Ìsinkú estreia evocando tradições indígenas relacionadas a morte

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Jan 16 · 2 min read

Funerais, endoantropofagia, sacrifícios e até vingança compõem as letras do quinteto potiguar

Foto: João Augusto

Por Hugo Morais

Quando se fala em Metal, naturalmente que se remeta a Europa e suas tradições. Mas o estilo está espalhado por todo mundo e uma, digamos, adaptação é muito bem vinda. Aqui no Brasil a pioneira quando se trata de juntar metal com a tradição indígena é a Arandu Arakuaa, que tem letras em Tupi-Guarani (que engloba várias línguas indígenas). Eis que em Natal surgiu a Ìsinkú. Nome Iorubá. Sendo assim a banda funde o africano e o brasileiro, ou o que tange a parte indígena da nossa população.

No caso da Ìsinkú o Black Metal é a base sonora para as letras que falam de rituais fúnebres, vingança, misticismo e até o canibalismo. Muitos índios acreditavam que devorando os derrotados ou entes próximos, em sinal de respeito, se absorvia o que os fazia.

O disco Damnatio Memoriae chegou quase com a estreia da banda, já que ainda são poucos os shows no currículo. O título do álbum já explica muito do que a banda pretende: Uma locução em língua latina que quer dizer “condenação da memória”. No Direito romano, indicava a pena que consistia no apagamento de qualquer traço de lembrança de uma pessoa, como se essa jamais tivesse existido.

A banda começou flertando com uma proposta sonora de Crust e João Guilherme (vocal) pensava em uma temática das letras para o cyberpunk. Resolveram mudar para Black Metal e para uma temática das nossas raízes. Breno Xavier (guitarra) foi o responsável por criar o terreno para João explorar o vocal. Janjão, como João é conhecido, resolveu adentrar o mundo da Biblioteca Digital Curt Nimuendajú que possui um longo arquivo sobre línguas e culturas indígenas sul-americanas.

Uma coisa interessante sobre o disco é que ele teve influência dos Bois de Parintins, de suas toadas, como explica João Guilherme: “Pra alguns pode até ser engraçado ou estranho — é que as letras tiveram uma grande influência das toadas dos Bois de Parintins. Alguns mitos tratados nesse álbum eu desconhecia por completo e, graças as toadas e juntamente com os escritos da biblioteca Curt Nimuendajú, foi possível ampliar esse leque de conhecimento e me aprofundar sobre outras nações indígenas do Brasil. Sendo assim, escolhi um recorte de mitos que estivessem relacionados a morte como sacrifícios, endoantropofagia, funerais, etc”.

A banda ainda é composta por Anízio Souza (bateria), Adriano Sabino (guitarra) e Heloisa Saldanha (baixo). Uma das poucas mulheres no Black Metal natalense. Mesmo com poucas apresentações a banda já ganhou muitos elogios e o disco vem para provar que o futuro é promissor. Até porque a ideia do próximo álbum já existe e abordará a vida da população afro-brasileira, seus antepassados, e sua resistência.

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