Afobação

As palavras saem atropeladas, os dedos não acompanham a velocidade com que elas são produzidas na mente, é como uma criança que chega correndo e corre as primeiras palavras umas sobre as outras apenas pra chegar antes na parte da história em que a mãe do pedrinho chamou ele, o próprio pedrinho, de filho-da-puta. Assim sou eu escrevendo o começo do dito livro que tanto sonho em finalizar.

A ordem cronológica de escrita talvez não seja o ideal, mas eu estava simplesmente cansado de empilhar rascunhos de diálogos fervorosos, batalhas épicas e cenas picantes, precisava amarrar tudo isso, e a verdade é que assim está sendo, sem tanta motivação e emoção, meu problema em produzir tem consistido em que eu não consigo escrever um trecho “de transição” sem achar que aqui ou ali caberia mais emoção.

A questão está toda em tornar isso mais interessante pra mim, ao invés de escrever um livro de ritmo extra-acelerado e saturado de cenas-chave e batalhas intergaláticas. Preciso achar a graça na parte calma de contar a história. Sinto que para mim parece mais monótono pois eu sei o que acontece adiante, pois para um eventual leitor, vai haver sempre aquele “que” de mistério que vai mantê-lo interessado em seguir lendo, e aqui mais uma vez se prova que “a ignorância é uma benção”. E não digo ‘ignorância’ aqui como algo pejorativo, mas sim como a falta de informação. Seria muito mais fácil para mim escrever essa parte sem saber o que se passa na frente, e a verdade é que eu nem SEI exatamente, pois tudo pode mudar na minha cabeça até chegar lá, mas a questão é que eu quero insanamente a emoção, o ritmo pegado, as cenas memoráveis, mas para tudo ser tão fodástico como parece ser na minha mente, é sempre bom haver contexto, e para isso servem aqueles chatos e monótonos(para mim, não pra quem lê) primeiros capítulos.