S02E05 — Jared

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Por um momento, achei que ele tinha fugido e que tudo estava perdido, mas eu estava enganado. Um verdadeiro comandante não abandona nenhum soldado.”Daronn! Você está bem?!” E o herdeiro me respondeu depois de um longo abraço em Sepulcro: “Estou tão vivo como vocês…” Edwyn gritou de um terraço distante, balançando uma tocha para chamar atenção: “Perzo foi capturado! Aguardem-me, estou indo o mais rápido que posso!” Porém, nosso líder deu pouca atenção à ele, pois a visão da batalha lá embaixo o atormentava. Percebi que ele traçava algum plano, então perguntei: “De que lado nós lutaremos?” Não sei se foi pela pergunta, ou pelo fato da apressar sua decisão, mas o herdeiro fechou o semblante e disse amargurado: “Você fez seu papel trazendo Sepulcro até aqui, agora deixe o comandante decidir…” Não soube o que responder diante daquilo e até preferia que ele realmente decidisse, tanto que o perguntei.

O Belvedere foi até a sacada, seguido por Sepulcro. E enquanto trocava rápidas palavras com o tal cavaleiro Lannister: Sor Tygget, fiquei pensando na melhor maneira de nos unirmos à Edwyn, além de observar e ouvir a batalha que ocorria. A avenida de carroças Astapori já parecia um rio escarlate de sangue e barro, pedaços de carne, membros humanos, corpos e cavalos mortos. Mesmo assim, os guardas e os Imaculados ainda lutavam bravamente contra os soldados carmesins de Sor Tygget, que pouco à pouco, iam diminuindo sem que pudéssemos acompanhar devido a posição na ponte de madeira. Eles estão perdendo a luta, preciso fazer algo. Uma tocha cintilou atrás de mim no terraço.

Nós vamos descer por aqui, venha Sacerdote!” Gritou Daronn após uma breve conversação com o Cavaleiro do Machado de Ouro, colocando seu corpo sob a marquise e preparando-se para saltar — E Edwyn? Esqueceu de seu tio? Não o indaguei, pois não houve tempo, ele já tinha tomado sua decisão. E enquanto nosso arqueiro manco arrumava-se para descer também, eu fechei meus olhos diante daquela tocha fixada na parede e orei: “Senhor da Luz! Afaste a derrota e a desgraça de teu servo! Encurte as distâncias para Edwyn, ajude-o a nos alcançar!” Quando abri os olhos, o fogo crepitava da mesma maneira que antes, sem qualquer alteração — Não pode ser. Esforcei-me mais: “Rh’llor!!! Mostre-nos sua força!!! Aniquile nossos inimigos!!!”

E desta vez, não precisei abrir os olhos para me certificar que funcionara. Uma boa pitada de ‘Pó de Fogaréu’ seguida de uma oração e as chamas subiram em pedaços flutuantes de brasas até alcançarem as folhas secas de um coqueiro que adentrava no terraço. Como aprendi em Selhorys. Procurei por Daronn ou Sepulcro no terraço, mas ambos já tinham despencado lá pra baixo. Edwyn por sua vez, descera rapidamente do topo daquele terraço e nem parara para me perguntar nada- Ele não estava ferido? Ou foges do fogo? O doce calor aumentou atrás de mim, estava na hora de voltar ao caos da batalha.

De escudo em punho, fui até a quina da sacada e em um segundo, avaliei minhas opções de queda. Pela esquerda, eu cairia entre Daronn e Sepulcro, talvez com algum dano e com certeza atrapalhando o combate que os dois davam aos guardas que tentavam cercá-los pera beira do rio. À direita, eu cairia na vanguarda deles, separado de Sor Tygget pela quina e de frente para três guardas e um Imaculado.

A altura não me assustava, mas o rio… Nunca próximo à Água, nunca próximo. Lembrei das palavras do Alto-Mestre Wexen sobre “Gelo e Fogo em Combate”.Seguindo meu aprendizado, só me restava a segunda opção. Confiante em meu mangual e escudo, saltei pra cima do guarda mais próximo que carregava uma sabre e um broquel. AHHHHHHH!!! Ao pisar no chão, o guarda estava moribundo e esmagado, pedaços de broquel e crânio voaram em partes iguais. Pecador! Trevir’Ry! A força de meu peso abatera-se contra mim e senti o impacto da queda sob minhas canelas e joelhos. Este guarda sentiu mais. “Homens! Peguem a carroça! Para o porto!” Sor Tygget ordenou em direção a ponte próxima. Dali em diante, tive de me defender.

Com a parede do casebre em minhas costas, levei o escudo a frente e os golpes vieram. Um, dois, então quando fui olhar, uma lança quase me atravessou. Chegou a acertar a cota, mas de raspão, pois esquivei-me. Imaculados. Um golpe em arco com o Mangual e outro guarda caíra diante de mim, gritando de dor por algum membro quebrado. O cavaleiro Lannister já se colocava ao meu lado também, derrubando o eunuco que tentara me acertar no flanco. O golpe de seu Machado de Ouro abrira o Imaculado no meio de sua cabeça, de modo que o único grito que ouvi fora o de Sor Tygget.

