito no Cobra Coral por exemplo.

E do passo de começar a tocar para compor, como foi o processo? E consequentemente começar a tornar público.

Eu comecei a tocar com 13 anos e por essa época já criava algumas coisas bem despretensiosamente, uns poemas, uns riffs. Compus a primeira música quando fazia parte de uma banda de metal, o Declite. Quando saí da banda fiquei um tempo sem tocar e escrever, mas depois retomei e foi um período em que encontrei pessoas com quem tive uma conexão artística muito massa e que só potencializaram essa necessidade e potência de criação. Eu sempre quis gravar, apesar da exposição me assustar um pouco. Também nunca achava que tava “pronta” ou que as músicas eram boas o suficiente. Mas aí conheci Dante, ele já tinha sacado minhas músicas, liguei o foda-se e joguei a proposta. Ele topou, fomos fazendo.

Como foi a colaboração de Dante?

O processo com Dante foi incrível. Ele foi super paciente e aberto pras minhas ideias. Eu cheguei lá com as músicas no violão e algumas tinham um loop de beat que eu usava, mas era algo bem simples só pra referência, ele foi construindo a base eletrônica pra cada uma comigo do lado, dando alguns retornos. Geralmente trabalhávamos em uma ou duas músicas por dia, criando primeiro os beats, depois pesquisando timbres e samples, depois criávamos os arranjos em conjunto e por último as vozes. Eu gravei guitarra de toda as músicas e o baixo de 3, o restante foi tudo ele. Mas muitas vezes, depois de todo esse processo, voltávamos em alguma pra alterar alguma coisa que não tava batendo muito.

Para levar esse disco aos shows o formato será você e Dante? Como vai ser e já tem algo agendado?

O show de lançamento vai ser dia 07 de fevereiro, lá no LCD. Vai rolar também uma exposição dos ensaios que foram feitos com Guesc, e dj sets de artistas convidados. Dante vai tocar comigo nesse primeiro show, eu na voz e guitarra, ele no sintetizador e nas bases eletrônicas.

O Inimigo

O zine de música menos bonito da cidade

O Inimigo

Written by

O Inimigo

Revista eletrônica/zine sobre música independente. Siga também no FaceTruque: http://facebook.com/revistaoinimigo

O Inimigo

O Inimigo

O zine de música menos bonito da cidade

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade