Política Racial

Há muito se assumiu, no Brasil, um discurso, no que tange as questões raciais, de um país miscigenado, onde o povo é formado majoritariamente por uma mistura de diversas raças, onde diferentes credos convivem de forma pacífica e harmoniosa. No entanto, como comprovam uma série de acontecimentos, passados e recentes, como visto no jogo de ida das oitavas de final Copa do Brasil de 2014, entre Grêmio e Santos, na prática, o panorama nacional não é bem assim. Na ocasião, o goleiro da equipe paulista, o jogador Aranha, fora xingado de “macaco” e sua cor de pele, negra, fora usada como algo pejorativo, algo que o tornava menos digno.

Como nos disse Malcolm X, um dos líderes do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, ocorrido entre as décadas de 1960 e 1970, se olharmos o significado de “negro” no dicionário, muitas definições que nos remetem a coisas ruins serão encontradas: sujo, encardido, sombrio, lúgubre. Assim como a palavra, a raça negra é vista pela sociedade de forma ruim: o cabelo carapinha/crespo é “ruim”, o nariz largo é “feio”, as religiões de matriz africana são mal vistas, “o negro” não ocupa cargos de comando, “o negro” é maioria nos bairros mais violentos e periféricos, “o negro” ainda permanece longe das universidades. É preciso desconstruir este quadro. Como? Com políticas educacionais e culturais: as leis e políticas já existem; cabe a nós somente cobrar o cumprimento e execução delas! #Ocupeapolítica

É preciso que o Brasil assuma que não é um país de povo único, uma massa miscigenada. O país precisa olhar para si e ver que seu povo é formado por gente das mais diversas origens, de imigrantes italianos, a nordestinos; de japoneses, a índios; de negros, a árabes… Precisamos reconhecer que somos diferentes sim, precisamos respeitar nossas diferenças e convivermos desta forma – DIFERENTES – pacificamente, em um ambiente onde possamos ser, de fato, o que somos sem sermos inferiorizados (por vezes, abaixo da categoria de “humano”), e, iguais, num sentido que garanta que não nos descaracterizarão (pegando um pouco do espírito da máxima do sociólogo Boaventura Sousa Santos); nos garantindo plenas condições de nos desenvolvermos como pessoa, a partir de múltiplos referenciais de ideias, cultura e estética.

Este é o país que queremos e este é o Brasil pelo qual o Zé Gustavo e seus codeputados irão lutar. #Ocupeapolítica

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