Retranca de Moacir Júnior segura empate sem gols em Sorocaba

Sempre atrás da bola e nunca com ela. Este é o Botafogo de Moacir Júnior (Foto: Rogério Moroti/Agência Botafogo)

ANÁLISE

Na noite deste sábado (18), em Sorocaba, o Botafogo completou seu primeiro terço do Campeonato Paulista de 2017 com mais um empate na conta, que acumula quatro pontos em 12 disputados (aproveitamento de 33,3%). Diante do lanterna São Bento, no estádio Walter Ribeiro, a igualdade pelo placar de 0 x 0 serviu também a mostrar um no mínimo contestável estilo de jogo implementado pelo treinador botafoguense Moacir Júnior.

O Tricolor atuou desfalcado de fato. Sem três defensores titulares, Gualberto, Matheus Mancini e Samuel Santos, e sem o camisa 9 Marcão. Entretanto, visivelmente os donos da casa sentiam a pressão a qual estavam imersos por terem perdido todas as três partidas que jogaram. No primeiro tempo, o Botafogo equilibrou a posse de bola e foi ao intervalo melhor do que o rival.

Na volta, porém, a síndrome do segundo tempo, de certa maneira, repetiu-se. O Pantera recuou muito em sinal de renúncia total ao embate e conformidade com o resultado magro. Como nos três duelos anteriores, o técnico adversário não demorou a modificar sua equipe, enquanto Júnior passivo somente assistiu. Quando trocou peças, os promovidos tinham duas funções básicas: marcar e prender a bola longe da própria meta.

O Bentão errou demais e, ao acertar, Neneca bem postado defendeu tudo. Na defesa bentina espaços. Perigosos se houvesse alguém a aproveitar, alguma reação ou impulso ofensivo saindo do banco. Mas não, pois dois atacantes isolados, inclusive um do outro, não fazem vitória. Sem ganhar há duas partidas, o Tricolor volta a campo na quarta-feira (22), às 19h30, em casa, para desafiar o Audax.

Coragem, Moacir! (Foto: Rogério Moroti/Agência Botafogo)

O JOGO

O gramado do Walter Ribeiro estava um pouco irregular, o que impunha dificuldades a ambos os times nas trocas de passes. Em boa parte do primeiro tempo, viram-se muitos perde-e-ganha e pouca criação de jogadas. O São Bento acumulou mais volume ofensivo e para pará-lo restou ao Botafogo cometer faltas (11 só no 1ºT/20 total). Entretanto, a melhor chance ficou do lado botafoguense, o qual equilibrou as ações na parte final. Um número sintetizante é o da posse de bola, 50% para cada lado (segundo o Footstats).

Como colocado o Bentão começou melhor. Aos 15 minutos, em jogada ensaiada de escanteio, Itaqui apareceu livre na área, porém chutou mascado à esquerda da meta de Neneca. Aos 17, Itaqui chutou forte de longa distância e o goleiro do Bota teve que trabalhar. Ainda nessa sequência bentina, aos 20, Marcão subiu sozinho após cruzamento do lado esquerdo e mandou para fora.

Nesse último lance, em especial, ficou evidente a falta de entrosamento da dupla de zaga de Moacir. Afinal, Caio Ruan e Filipe eram a terceira dupla diferente em quatro jogos. Primeiro saiu Gualberto contundido, depois Matheus Mancini.

Percebendo o crescimento do mandante, o Botafogo passou a tentar segurar mais a bola, o que retardou o ataque do adversário por alguns minutos. Aos 32, o Azulão voltou a assustar. Wilson Júnior adentrou a área pelo lado esquerdo, limpou Caio Ruan e chutou rasteiro para a boa defesa de Neneca. Na sequência, Clebson cruzou fechado e Neneca esticou-se a mandar a bola por cima do travessão.

Os botafoguenses acordaram e responderam. Aos 41, na ponta esquerda da área, Isaac Prado recebeu passe de Fernandinho e cruzou para Marcão Silva aparecer no meio de três na pequena área e concluir. Bem postado, Rodrigo Viana fez milagre, evitando o gol com as pernas. Essa foi uma das únicas duas finalizações certas dadas pelo Tricolor na partida.

No segundo tempo, desesperado pelo resultado, o São Bento partiu para cima e o Bota retraiu-se todo. Inicialmente, o Bentão tentou chutes de média/longa distância. Dois deles, um de Morais e outro de Giovanni, passaram perto do travessão tricolor. A definição da jogadas passou a ser pouca trabalhada, os jogadores da casa não escondiam o nervosismo.

Em momento raro ofensivo na etapa final, o Tricolor quase fez. Aos 27, Fernadinho levantou bola na área, Caio Ruan desviou de cabeça e a bola passou muito perto da trave de Rodrigo Viana. Na reação, o Azulão pecou na hora de concluir. Aos 44, Morais cruzou rasteiro e Jobinho tocou para fora sem goleiro. Aos 46, a última oportunidade. Em sobra de bola, Jobinho aplicou uma bicicleta, mas Neneca impávido em sua frente não deixou a bola entrar.

FICHA TÉCNICA — SÃO BENTO 0 X 0 BOTAFOGO

Público: 1.829 pagantes; renda: R$ 32.635,00

Cartões amarelos: Gabriel Santos (São Bento); Rafael Bastos e Marcão Silva (Botafogo).

São Bento: Rodrigo Viana; Bebeto, Pitty, Gabriel Santos e Denner; Fábio Bahia, Itaqui, Morais e Clebson (Giovanni); Magrão (Guilherme Queiroz) e Wilson Júnior (Jobinho). Técnico: Paulo Roberto Santos.

Botafogo: Neneca; Bileu, Caio Ruan, Filipe e Fernandinho; Rodrigo Thiesen (Carlos Henrique), Marcão Silva, Diego Pituca e Rafael Bastos (Bernardo); Isaac Prado (Serginho) e Francis. Técnico: Moacir Júnior.