O Teste do Ácido da Guitarra Baiana Elétrica

Por Alex de Souza

Publicado em 09/10/2010

O suarê no ônibus das seis e meia da matina avisa que o verão tá vindo com força. E com ele a temporada de caça às micaretas, espalhando energia e axé com a mesma potência que as coxas de Ivete Sangalo e Cláudia Leitte. Se você pretende se render ao ritmo contagiante da música baiana, mas quer também manter todos seus amigos, seus problemas se acabaram: chegou o Baiana System.

Houve um tempo, não sei se você, leitor mudernete d’O Inimigo há de lembrar, em que música brasileira da boa vinha da Bahia. E olha que não tô falando de Gil, Caetano e Cia. Se não dava para rebolar muito o esqueleto na batida suave de Dorival Caimmy, o negócio era esperar o carnaval para se refestelar ao som de Dodô e Osmar, dois coroas muito loucos, que além de eletrificarem uma guitarra, montaram um paredão de som muito antes dos amigos maconheiros da Jamaica e batizaram o bichinho de trio elétrico.

Resultado? Bom, se você é bicho-grilo do setor 2 da UFRN e levanta poeira com o chinelo de couro ao som de Novos Baianos, devia acender uma vela todo santo dia pr’esses caras. É para resgatar essa tradição e arremessá-la sem atravessadores no século 21 que o Baiana System lançou o primeiro disco, este ano. Ao longo das 13 faixas, dá pra fazer um passeio sobre a diversidade de ritmos regionais, devidamente amalgamados com o que de melhor a música eletrônica, no caso, o dub, pode oferecer: a oportunidade de decompor/recompor a música em estúdio ou ao vivo, de acordo com o vibe (pra usar uma palavra na moda) da galera.

Nessa pisada, o fraseado típico da guitarra baiana é ressuscitado com propriedade por Robertinho Barreto, do Lampirônicos, e participações de B Negão (que vem se tornando uma espécie de selo de qualidade para a música contemporânea brasuca) e ainda as intervenções eletrônicas de Buguinha Dub, parceiro do nosso Neguedmundo, e o multi-muita-coisa Esmeraldo, a mente cabeluda por trás do Chico Corrêa.

Há inclusive um flerte muito oportuno com as guitarradas paraenses na faixa ‘Da Calçada pro Lobato (para Pio Lobato)’ — mais um exemplo de tradição e modernidade em diálogo e sintonia.

Barreto e sua turma sabem exatamente o que fazem: a prova disso é a eletrizante ‘Frevofoguete’ — é como se Moraes Moreira viesse te chamar enquanto corria a barca, ou melhor, a nave espacial. Aí, Lucas Santtana, no vocal, pergunta: ‘O que será da guitarra baiana? Como serão os futuros carnavais?’

No meu caso, posso responder sem medo: o de 2011 vai ser na base do Baiana System, subindo num foguete, feito a porra!