A ERA DO COMPARTILHAMENTO
“Propriedade intelectual é burrice, viva a revolução do conhecimento!”
Como este é (oficialmente) o primeiro post deste novo projeto, eu gostaria de esclarecer que (quase) todos os livros que serão mencionados nesta publicação, encontram-se disponíveis gratuitamente nas páginas de um maravilhoso projeto português de compartilhamento de livros digitais de diversas áreas e assuntos, em formatos PDF, ePub, mobi, ou ainda com a possibilidade de leitura on line.
A qualidade e a seriedade do projeto, facilmente perceptível através de sua interface e atualizações (quase) diárias, são impressionantes.
Eu, pessoalmente, só me lembro de apenas em uma oportunidade, ter tido problemas com a versão Epub de um livro (o meu formato preferido) baixado por lá, inviabilizando a sua leitura.
Então, podem confiar no site Le Livros.
Mas, se você é, como eu, um leitor compulsivo, tenha bastante cuidado ao andar por estes verdes mares virtuais.
A possibilidade de se perder nessa imensa biblioteca de ebooks, e esquecer da vida, é real.
O sítio (é assim que os portugueses falam, não é?) se descreve em verdadeiro manifesto a favor da democratização da leitura e contra a ditadura da legislação dos direitos autorais no mundo virtual (conflito de interesses?, qual nada) à exemplo do que aconteceu com a música digital (desconstruindo o mainstream das gravadoras).
Vale dar uma olhada com frequência, pois todos os dias eles atualizam a sua biblioteca virtual com livros e mais livros, sem preconceito de gênero, assunto, ou autor.
Ah, e eles também aceitam doações de livros, vê lá.
Mas, nada melhor do que deixar eles mesmos se apresentarem (não sem antes tomar a liberdade de dar um tapa no português de Portugal), certo?
“O Le Livros, criado e mantido por um grupo de estudantes residentes em Portugal, visa democratizar o acesso a leitura gratuita, e não tem portanto quaisquer fins lucrativos.
Este é um projeto fã do antigo site iOS Books.
Após o fechamento do mesmo e não aceitando que o acesso a livros digitais com qualidade tivesse chegado ao fim resolvemos criar o Le Livros.
O projeto começou em 27 de janeiro de 2013, ainda sem qualquer conhecimento de edição de livros ou gerenciamento de site.
Em 26 de fevereiro foi ao ar a primeira versão do Le Livros, que nas semanas seguintes foi recebendo novos títulos e ganhando usuários.
Em 26 de abril de 2013, exatamente dois meses após o lançamento, lançamos a nova versão do Le Livros que já permitia uma navegação por categorias de forma inteligente e rápida, além de permitir downloads com apenas um click.
Esperamos continuar crescendo mais e mais, podendo então atingir múltiplas áreas do conhecimento e permitindo a todo estudante ou amantes da leitura, livros gratuitos e com qualidade.
Propriedade intelectual é burrice, viva a revolução do conhecimento!”
O LEITOR DIGITAL
Com relação ao suporte de um leitor digital, cada um tem sua preferência.
Eu não tenho muita frescura, não.
No começo, com a ideia fixa de converter o meu livro de estreia em um livro digital eu saí baixando alguns programas no laptop do tipo Calibre (para leitura de ebooks) e Sigil (para edição), que até recomendo.
Mas logo entendi que ler no computador não me convenceria a aderir ao livro do “futuro”.
O importante, para mim, era absorver toda liberdade do novo formato, me dando autonomia para ler fora de casa.
Pensando nisso, eu não entrei nessa de ter mais um gadget somente para leitura de livros digitais, simplesmente por saber, antecipadamente, que isso não funcionaria comigo.
Desde o começo eu intuía que a concentração de todas as minhas atividades externas, inclusive a leitura, deveria se dar no celular.
Pois me adequei bem à leitura no celular com a ajuda de um aplicativo também sem frescuras: o Aldiko Book Reader da Adobe (que você pode baixar na sua versão preferida: IOS ou Android).
É interessante perceber como essa simples atitude (a de ler no celular) catapultou o meu índice de leitura à ionosfera.
Agora eu não tenho desculpas para não ler.
Me pego lendo no metrô, em filas de bancos, médicos e dentistas…
…enfim, em qualquer lugar em que eu esteja de bobeira.
O meu único limitador é a carga da bateria (pois uma vez baixado o livro você pode ler off line).
O processo de desapego não foi tão rápido assim com o eu faço parecer.
Imagina um homem de meia idade tendo como primeira opção livros digitais.