A fumaça desceu. “Whazarrr! Anok’Dhan Ultrof!” Guardas, ataquem este líder!Gritou um guarda de turbante. Reparando melhor vi sua armadura distinta. Um capitão. Ele dava combate ao Lannister enquanto gritava. “Junte os escudos!”Nosso líder gritou ao colar-se com sor Tygget. E de repente: “Dovagedhys!!!Izdrak ayt Ishandorn!!! Ayt Ishandorn!!!” Imaculados, impeçam aquela carroça!Aquela voz… Em meio a fumaça… Era Perzo! O filho de Balaquo comandando os Imaculados novamente. Todavia, os guardas que estavam em nossa frente, me espremendo contra a parede a cada golpe de suas sabres. Quando pensei ter a oportunidade de golpear e ampliei a visão para além do escudo, fui surpreendido por guardas arqueiros que mesmo de longe, miravam bem em mim. Graças ao Senhor da Luz, a fumaça tapou-lhes a visão. Então ataquei.

Ele aproveitou minha baixa para atacar-me, então trocamos golpes. Ele, canhoto, acertou meu flanco já golpeado pela lança do eunuco, mas não obteve tanto sucesso quanto eu. Outro broquel quebrado, outro braço esmagado. As bolas do mangual chegaram a cravar em sua pele e com certa força, arranquei de volta quando o alvo caiu. “Ganhar campo!” Gritou o herdeiro de Monte Tigre. O Lannister abdicou do comando e está ouvindo Daronn. Reparei.

Os guardas surgiam por entre a fumaça e isto podia até ‘surpreender’ sor Tygget ou sor Daronn a cada ataque. Mas eu via claramente ali, meus olhos não ardiam. A adrenalina dava-me concentração e nenhuma dor transparecia. Enxerguei o turbante em meio a batalha, próximo o suficiente para meu golpe. Não pensei duas vezes. Um golpe de arco muito parecido com o anterior… Mas ele não possuía um broquel, e sim um escudo cônico de cobre.

Não acertei-lhe no turbante. Ainda assim, o cobre cedeu ao peso e a força de meu Mangual, chegando até o punho do capitão. Deve ter torcido. Eu deveria dar um nome à minha arma. Refleti mesmo sabendo que era proibido de acordo com as leis de Selhorys. “Whazarr! Dhan Eishylai! Qhy Anoy!” O sacerdote! Acabem com ele! O comandante gritou enquanto recuperava-se. Eu não teria dado este tempo à ele, mas os Imaculados avançaram sobre mim. “Dovagedhis! Yzdrak At Kakanyan Mor!” Imaculados, ataquem os de Vermelho! — Isto deve me incluir para estes eunucos. O perfume de carne queimada veio até meu olfato, dando-me forças.

Entretanto, Defendê-los era complicado. Por duas vezes suas lanças escorregaram no escudo, e quase fincaram em meu peito. Eles me colocaram de volta ao canto onde cai em poucos segundos. Não ganhei campo como Daronn requisitou. Mas eles dois sim, sor Daronn — com uma espada — e sor Tygget — com seu Machado provaram-se uma dupla e tanto, derrubando e decepando os oponentes. Guardas e Imaculados caíram perante os dois. Sepulcro estava na retaguarda deles, pude ver além da fumaça.

Eu estava cercado, mas o turbante distinguia-se no meio dos capacetes. Quando a lança certa arranhou o escudo, girei o mangual num golpe lateral, e levei o capitão ao chão antes que pudesse ser atingido pelos eunucos. Ele caiu sob os corpos de seus homens. Só está vivo graças aos Imaculados. Esquivei de uma lança e a outra acertou-me no baço sem fincar, onde o punhal de Mortimer me ferira. Não senti dor e também não procurei sentir. Apenas quebrei a traiçoeira arma do Imaculado depois de prendê-la entre o braço e o escudo. O eunuco, esperto, soltou a arma para não sofreu o golpe.

Nisso, Edwyn apareceu no combate. Teria matado o capitão, se um guarda não tivesse jogado-se na frente para morrer em seu lugar. Aquela espada não corta apenas carne. Corta a fumaça ao mesmo tempo. Notei surpreso com tal poder. Mas havia muita fumaça e para mim, estava ótimo. Porém meus aliados começam a sofrer com a ardência. “Dovagedhis! Yzdrak mor!” Imaculados, ataquem! Perzo gritou em fúria. Eu podia vê-lo. Totalmente abalado, como se tivesse sido ressuscitado, mas com seu mórbido olhar vivo. A batalha na ponte já deve ter sido vencida, a julgar pelo guincho de dor dos cavalos.

Agora todos formávamos uma só barreira, três escudos grandes ladeados, três homens de estaturas diferentes unidos em uma só formação. O inimigo amontoava-se engasgado em nossa frente. Precisamos ganhar campo para chegar até Edwyn. Atrás de nós, o coqueiro queimava com fulgor. Avistei a face decrépita dos pecadores queimados nas chamas. E naquele exato instante também avistei, o fim de todo aquele derramamento de sangue. Rh’llor… Dê-me forças!

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