1º Congresso da APTRAD

Olá, pessoal!

Este artigo é a primeira participação de um colega tradutor aqui no blog. O autor é o Rafael Pescarolo de Carvalho, tradutor residente em Viena, e amigo pessoal meu de anos atrás. Rafael trabalha principalmente com localização de jogos, software, recursos humanos, turismo e marketing, nos pares inglês-português, espanhol-português e italiano-português. Ele compareceu ao 1º Congresso da APTRAD e eu o convidei para participar aqui no blog, contando as impressões dele.

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Rafael, muito obrigado! Nos vemos em breve, pessoal, e na sequência está o texto do Rafael. Até mais!

Nos dias 18 e 19 de junho de 2016 aconteceu a 1ª Conferência de Tradutores e Intérpretes Freelance da APTRAD, a Associação Portuguesa de Tradutores e Intérpretes. Com apresentações em português e inglês, o mote do congresso foi o desenvolvimento do tradutor em todas as fases de sua carreira.
Realizada no Porto, o evento teve a participação de profissionais portugueses e estrangeiros. Durante as duas jornadas de 10 horas daquele fim de semana, os participantes tiveram a oportunidade de descobrir e aprofundar-se em temas como o tradutor em seu meio, trabalho colaborativo, organização do trabalho, domínios e ferramentas, gestão da atividade tradutória e gerenciamento de projetos.
A APTRAD nasceu em fevereiro de 2015, buscando ser uma associação dinâmica e profissional capaz de organizar e fomentar as atividades de seus membros tradutores e intérpretes. A entidade idealizou o evento também para divulgar e fortalecer o português como idioma de destaque nos campos da tradução e interpretação dentro da Europa, já que a escola de tradução portuguesa procura preservar sua relevância e reafirmar-se no cenário europeu. Apesar de o português não ser uma das línguas oficiais das Nações Unidas como o francês, inglês, árabe, chinês, russo e espanhol, ele é um dos idiomas oficiais da União Europeia e do Parlamento Europeu.
Também foi objetivo da conferência encontrar novos caminhos e espaços para despertar o interesse do mercado tradutório para o português e com foco não só em sua variante europeia, mas também ressaltando a variante brasileira do idioma. O ”brasileiro”, que é como muitos na Europa denominam o português do Brasil (dando a ele um certo status singular), marca presença e mostra força no cenário português, europeu e internacional — a demanda por profissionais que dominem a variante brasileira é crescente e em franca expansão não só no ocidente como no oriente; portanto, é um mercado que oferece amplos horizontes para novas explorações, parcerias e projetos. É importante também observar que o evento foi bastante produtivo para todos os seus participantes e que com ele foi possível estabelecer novos contatos, divulgações de trabalhos e discussões sobre potenciais parcerias profissionais.
Dentre os principais temas abordados, os que tiveram maior destaque e relevância foram a análise do ciclo de trabalho do tradutor freelance e a gestão de projetos freelance e de agência; a criação, manutenção e fomento das boas práticas profissionais; a abordagem do início da carreira do tradutor, de seus primeiros passos à consolidação; a educação contínua e seus benefícios e a análise do comportamento do tradutor bem-sucedido e do gerente de projetos.
Alguns oradores de destaque e seus temas foram Allison Wright e o essencial para criar etapas sequenciais para o sucesso financeiro, salientando o aspecto colaborativo para desenvolvimento de uma abordagem clara sobre os desejos e necessidades do serviço prestado e sua valoração, humanizando as relações de trabalho e compartilhando os desafios, experiências e o processo de negociação. Chris Durban também explorou os aspectos mencionados acima, mas com o foco na definição do valor que se agrega ao serviço tradutório e a colocação do profissional no mercado da tradução de maneira racional, refletida e planejada. A sessão de Nádia Morais abordou o que é ser freelancer e seus pontos fortes e fracos, a promoção de oportunidades de trabalho e o que ameaça a carreira do tradutor, esquematizando o universo do tradutor profissional em cinco pilares que são o início (prospecção de clientes), crescimento (expectativas e realidades da carreira), refinamento (aperfeiçoamento e educação contínua), marketing (resultados e calibragem nas relações de trabalho) e continuidade (treinamento e educação continuada). Rui Souza falou sobre o campo de gestão de projetos e os desafios em coordenar o trabalho conjunto de agência e tradutores observando a organização e controle dos projetos, analisando-se o tempo, custo, escopo, recursos, qualidades e riscos na contratação de profissionais, além das questões cruciais da percepção do negócio do cliente, o networking entre colegas e o planejamento e organização do trabalho. Por fim, Susana Valdez destacou o valor do tradutor como membro de uma equipe e como cada um desempenha seu papel para formar um grupo coeso, interagindo e melhorando na promoção da contínua fluidez e de excelentes resultados a serem entregues ao cliente final, seguindo as etapas de questionamentos, controle de qualidade e reavaliação constante do serviço prestado.
Em linha gerais, a conferência foi um acontecimento muito bem-sucedido e uma ótima oportunidade para descobrir as tendências no âmbito tradutório, interpretativo e de aperfeiçoamento. Ela serviu também como meio de calibragem e manutenção do desenvolvimento profissional, proporcionando novas ideias para planos futuros, descobertas de novos horizontes, gestão das expectativas e promoção de networking com os profissionais da área.

Publicado originalmente em 3 de agosto de 3016 em https://jogodatraducao.wordpress.com/2016/08/03/1o-congresso-da-aptrad/