Pai

(Texto originalmente publicado no Facebook, em 14/08/2016)

Ao seguirmos uma trilha, estamos apenas repetindo o caminho de um desbravador. E, ao fazê-lo, nem sempre percebemos as dificuldades do trajeto, pois as armadilhas já foram vencidas e os perigos já foram domados por aquele que abriu a passagem.

Eu conheço um desbravador desses. Um desses grandes heróis.

Esse homem nasceu de uma família abastada, mas sacrificou tudo pela fé. Com humildade, tornou-se um homem santo e buscou a sabedoria de Deus. Nada mais tendo na vida, dedicou-se ao que realmente importa: conhecimento.

Para estudar, ele viajou o mundo, como todo grande herói numa jornada épica. Viveu em muitos lugares, conheceu muitas pessoas, passou por tantas situações. Mas sempre se manteve fiel a seus ideais, com humildade, dedicação e satisfação.

De estudioso, ele se tornou um professor. E quantos alunos dele já encontrei no meu caminho, nos lugares menos esperados! Quantas vidas ele tocou, quanta gente bem-sucedida ele instruiu, quantos elogios já ouvi a seu respeito!

Esse homem deixou a vida santa para se casar. E, por ter doado tudo o que tinha no começo do sacerdócio, ele teve de começar a nova vida por baixo. Já não era jovem, mas quanta coisa construiu mesmo assim! Tudo obtido com esforço e honestidade.

Quando o conheci, eu não compreendia que estava numa trilha. Não via os perigos e as armadilhas. Eu via apenas as costas desse homem abrindo o caminho à frente, e não podia imaginar o esforço que ele fazia para que eu e meus irmãos permanecêssemos em segurança.

Pai.

Graças a você, aprendi o valor do trabalho.

Foi contigo que entendi o significado de responsabilidade.

Foi pelos elogios de seus alunos que descobri a importância da dedicação.

Os momentos e escolhas difíceis por que passou me ensinaram a relevância da honestidade.

Tudo o que construiu para nós serviu para demonstrar-me o que é mérito.

Demorou muito tempo para que eu compreendesse tudo isso. Agora, adulto, vendo-o tão velhinho, já sem as forças para continuar a desbravar, sei que chegou a minha vez.

Agora, sou eu quem pega o facão e abre a trilha à frente, sou eu quem tem de domar os perigos e vencer as armadilhas. Infelizmente ainda não tenho filhos, mas espero que um dia eles me vejam com os mesmos olhos deslumbrados e orgulhosos com os quais eu sempre o observei.

Eu te amo, pai, e torço para um dia ser um homem tão grande quanto o senhor.

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