O que ninguém te conta sobre ser um sujeito egocêntrico

É comum ter que lidar com uma certa surpresa das pessoas quando me conhecem mais profundamente. Por alguma razão desconhecida por mim, vez ou outra, deixo alguém sair com uma primeira impressão de que sou um sujeito exibido. No pior sentido da palavra.
Chegando perto, a maioria das pessoas mida de ideia e avalia-me de maneira positiva. O meu proposital jeito cômico de ver a vida beira o exagero do carisma empático. (Me deixa ser feliz, tá?). Voltemos ao problema.
Há alguns anos, eu ficava ofendido com a possibilidade da má impressão. Hoje, nem protesto mais. (isso é ser esnobe?).
Só uma pessoa irresponsável tem os seus próprios defeitos como hobby, mas reconheço que há alguns deles que, inevitavelmente, são os nossos de estimação. E comem ração importada. Das que custam caro demais.
A minha situação geralmente carrega uma sentença dupla: ou, sem querer, favoreço muito a aparência externa de um esnobe ou não sei disciplinar corretamente a minha arrogância natural como aquele filho mal-criado aos berros.
Não sei responder com precisão do que se trata. Fico pensando que essa coisa de ego é como uma passagem gratuita, mas para um destino desconhecido. Um check-in às cegas.
(Tá gostando do artigo? Aprenda agora como escrever textos engajadores)
Investigando a razão mais óbvia
Tudo isso acontece por uma razão muito clara: talvez a minha vida de escritor seja um recorrente ato de expor-me. Na arte de escrever, a jactância e o exibicionismo são vizinhos. Esta é a suspeita numero um.
Repito: Me importo menos com isso hoje. Há apenas uma situação que gostaria de colocar na cadeira da injustiça: Ofendo-me profundamente com a acusação de que sou mais garganta do que braço. Falo do que faço como quem não tem medo de gaguejar, mas identifico que nem sempre faço o que falo. É o pecado do autor.
O que seria do literato se não fosse suas vitrines bem decoradas? Teimo: Não existe escrita sem vaidade. Não há uma só vírgula sem pretensão. E digo mais. Só os completos imbecis tem medo de colocar-se diante de si e dos outros.
A esquizofrenia do autor
Uma parte da minha mente é obsessivamente um incômodo para mim. Ela tem uma ideia fixa – quase que uma reza – de me sussurrar corriqueiramente: “Você não acha que é feio dizer o tempo todo tudo que faz?”.
Quando já estou cabisbaixo, me achando o pior dos homens, escuto a outra metade da minha confusa mente vociferar aos gritos: “Você não está por toda errada, mas calar-se e encobrir o feitos por medo de ser julgado é desdenhar do dom de ser que Deus te fez.
Cada letra que me saí, seja da boca, da mente ou do papel, me dá aquele medo de ser erroneamente soberbo, essencialmente vaidoso e ridiculamente mesquinho.
O que ninguém te conta sobre ser taxado antecipadamente como egocêntrico é que embora vivamos em um mundo em que falar de si seja recomendado, para o escritor, está sempre foi a tarefa mais difícil e gostosa de fazer.
Escuto os dois lados da minha mente vaidosa discutirem aos gritos, mantenho a esperança de que um dia elas possam entrar em alguma acordo salutar.
Enquanto isso, sigo redigindo este texto como quem sabe que será sempre julgado por cometer o ato vil de dizer o que se pensa.
[Se você gostou do texto, dê 50 palminhas e me deixa saber disso]
Acompanhe mais conteúdo por aqui
Sobre o autor: Linkedin | Facebook | InstagramLeia de Murillo Leal em: Site | Rock ContentMATERIAIS:[Curso presencial de Storytelling e Produção de Conteúdo][LIVRO “MAIS DO QUE RELEVANTE,SEJA IMPORTANTE PARA SUA AUDIÊNCIA][INSCREVA-SE AQUI PARA RECEBER CONTEÚDOS SOBRE ESCRITA, STORYTELLING, CRIATIVIDADE]

