Em Santo André, Bota precisa da arbitragem para ‘não morrer fora’

Árbitro inventou pênalti que deu empate ao Pantera; time segue sem vencer fora de casa na competição

Novamente, faltou ousadia ao Pantera longe de Ribeirão (Foto: Rogério Moroti/Agência Botafogo)

Na tarde deste sábado (11), em Santo André, o Botafogo saiu atrás do placar, mas conseguiu o empate em pênalti inexistente dado no atacante Francis pelo árbitro José Cláudio Rocha Filho. A igualdade por 1 a 1, no estádio Bruno José Daniel, prolonga o jejum de quatro jogos sem vitória do Pantera atuando longe de seus domínios.

O primeiro gol fora de casa finalmente saiu através de Francis, artilheiro da equipe no Campeonato Paulista com quatro gols marcados. O lado ruim fica por conta da mediocridade do mantra do treinador botafoguense Moacir Júnior repetido em quase todas entrevistas coletivas: “Matar em casa e não morrer fora”.

Seria uma linha de pensamento razoável não fosse por dois aspectos: 1. a situação do Bota no Grupo A com 11 pontos ganhos — por enquanto classificado ao mata-mata — , no entanto, sem desgarrar dos concorrentes São Bernardo (9 pontos e uma partida a menos) e Ituano (8 pontos e uma partida a menos); 2. os pontos perdidos no Santa Cruz em derrota para a Ponte Preta ainda não recuperados mesmo em circunstâncias favoráveis como diante de São Bento (Bentão pressionado pelos maus resultados) e Santo André (um jogador a mais desde os 26 do 2ºT).

Por esse tipo de postura, o Pantera demora a encaminhar sua classificação e afastar o perigo do rebaixamento. Sua posição quase na metade da tabela geral, na sétima colocação, sintetiza bem o que está sendo feito e a torcida sabe que este elenco pode mais. O Botafogo tem outro compromisso fora antes de encarar o São Paulo em Ribeirão Preto. Na sexta-feira (17), às 21h05, no Gilbertão, confronta o embalado Linense do ex-técnico botafoguense Márcio Fernandes.

O JOGO

O calor das 15h00 (‘parabéns’ à Federação Paulista) condicionou o ritmo de intensidade limitada no primeiro tempo com escassas chances de gol. O time da casa começou melhor, mas quem teve a primeira boa oportunidade para marcar e se impôs no primeiro tempo foi o visitante. Aos 15 minutos, Samuel Santos desceu livre pela direita e cruzou, Rafael Bastos também livre apareceu por trás da zaga e concluiu por cima.

Depois disso, viu-se alguns ‘perde-ganha’, várias tentativas de ligação direta e três paradas para atendimento médico antes da pausa a reidratação aos 29. Depois do descanso de dois minutos, o duelo melhorou e teve mais volume até o intervalo.

Aos 35, Fernandinho bateu escanteio, Marcão subiu bem e testou perigosamente acima do travessão. Aos 37, veio a resposta do Ramalhão. Henan recebeu lançamento e da ponta direita da área chutou bonito para boa defesa de Neneca.

Mais presente no campo de ataque, o mandante chegou ao seu gol nos acréscimos da etapa inicial. Aos 46, Fernando Neto avançou livre pelo meio e arriscou chute acertando o travessão. No rebote, dentro da área, Henan dominou e concluiu forte para o fundo das redes.

Atrás do empate o Pantera perdeu uma chance incrível logo aos 11 minutos da etapa final. Pituca deu lindo passe esticado para Francis, em posição legal, disparar em direção ao gol. Cara a cara com Zé Carlos, Francis perdeu um pouco do apoio no pé e não conseguiu tirar do goleiro do Ramalhão, que defendeu.

Sentindo a necessidade de mais poder ofensivo, Moacir Júnior sacou o primeiro volante Rodrigo Thiesen para colocar o meia Vitinho. Pouco mais tarde, promoveu Bernardo no lugar de Rafael Bastos.

As mudanças pouco fizeram efeito, porém, o árbitro ‘deu uma mãozinha’. Aos 26, Francis recebeu lançamento, dominou no peito e adiantou a bola rumo à meta adversária. Marcado por dois, disputou espaço, segurou e foi segurado e caiu ao chegar na área. O árbitro caiu também e ainda deu o segundo amarelo a Dudu Vieira, expulso. O próprio Francis acabou encarregado do pênalti e fez bela cobrança, deslocando Zé Carlos.

O filho (Francis) voltou a casa e bem. É um dos destaques no time de M. Júnior (Foto: Rogério Moroti/Agência Botafogo)

Mesmo em vantagem numérica, o Pantera não sobressaiu. Já o Santo André, precisando da vitória, não recuou e continuou equilibrando a posse de bola. Na última emoção do duelo, aos 41, o Ramalhão voltou a marcar, todavia, o assistente marcou impedimento de Henan.

FICHA TÉCNICA — SANTO ANDRÉ 1 X 1 BOTAFOGO

Gols: Henan, aos 46’/1ºT (Santo André); Francis, aos 27’/2ºT (Botafogo).

Cartões amarelos: Tiago Ulisses, Carlos (Santo André); Filipe (Botafogo);
Cartão vermelho: Carlos (Santo André).

Santo André — Zé Carlos; Carlos, Reniê, Leonardo e Fernando Neto; Renato, Tiago Ulisses, David Ribeiro (Guilherme Garré) e Serginho (Alex); Henan e Claudinho (Deivid). Técnico: Sérgio Soares.

Botafogo — Neneca; Samuel Santos, Gualberto, Filipe e Fernandinho; Rodrigo Thiesen (Vitinho), Bileu, Diego Pituca e Rafael Bastos (Bernardo); Marcão e Francis (Serginho). Técnico: Moacir Júnior.