Por que devemos ser gratos por ter aquela nota “ruim”…

“O mundo está cheio de gênios que creem ser idiotas porque sempre vão mal naquilo que os obrigam a ser bons.”

Espero que você leia esse texto com a mesma paz de espírito que eu mantive ao ver a nota (ruim) que eu recebi em uma prova recentemente.

Chorei? Sim! — é preciso sentir — , mas, diferentemente do que já aconteceu, não me rotulei como uma pessoa burra, que não consegue nada na vida. Não alimentei o Desamparo Aprendido.

Esse perfil de vítima já me acompanhou muito na graduação em Engenharia Química, mas, nessa jornada, eu aprendi alguns aprendizados que eu queria compartilhar com você nesse texto.

Primeiro Aprendizado: O que é Sucesso?

Recentemente, minha irmã compartilhou um texto sensacional comigo. O mesmo foi escrito pela Engenheira Química, Melissa, que comanda o blog Vida Borbulhante.

Olha só estes trechos do texto dela:

“Aos 22 anos senti a necessidade de fazer terapia para, de alguma forma, poder acalmar um conjunto de angústias e sofrimentos que vinha sentindo, principalmente, devido a minha escolha profissional: Engenharia Química.
Recordo até hoje o sofrimento que eu sentia ao me dedicar tanto aos estudos e não conseguir ver esse esforço refletido nas minhas notas, como eu desejava e achava fundamental. No geral, sentia que precisava me esforçar mais do que meus colegas mais próximos para atingir notas “passáveis”. A dedicação intensa para ter um retorno (que eu achava) medíocre estava me intoxicando. Não conseguia viver bem e muito menos sentir prazer no que eu estava fazendo.
Um belo dia, em plena seção de terapia, após inúmeros lamentos, comecei a soluçar. Em poucos segundos, os soluços se transformaram em pranto, balbuciei: “sinto-me um fracasso”. E foi nesse momento que recebi como resposta uma sonora risada. Sim, meu terapeuta estava com um sorriso estampado, rindo. Fiquei completamente estática, surpresa, chocada e, depois, irada com essa atitude. Eu lá, sofrendo, e a pessoa que deveria me ajudar estava rindo de mim?!
Os anos se passaram, muita coisa mudou. A maturidade e a vivência me permitiram enxergar a vida com mais clareza, com olhos mais serenos, menos exigentes e críticos. No entanto, isso não impede de, uma vez ou outra, eu ainda ter a sensação de estar em busca de um sucesso inatingível.
[…]
Voltando à risada de meu terapeuta. Depois de alguns segundos desconcertantes, ele me olhou seriamente e disse: “deixe-me ver se eu entendi bem, você faz Engenharia Química, um curso bastante difícil, em uma universidade federal, fala quatro línguas, trabalha e estuda, e se acha um fracasso porque não tira notas altas?! É isso mesmo?” Sim, era exatamente isso. Eu estava apenas medindo meu sucesso de acordo com notas, pois isso era o que o “sistema” usava para dizer o quão boa eu era. A risada dele, hoje, faz total sentido.”

Incrível.

É como eu penso: se você decide avaliar o quão bem sucedido é um peixe o colocando para correr, o que é que acontece?

O peixe não consegue correr, então, você vai rotula-lo como incapaz e ele vai acreditar.

Sendo que, na verdade, o peixe tem um potencial imenso, só que na água, não na terra. Tudo é uma questão da forma como você avalia o tal sucesso.

Essas provas teóricas, imensas, que pouco estimulam o raciocínio, que mais fazem os alunos vomitarem resoluções de provas antigas, sem nem saberem o que realmente estão fazendo, eu já achei que elas mensuravam o meu sucesso estudantil. Mas depois eu vi que eu sou um peixe sendo avaliado em uma corrida. Isso nunca fará sentido.

Entendi que o sistema de avaliação predominante nas universidades do nosso país avalia de forma pequena o grande potencial que a gente tem (já começa assim desde o vestibular…).

Somos peixes sendo avaliados em uma corrida.

Por isso, eu decidi não mais aceitar essas notas como determinantes de quem eu sou.

Eu vou além delas.

Avaliação totalmente justa, rs

Segundo Aprendizado: Qual o real significado dessa nota ruim?

Pode até ser ruim e triste tirar uma nota que você não esperava e que não condiz com seus esforços. Mas, vamos a um exercício:

Pense em um problema pessoal que você já enfrentou, onde, numa escala de 0 a 10, esse problema tenha nota 10 de gravidade.
Pense em um problema ou situação que te deixou em estado de bastante tensão.
Seja bastante sincero(a) quanto a isso.

Pensou?

Pronto, agora reflita sobre a nota ruim que você recebeu.

Utilizando a mesma escala de antes, de 0 a 10, o quão grave é essa nota?

Percebe?

O que é essa nota diante do que você já passou/superou na vida?

Eu nem conheço sua dor nota 10, mas sei que essa nota ruim é nada se comparada ao que você já viveu.

Eu tinha mania de fazer dessa nota ruim o fim do mundo.

Pelo amor de Jah…

A gente precisa aprender a dimensionar nossos problemas pelo tamanho que de fato eles têm. Nossa saúde mental agradece!

Terceiro Aprendizado: Os pontos se conectam.

O melhor discurso que eu já ouvi na vida é o que Steve Jobs fez na Universidade de Stanford, em 2005. Em sua fala, tem uma parte que não me desaponta e que ele diz assim:

“Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa — sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Pois é, quando eu me recordo de todas as notas ruins que já tirei e a repercussão — maravilhosa — que elas tiveram em minha vida, eu acredito muito nessa história de conexão dos pontos.

Nada acontece em vão. Lá na frente, tudo se conecta.

O simples fato de eu estar no medium.com, escrevendo um texto que você está lendo de algum canto do Brasil, acontece porque um dia eu entrei em Engenharia Química na UFBA e tirei notas ruins.

Se eu mantivesse as boas notas do Ensino Médio e nunca tivesse tirado uma nota ruim, eu não estaria aqui. Sabe por quê?

Porque eu não questionaria o sistema. Não sairia da caixinha que nos é imposta.

Se eu não tivesse tirado uma nota ruim, eu não teria me conectado com a Alavanca Universitária, não teria me desafiado a conhecer a PNL, o Coaching e por ai vai.

É como eu digo sempre: eu sou muito grata aos “maus bocados” que eu já passei nessa minha graduação. Foi por conta deles que eu me conectei com pessoas e conhecimentos que transformaram minha vida.

Enfim, ando aprendendo que uma nota ruim não é uma lástima.

É uma bênção.

Assim, na minha visão de mundo, é por conta de todos estes aprendizados que devemos ser gratos por ter aquela nota “ruim”…

E te pergunto: Pelo quê mais podemos agradecer?

Reflita.

Gratidão!

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