Jaina Proudmoore conquistou protagonismo durante as Campanhas do jogo Warcraft 3, tornando-se um dos maiores nomes do universo. Fonte: Pinterest

Da (re)Construção das Personagens

E do papel da Mulher no Mundo de Aran

Vinicius I.S. Lara
Jul 20, 2017 · 5 min read

É um assunto polêmico, sabemos. E minha intenção não é soar feminista — até porque eu não acredito em homens feministas. Homens que apoiem a causa feminista? Sim. Mas homens feministas? Acho difícil…

Dito isto, e após um tempo sem publicar nada no Medium (com exceção de alguns comentários), resolvi escrever este artigo. Por quê? Não sei ao certo… Estou finalizando a revisão/edição do volume 1 da Saga dos Corbans, e algumas coisas ficaram mais claras para mim.

Ao longo do processo, absorvi muito conteúdo sobre escrita criativa, organização, estrutura narrativa, e por aí vai… Tanto que minha percepção desta obra mudou radicalmente.

No início, a intenção era contar a longa estrada (de uma vida inteira) dos três irmãos Corbans: Ellor, Ertan e Edric. A história começa com eles jovens (15, 12 e 10 anos, respectivamente) e avança até se tornarem homens maduros (ao longo de prováveis 6 livros).

Mas…

Percebi que eles não são os protagonistas.

Pois é… Primeiro, ao “terminar” o Livro 1, eu o revisei (pela milésima vez) e achei que seria mais coerente desmembrá-lo em dois volumes. Agora, eu simplesmente digo que aqueles que deveriam ser os protagonistas, não os são.

Acontece… Nas melhores famílias…

Oras, então quem são os protagonistas? Ou seria o protagonista? Ou a protagonista?

Simples, estava óbvio o tempo todo, só que eu teimei em ficar com a ideia embrionária na minha cabeça. Pensem bem: a obra chama-se a Saga dos Corbans; e Corban é o nome de uma família. Então…?

Exato, O protagonista é a Família Corban!

E foi a personagem Nera que me ajudou a perceber o óbvio

A narrativa da obra está em terceira pessoa, com pontos de vistas que alternam entre os integrantes da Casa Corban e, eventualmente, entre alguns outros (poucos) personagens — como o Capitão Backhen, por exemplo, ou Breda. (Influência de Crônicas de Gelo e Fogo? Com certeza!)

O Livro 1 — A Herança dos Exploradores, apresenta os irmãos Corbans que são jovens demais e (ainda) não possuem a força necessária para moverem a história. Sendo assim, é mais sensato (e coerente) que este papel seja feito por adultos, uma vez que as tramas são mais complexas e exigentes, não dando espaço para crianças e adolescentes liderarem exércitos, debaterem com reis ou convocarem conselhos e grandes ajudas, por exemplo.

Os personagens adultos responsáveis por mover a história (ao menos no primeiro livro) são: Eitor, Nera e Írtan.

Há um artigo só para apresentar Eitor e Nera: Os Senhores da Casa Corban.

Írtan aparece num trecho do Prólogo, que eu publiquei no primeiro artigo: O começo de uma saga.

E aposto que vocês já deduziram que, destes três, Nera tem um papel maior na trama. Não sei se ela aparece mais que os outros — não “contei” as cenas, mas acredito que não; dos três adultos, Írtan é o mais presente (e o meu personagem masculino favorito).

No entanto, Nera simboliza União, Resistência e Sabedoria da Casa Corban — nada parecido com a nossa realidade, certo? (entendam a ironia, por favor!)

Nera é inteligente, estudiosa e compreende o desejo das pessoas como poucos. Possui uma espécie de sétimo sentido — já que se diz que as mulheres têm a Intuição como seu sexto sentido — chamado de Visão. Uma habilidade rara de captar mensagens em sonhos (sejam eles vívidos ou não).

