Business Camp para Tradutores — Parte 7: Como fazer as coisas funcionarem

Olá!

Chegou aquele momento que eu temia nesta série de artigos: a virada do ano. 2015 já se foi e eu não terminei a série ainda. Mas isso não chega a ser um problema. Eu estou refazendo o Business Camp para o meu ano de 2016. Não tudo, é claro, mas boa parte do que eu considero fundamental numa estratégia para um 2016 maravilhoso.

No último post, vimos o dia número 7 do Business Camp, que falava do Balanced Scorecard e como ele pode nos ajudar a traçar metas mais objetivas. E bem no finalzinho, eu comentei que tudo aquilo que escrevemos no primeiro dia de curso, nossos desejos para o ano, voltariam agora no dia 8. Então vamos lá, vamos falar deles.

Esses desejos para o ano podem ser bem parecidos com os objetivos que colocamos no Balanced Scorecard. Mesmo assim, são coisas distintas, então, ao juntarmos tudo, a lista de metas e vontades para o ano que se inicia fica grande. E pode ficar pesada, “sufocante”, eu diria. Afinal, podemos sentir o peso do ano inteiro num exercício desses.

Para aliviar esse peso, então, o exercício proposto pela Marta é distribuir tudo.

Comece distribuindo esses objetivos nos doze meses do ano. Basta usar os próprios papeis onde você já escreveu esses objetivos e estabelecer o mês em que cada coisa deve ser feita. Depois, pegue uma folha de papel e desenhe com uma régua um minicalendário e escreva no espaço de cada mês os objetivos e metas para cada um deles.

Mas vamos usar o bom-senso nessa distribuição. Não adianta deixar tudo para dezembro. É preciso deixar os meses mais ou menos equilibrados, para que todo mês você perceba que cumpriu alguma meta e avançou nos seus objetivos.

Esta tarefa do Business Camp, referente a 2016, eu fiz há alguns dias, então vocês podem ver como ficou o meu calendário a seguir:

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Ficou bonitinho, não ficou? Eu sei que a foto não ficou lá muito boa, mas a ideia geral ficou compreensível. Eu pendurei este calendário na parede, com fita adesiva, e ele é o meu “pôster motivacional” de todo dia. Os meus objetivos para janeiro já estão cumpridos, aliás, o que me motiva ainda mais.

Mas a Marta vai mais além. Esses objetivos distribuídos em meses ainda assim podem ser muito grandes, e ela sugere a técnica do “dividir para conquistar”. Sempre que um objetivo for muito grande, você deve dividi-lo em tarefas menores e fazer uma pequena tabelinha, em que constem as tarefas e o mês em que cada uma delas deve acontecer. Se for algo que depende de outra pessoa, marque isso também, coloque uma coluna “Responsável” nessa tabela.

Essa tabela é o que a Marta chama de “Plano Mestre”, que vai ter absolutamente tudo que você deseja realizar no ano.

Eu, pessoalmente, não sigo o Plano Mestre. Acho muito detalhado. Na minha opinião, perde o viés motivacional e vira um microgerenciamento, algo a que sou extremamente avesso. Acho até possível esse tipo de detalhe em atividades específicas, mas não no ano inteiro. Se eu fizer isso, vou sentir todo o peso do ano de volta. Mas se você não tiver problemas, faça o seu Plano Mestre.

Como estratégia para seguir o Plano Mestre, a Marta sugere, de novo, um detalhamento ainda maior. A ideia é que no início de cada semana, você olhe o seu Plano Mestre e decida quais tarefas serão feitas durante aquela semana, para que os objetivos do mês sejam cumpridos. Escolhidas as tarefas, crie uma nova planilha para a semana (eu sugeriria escrever num papel e tê-lo sempre à mão) e separe uma ou duas horas por dia, todos os dias (se você não trabalhar aos domingos, por exemplo, não separe esse tempo no domingo, use apenas os dias úteis para você), para trabalhar apenas nas tarefas escolhidas para a semana. Não use esse tempo para trabalhar em traduções!

E é assim que alcançamos nossos objetivos.

Agora vou contar como eu adaptei isso à minha realidade (lembre-se que cada um tem a sua, então se para você nada disso funcionar, experimente outra técnica e depois me conte!). Todos os dias eu separo meia hora para trabalhar fora das traduções: três dias por semana são para prospecção, dois para estudos e os outros dois para escrever no blog. Vocês ainda não viram o resultado disso no blog porque comecei isso nesta semana. Mas aguardem.

Mas e os objetivos do ano? O que eu faço é planejar, em todo início de mês, como vou cumprir os objetivos do mês. Eu traço um plano simples do que fazer, em papel mesmo, e trato esse plano como a prioridade máxima do mês. Eu não chego a entrar no detalhe das tarefas e tabelas da Marta, esse plano simples apenas contém alguma ideia geral do que é preciso fazer.

Mas e as traduções? E o trabalho? A gente sabe que o trabalho não pode se secundário, então eu trato ele como uma “interrupção do plano”. Nos dias em que eu não tiver nenhum trabalho, eu não tenho nenhuma interrupção, portanto, volto a seguir o plano. Em algum dia do mês eu hei de ficar sem tradução nenhuma para fazer, então no fim das contas eu acabo conseguindo cumprir os objetivos. E cá entre nós, se em um determinado mês eu não tiver nenhum dia sem traduções, nenhuma hora sem traduções, e não conseguir cumprir o objetivo do mês, eu me resigno e redistribuo os objetivos, porque um mês inteiro trabalhando direto com certeza é um mês ótimo, que vai pagar as contas, repor a reserva de dinheiro e provavelmente muito mais. Afinal, parado eu não fiquei, não é?

Esse dia 8 é um dos meus preferidos do Business Camp inteiro, pois, em resumo, ele serve para organizar e delimitar os objetivos para o ano, e o resultado final, no meu caso, é um minipôster pendurado na parede, que eu vejo todos os dias, me incentivando a seguir em frente.

E com essa motivação toda e o novo plano de trinta minutos por dia com atividades fixas que incluem o blog, vocês podem ter certeza que esta série de artigos sobre o Business Camp vai andar bem melhor. Então fiquem ligados, pois logo chega a próxima parte.

Até mais, pessoal!

Publicado originalmente em 25 de janeiro de 2016 em https://jogodatraducao.wordpress.com/2016/01/25/business-camp-para-tradutores-parte-7-como-fazer-as-coisas-funcionarem/