O número da rosa

Toda a gente sabe o que é uma rosa. Toda gente sabe a que cheira uma rosa. É a flor de eleição do romance, do dia da mãe, dos casamentos e baptizados, das avozinhas inglesas que fazem jardinagem antes da hora do chá. Há quem as prefira vermelhas, amarelas, brancas, ainda que o seu nome seja rosa. Há quem faça literatura com elas, como foi o caso do velho William que pôs a Julieta a dissertar sobre a importância dos nomes, usando a rosa como exemplo. E há quem, como eu, que use a rosa como desculpa para falar sobre importância números. Ou melhor, de como é importante sabermos comunicar números. Porque convenhamos, a maior parte das vezes não sabemos.

Uma rosa tem números? Óbvio que tem. Tem, por exemplo, cerca de 20 pétalas. Então, uma rosa é uma flor com 20 pétalas. Se desfolharmos essa rosa, continuamos a ter 20 pétalas de rosa, certo? Mas 20 pétalas de rosa, não são uma rosa, são simplesmente 20 pétalas de rosa.

Agora, imaginemos que agrupávamos essas pétalas novamente, mas agora sem a estrutura do botão no centro. Teríamos algo parecido com uma camélia. Ou que agrupávamos apenas 5 pétalas, e obteríamos uma flor de macieira. As duas cheirariam a rosa. Mas não eram rosas, eram outras coisas completamente diferente.

O mesmo se aplica aos números e à forma de como os comunicamos: gráficos, infografias, mapas, etc. Se pensarmos que os números são as pétalas e os gráficos a forma como as agrupamos, então, consoante o gráfico teremos um tipo de flor diferente, mesmo que os dados sejam pétalas de rosa. E mais importante de tudo, consoante o que queiramos comunicar, a história que queiramos contar, teremos sempre uma flor diferente. Ainda que cheire a rosa.

E é sobre isto que vamos falar neste blogue. De como comunicamos os dados. O que deve e o que não se deve fazer. Quais os erros mais comuns na comunicação de dados. O que é data science, big data, data journalism. E principalmente, como é se contam histórias com números. Ou como se encontram histórias nele. Isso, histórias com dados: DataStorytelling.

Bem vindos!