A pequena vila de Paranapiacaba

Vilarejo com características inglesas, fundada em 1867, é um prato cheio de histórias e mistérios para os turistas que visitam a região e são apaixonados por arquitetura antiquaria

Foto: Aline Marinho

Aline Marinho

A rodovia Deputado Antônio Adib Chammas, que inicia na cidade de Ribeirão Pires — região metropolitana de São Paulo — seria mais uma estrada brasileira se não fosse por um detalhe: a ligação com a pequena e charmosa vila de Paranapiacaba.

Localizada na região sudoeste da cidade de Santo André, no limite entre o Planalto Paulista e a Serra do Mar, o município carrega quase 150 anos de história.

Com um pouco mais de 1.100 habitantes, o vilarejo é um dos locais preferidos das pessoas que querem fugir da correria da grande São Paulo. As características inglesas, a neblina quase que constante, a ferrovia histórica, as belas cachoeiras e os mistérios que percorrem a cidade são apenas alguns dos aperitivos que atraem os turistas para lá.

Primeiras impressões

Sob o sol escaldante e uma temperatura na casa dos 32 graus, a estudante de fisioterapia, Bruna Turco, visita a cidade pela primeira vez para apreciar o 13º Festival do Cambuci — fruta típica da Mata Atlântica. Deslumbrada com as construções e com a ferrovia de 1867, que carrega em suas locomotivas expositivas o desgaste do tempo, a estudante caminha pelas ruas batidas de paralelepípedos com o olhar atento, nada escapa de sua visão.

“Eu não sabia que existia uma cidadezinha como essa em São Paulo, é como estar, realmente, em uma vila inglesa. Sempre me falaram para visitar, mas confesso que não depositava muita expectativa. Quando cheguei aqui, logo de cara, me surpreendi. A neblina da manhã, a simpatia das pessoas e as casinhas antigas me fizeram voltar ao passado. É uma sensação muito boa”, afirma a estudante enquanto admira a Serra do Mar do alto da passarela de madeira sobre as antigas linhas de trem.

Essas primeiras impressões e a sensação de retorno ao passado se aplicam em diversos turistas que visitam a cidade pela primeira vez.

Festividades

Tombada como patrimônio arquitetônico e natural pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em 2003, a cidade, tipicamente turística, realiza diversas festas e comemorações ao longo do ano para atrair visitantes.

No mês de abril, costumeiramente, é realizado o Festival do Cambuci, fruta característica da região serrana de São Paulo. O evento, que acontece desde o dia 21 deste mês e termina no feriado de primeiro de maio, conta com a participação dos moradores da região, que são especialistas em pratos e bebidas feitos com a fruta.

Maria Pereira, uma das moradoras que participam do festival, orgulha-se das guloseimas que cria com o cambuci. Em sua pequena banca de degustação e venda — que fica exposta no galpão do antigo Mercado durante o evento — bolos de todos os sabores, com o toque especial da fruta típica da região, chamam a atenção dos turistas. “É um prazer participar desse festival. Eu e minha filha fazemos tudo com muito carinho. Recebemos um retorno positivo dos visitantes que experimentam nossos bolos. O cambuci tornou-se um produto extremamente importante para nós. Esse evento, além de trazer mais pessoas para a cidade, nos ajuda na renda”, conta Maria.

Além do Festival de Cambuci, há diversos outras festividades durante o ano, dentre elas, o Festival de Inverno, que atrai milhares de turistas para a cidade nos três últimos finais de semana de julho.

Acervo histórico

A cidade de Paranapiacaba torna-se ainda mais interessante com a quantidade imensa de peças antiquárias que ficam espelhadas pelos museus da região.

O destaque fica por conta do Acervo Tecnológico Ferroviário, que abriga vagões, máquinas e objetos utilizados para a manutenção de trens. O local conta um pouco da história do primeiro sistema funicular empregado para transpor a Serra do Mar.

Localizado na parte mais baixa da cidade, o Museu Tecnológico mantém um acervo histórico que enche os olhos dos turistas. A neblina, que geralmente cobre a região, dá um ar misterioso para os galpões que compõe o trajeto. Os trens antigos — desbotados e enferrujados pelo tempo — fazem parte do cenário preferido dos apaixonados por fotografia.

Bárbara Rios, estudante de publicidade e fotografa nas horas vagas, é uma das visitantes que passa horas registrando os mínimos detalhes da ferrovia e das locomotivas. “Não é a primeira vez que venho em Paranapiacaba, mas na outra ocasião, não tive a oportunidade de fotografar. Esse lugar é magnífico, rico em história e detalhes. É um prazer ficar aqui e conhecer mais do local e dos moradores. É uma experiência que não tem preço”, afirma a estudante.

Fácil acesso

Os moradores de São Paulo e região que quiserem visitar Paranapiacaba podem chegar ao vilarejo de transporte público, utilizando a Linha 10 Turquesa da CPTM — sentido Rio Grande da Serra — ou de carro.

O pequeno distrito de Santo André possui fácil acesso para os turistas que quiserem desbravar e conhecer um pouco mais da história do vilarejo que está encantando cada vez mais as pessoas que passam por lá.