Mas, como todo personagem, Nera possui algumas fraquezas: confia demais nas capacidades de sua família. Ama demais sua Casa. E, apesar de acreditar que todos possuem o direito (e obrigação) de reivindicarem seu próprio destino — desde que assumam as responsabilidades e consequências de suas escolhas –, teme e venera, na mesma medida, os Doze Supremos, interpretando sua Visão como uma habilidade concedida pelos deuses e, portanto, entendendo que ela (e sua família) deva agir conforme os interesses divinos.

Ou seja…

Nera é uma das inúmeras personagens femininas que impulsionam a trama (e minha personagem feminina favorita). Na tentativa de facilitar (e, possivelmente, correndo o risco de limitar) o entendimento do papel dela na história, exemplificarei alguns dos inúmeros papéis que Nera é capaz de assumir ao longo da Saga dos Corbans — considerando arquétipos encontrados na Jornada do Herói, para efeitos didáticos.

Logo de início fica evidente que ela é a matriarca da família e, desta maneira, ela é uma espécie de Mentora de todos os outros Corbans (seus filhos, seu marido Eitor e seu cunhado Írtan); Nera também assume papel de Heroína/Protagonista em alguns momentos (assim como os demais membros da família), sofrendo provações e testes constantes; para alguns personagens, a Senhora Corban tem uma postura de Guardiã do Limiar.

Nera ainda chama a responsabilidade em muitos momentos críticos da trama. Quando seu marido Eitor está desesperado; quando o cunhado Írtan está ausente; e o Capitão Backhen encontra-se ocupado demais enfrentando os inimigos da Casa Corban. Nestes momentos Nera se mantém indestrutível. Inabalável.

Há também coadjuvantes mulheres que, conforme a trama avança, vemos suas ações colocando-as em momentos de protagonismo momentâneo (ou não tão momentâneo assim). Como exemplos destas personagens:

  • Breda, a garota aprendiz de um xamã-líder de uma tribo, é citada logo no Prólogo. Demonstra ter iniciativa e capacidade de adaptação enorme;
  • Daniela, a filha do ferreiro Daran, deseja, mais do que tudo, tornar-se um Soldado Azul. Não tem a intenção de depender de ninguém, e almeja os postos mais altos da elite da Casa Corban;
  • Laura, uma besteira excepcional, tem uma determinação de ferro e rapidamente ganha destaque entre os Soldados Azuis;
  • Raquel possui momentos em que os Corbans dependem exclusivamente de suas habilidades;
  • Mirela é uma garotinha sem muitas ambições na vida além de desejar ficar longe de violência e poder cuidar da Senhora Corban. Sua simplicidade e objetividade revelam às outras personagens o valor da humildade e da sabedoria pautada nas coisas banais.

Enfim

Uma vez que estamos falando de ficção, de invenção, por que não explorar um cenário onde a Mulher possa ser tudo e mais um pouco? Líder, conselheira, sábia, guerreira, assassina, feiticeira, maga, traidora, amante, esposa, amiga, amável, violenta, sedutora, objetiva, confusa, heroína, vilã…

Ao ler o artigo de Rodrigo Assis Mesquita (ouvindo o podcast Curta Ficção, fiquei navegando pela página e cai nesse texto), percebi que não só é uma atitude bem-vinda como coerente: a História tem uma participação massiva da Mulher, acontece que nossa sociedade castradora opta por esconder isso.

Essa provocação — do uso da Heroína e da Mulher na escrita/literatura — foi perfeitamente colocada pela Janayna Bianchi Pin, no seu artigo Por que heróis e heroínas não precisam ser diferentes.

E tudo isso me faz pensar sobre a possibilidade de alterar o nome do Livro 2: Os Filhos de Eitor para algo como: Os Filhos de Nera; ou Os Irmãos Corbans; ou ainda Os Três Corbans…

O Mundo de Aran

Curiosidades sobre o universo da Saga dos Corbans

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Vinicius I.S. Lara

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Arquiteto e Urbanista e Escritor Independente. Tentando sonhar menos e realizar mais...

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Curiosidades sobre o universo da Saga dos Corbans

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