Desensinar IV: pensamento crítico e pensamento criativo

de vagares…

O pensamento crítico vem sendo discutido nos últimos 50 anos, com diversas definições por muitos especialistas em todo o mundo. Um corretor ortográfico me fez relacionar pensamento crítico com pensamento criativo.

Pensamento é o processo mental de organização de informações, nem sempre lógico, conclusivo ou objetivo. Pensamento criativo seria esse processo visando a criatividade, novas ideias e mudanças. Pensamento crítico é um processo de análise e definição de informações, organizadas para alguma aplicação prática. É uma sistematização da lógica interna (harmonia entre as partes) ao analisar uma questão em relação a seus objetivos.

Para efetivar mudanças ou materializar projetos seria bom saber usar o pensamento criativo de forma crítica. Um processo de pensamento pode ser mais planejado e estruturado, ou mais intuitivo e espontâneo. Há diferentes processos e métodos que podem contribuir nisso: imaginação (formação de imagens), brainstorming, planejamento e projeto, pensamento divergente, dentre outros. A definição de valores, mais do que orientar, transcende o processo de materialização de projetos. Portanto é bom pensar (refletir e planejar) o próprio processo de planejar e projetar para fazer algo.

Aqui tem umas discussões sobre pensamento crítico versus pensamento criativo: http://www.virtualsalt.com/crebook1.htm e http://www.umich.edu/~elements/5e/probsolv/strategy/crit-n-creat.htm. O que interessa é saber como o pensamento crítico pode orientar a criatividade na materialização de projetos.

Pensamento crítico serve para examinar estruturas e elementos tais como: propósitos, problemas, conceitos, experimentos, implicações, consequências, objeções, alternativas, abordagens, referências etc. Deve integrar variados temas e diferentes tipos de pensamento: científico, matemático, evolutivo, econômico, filosófico etc. Não é universal, depende de cada situação, é autorregulador, e é sujeito a falhas e erros.

Numa analogia com os processos de pensamento crítico criativo em design, arquitetura e urbanismo eu sempre me lembro da situação de uma orquestra, interpretando um arranjo bacana de alguma música clássica famosa. O mais importante na apreciação crítica nesse caso não é nenhuma metodologia científica, nem o conhecimento de música, instrumentos e harmonização. O que serve de quadro de análise, nesse caso, é apenas o arranjo geral, e a harmonia entre todas as partes. Apenas a noção de harmonia universal permite a quase qualquer leigo perceber o que é certo e o que é errado. Não é preciso ser um maestro para perceber imediatamente que no arranjo geral de uma orquestra de música clássica alguém pode estar tocando uma cornetinha de festa infantil de forma desafinada, destoando do resto.

E o resto eu não sei. Aliás, eu não estou é com paciência para explicar direito o começo, o meio e nem o fim dessa história, mas tudo isso já serve para mostrar que o pensamento crítico criativo é algo que sempre está disponível para todos, independente de aulas de música, metodologia e tudo mais. Não é preciso nem estudar lógica. Mas faz bem…