O socialismo de pernas abertas

Há alguns dias, O Antagonista chamou a atenção para esta entrevista de Vladimir Safatle. A entrevista exemplifica o nível de irracionalidade do pensamento de esquerda. Especialmente a última parte:

“Sugiro que a esquerda pare de tentar impedir a autodestruição do capitalismo e lute por uma sociedade na qual a atividade humana não esteja submetida à condição de trabalho produtor de valor, na qual a propriedade não seja mais a representação única da liberdade e na qual “austeridade” é algo que se cobra das elites, não do povo.”

Vamos destrinchar?

“Sugiro que a esquerda pare de tentar impedir a autodestruição do capitalismo”

Desde quando a esquerda tenta impedir a autodestruição do capitalismo? Ela é o maior impecílho para o capitalismo de livre mercado existir. O que Safatle chama de “impedir a autodestruição” é, na verdade, ser moderado nas intervenções estatais.

Basicamente, Safatle, como todo bom socialista, pede coisas como calote de dívida, confisco de propriedade e impostos elevados sobre a riqueza, o que basicamente destrói a economia e leva ao colapso social. Vide Venezuela, Cuba, Coréia do Norte ou qualquer outro local em que o socialismo “deu certo”.

“lute por uma sociedade na qual a atividade humana não esteja submetida à condição de trabalho produtor de valor”

Eis aqui o ponto principal: a essência do socialismo, escancarada, de pernas abertas, sem censura ou maquiagem. É a utopia socialista. Tão bela, tão humana, tão promissora. É a oferta da vida plena, sem exploração do trabalho, em que você colhe os benefícios sem o esforço.

A questão é que ela não funciona. E não é preciso pensar muito a fundo para entender o por quê.

Ora, se a atividade humana não estará submetida “à condição de trabalho produtor de valor”, quem produzirá as coisas? Quem plantará? Quem colherá? Quem transportará? Quem construirá casas? Quem produzirá máquinas? Quem gerará energia elétrica? Quem manterá a infraestrutura?

A resposta do socialista, claro, seria “o Estado”. Mas desde quando o Estado faz algo sem mão-de-obra humana?

Em essência, ao invés de sermos explorados pelo “capital opressor”, seremos explorados por burocratas estatais, que definirão como, onde e pelo quê cada um trabalhará. Em outras palavras, escravidão e fome. Como aliás, se nota na Venezuela, na Coréia do Norte ou em Cuba. Não dá de escapar da realidade.

“na qual a propriedade não seja mais a representação única da liberdade”

Se você não tem propriedade, que liberdade você tem? Se os bens são comunais, como você pode definir seus horários, gostos e preferências, sem esbarrar nas necessidades alheias?

Perguntinha básica: onde é mais confortável dar uma boa cagada: no banheiro público ou no banheiro de sua casa?

O socialista detesta a propriedade porque quem tem posses não precisa se submeter à vontade alheia para ter acesso a conforto, comida ou outros luxos.

O socialista quer o Estado mandando em você. Por isso, vai sempre atacar aquilo que você tem, pois quando você não tiver nada, fará qualquer coisa por um pedaço de pão.

“na qual “austeridade” é algo que se cobra das elites, não do povo.”

O nível de canalhice nessa informação é sem precedentes. Sempre foi a direita quem pediu austeridade estatal. Concentrar dinheiro nas mãos de burocratas que não o produziram é receita para corrupção e ineficiência.

Porém, na mentalidade socialista, o Estado é “o povo”. O Estado garante “justiça social”. O Estado melhor distribui riquezas. Logo, os recursos devem ir para o Estado, onde a elite política, formada por seres celestiais conscientes, competentes e probos, melhor garantirá a qualidade de vida de todos.

Na cabeça do socialista, a “elite” que explora a sociedade não é a de burocratas com muito dinheiro e poder em mãos. A “elite malvada” do socialista é o sujeito que enriqueceu com seu trabalho. É o empresário de sucesso, é o empreendedor, é a pessoa que usa sua poupança para tentar criar seu próprio negócio.

Para o socialista, essas pessoas devem ser impedidas! Elas devem ter seus frutos confiscados, suas empresas tomadas, seu dinheiro podado. Assim, essas pessoas pararão de produzir, para que o Estado, com sua eficiência assombrosa, produza no lugar delas.

Existem vários outros pontos no texto que mostram de forma explícita e pornográfica a mentalidade socialista. Vou comentar mais um:

“o confisco dos aparelhos produtivos e o esvaziamento do Legislativo e do Executivo em prol da democracia direta, ancorada em assembleias populares deliberativas”

Eis aí o que o socialista realmente deseja: Confisco. Fim da democracia republicana. Implantação da belíssima “democracia direta”.

Sabe onde essa democracia direta foi tentada? União Soviética, Alemanha Nazista, China de Mao, Coréia do Norte.

Em essência, em ditaduras. Ela consiste no seguinte: um grupo de burocratas, supostamente “trabalhadores representantes do povo”, mas cujo trabalho é se reunir e mandar os outros fazerem coisas, se reúnem para definir “o que o povo quer”.

Se quiserem ter uma noção de como isso funciona, apenas observem nossos sindicatos, grêmios estudantis e conselhos de classe (de médicos, de engenheiros, de advogados, etc.): o quanto eles te representam? O quanto são honestos? O quanto estão preocupados com seu bem-estar? Quantas regras eles cagam por dia, com as quais você não concorda? O quanto cobram de você pela sua “proteção”? Quanta escolha você tem de se desfiliar deles e procurar outros que te representam melhor?

Agora, imagine acabar com governo e eleições, e colocar esses grupos para ditar leis.

Esse é o sonho do socialista. E também o pesadelo de todo o resto da humanidade.

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