Eu obviamente resistia às vantagens óbvias do livro digital (capacidade de armazenamento, mobilidade, possibilidade de aumentar letras, contraste e cor de fundo) como (quase) todos da minha geração, com o discurso do tato, do olfato e da sensualidade do livro físco.
Mas acabei me entregando ao apresentar as vantagens do mundo não físico para minha mãe, algumas gerações anteriores a minha e portanto mais resistente ainda.
A lembrança do transporte de minha modesta biblioteca em inúmeras mudanças que fiz ao longo da vida (acho que eu estava em mudança durante o processo de aceitação do mundo virtual), acabou sendo o empurrão que faltava em favor do livro digital.
MINHA VIDA SEM BANHO
Esclarecimentos feitos, vamos ao livro de Bernardo Ajzenberg.
Depois que eu me decidi por este projeto (uma publicação sobre literatura) travei.
Confesso.
Eu, que estou acostumado a ler vários livros ao mesmo tempo, sem nenhum esforço, sentia calafrios com a ideia de escrever minhas impressões, aqui, (ao menos) uma vez por mês.
Para sair de meu bloqueio literário (por assim dizer) decidi começar com algo leve, pois minha proposta original nunca foi me deter em lucubrações sobre calhamaços clássicos ou acadêmicos (nada contra quem goste, aliás eu também os leio).
Pressionado por minhas próprias ambições, comecei a ler algo sobre a biografia da cantora Adele, passei para a beleza da simetria matemática e depois para os discursos que mudaram a história; mas nada me prendeu a ponto de me fazer chegar até o final.
E com a chegada do final do mês (e o aumento da pressão interna para escrever algo), eu precisava ler (ao menos) um livro integralmente, pois a gênese desta publicação é registrar minhas impressões sobre os livros lidos a partir de sua criação (e não mostrar como eu sou culto e erudito com o volume de títulos clássicos lidos por mim)
Até que o livro de Bernardo Ajzenberg me chamou atenção na estante virtual (olha o poder do título), quando eu estava perambulando lá pelo Le Livros.
Talvez meu interesse inconsciente pelo assunto seja porquê, como muitos fazem nestes período gelados eu também pulei alguns dias de banho, mas nada que comprometesse minha higiene pessoal.
O que eu não sabia era que existia todo um conceito sobre este assunto com o base na economia de água.
Quem sabe eu não poderia aprender técnicas e estratégias para ficar um período maior sem banho e economizar milhões de litros d’agua (já te falei que sou impressionável?)?
Resolvi ler este livro de uma só tacada.
De qualquer forma, como estou em um período bastante conturbado, o tema não me pareceu nada árido (e a quantidade de páginas também não é grande).
E isso era tudo o que eu precisava no momento, uma leitura nada densa (mas, nem por isso rasa) para desopilar meu órgão literário.
Comecei a ler o livro de Bernardo Ajzenberg sem grandes expectativas, sob o ponto de vista literário e sim por uma curiosidade (mórbida, será?) sobre o tema.
É, aparentemente, um relato interessante de um cara que trabalha numa ONG de preservação de água e que pira num projeto de ficar sem banho quando o seu boiler quebra.
Mas, aos poucos você percebe que na verdade é um mergulho em sua relação com seus pais e sua religião judia.
O dia a dia de sua trajetória no projeto Banho Zero é entrecortado também por cartas de uma suposta namorada que viajou a trabalho.
Senti falta de um viés mais claro entre as relações descritas por ele nos capítulos intercalados, mas talvez esse seja o grande mérito do livro: a liberdade do leitor ser coautor da história.
Não me pareceu que o autor tentou se resguardar, não revelando relações incestuosas com a mulher de seu pai, mas também não ficou claro que isso não aconteceu.
Esta lacuna, talvez, seja a grande cereja do bolo do livro, o sabonete que cai na hora do banho, a Capitu de Bernardo Ajzenberg.
Pode ser também que eu não tenha entendido lhufas do livro, pois a parada do banho mesmo, não passou de um bom título e eu tenha ficado puto.
Em tempo: resolvi padronizar uma pequena ficha técnica no final de cada resenha para iluminar os futuros leitores. Ah, e a coisa de dar notas é simbólica, viu? Com relação às estrelas, eu preferi ser tímido no início, fugindo da tentação dos extremos, guardando as melhores notas para os títulos renomados (será?). De qualquer forma, com o objetivo de iluminar futuros leitores do título em questão, cabe a você, também, dar sua nota, nos comentários, após a leitura (claro).
Ficha técnica:
Título: Minha Vida Sem Banho
Autor: Bernardo Ajzenberg
Publicação: 2014
Editora: Rocco Digital
Páginas: 147
Tipo de arquivo lido: epub
Avaliação desta publicação:


