A chave tetra
Uma coisa que nos faz dormir tranquilos é saber que estamos seguros: tem quem se sinta assim dividindo a cama com alguém, algumas pessoas ficam mais tranquilas com um cachorro vigiando o quintal e outras só conseguem dormir com câmeras e alarmes ativados por toda a casa, além da cerca elétrica em cima do muro.
Só que todas elas têm uma coisa em comum: antes de dormir, se certificam que a porta de casa está trancada. Isso é tão ordinário que nem paramos para pensar sobre isso. Claro, poucas coisas são tão óbvias quanto trancar a porta antes de dormir. Mas tem gente que, não satisfeita em trancar a porta com uma chave tradicional, faz questão de reforçar a segurança com uma chave tetra.

Não dá para conceber uma situação onde o ladrão está disposto a se colocar em risco para invadir uma casa, mas desiste da missão ao ver que a porta está trancada com uma chave tetra. Será que ela realmente dificulta muita coisa para quem está do lado de fora? A minha sensação é que a chave tetra é uma piada que foi longe demais. E quem usa, só faz pelo orgulho de ter que admitir que ela dá mais trabalho do que tem utilidade. Não vale a pena ter uma chave tetra, mesmo com a suposta vantagem de te deixar mais protegido. Agora, se você está com pressa para sair de casa, ela tem uma função perfeita: te enlouquecer.
Você destranca a porta com a chave tradicional, mas ainda não dá para abrir. Você procura a chave tetra e não acha. Por algum motivo, ela não está no porta-chaves principal da sua casa. Depois de algum tempo procurando você encontra, deixa ela cair, pega no chão, tenta espetar na porta mas não consegue. Claro, só um dos quatro lados funciona. Uma chave desenhada para acabar com a sua vida. Até conseguir abrir você já desistiu do compromisso, porque, bem, já não daria para chegar a tempo. Melhor ficar em casa. Pelo menos você tá seguro.

