Representatividade importa.

É constante a declaração desse simples enunciado em manifestações políticas de minorias. Basta buscar no Google essa mesma frase para encontrar uma infinidade de histórias ocorridas nos mínimos minutos diários, envolvendo crianças ou grupos generalizados, de como é importante a representação de grupos sociais não representados pela mídia.

Um caso interessante e super comovente foi o do garoto Mathias que teve sua foto segurando ao brinquedo que havia ganhado de Natal — um boneco do personagem negro Finn de Star Wars — postada pela sua mãe nas redes sociais em 2016. A repercussão se deu com o ator John Boyega que interpreta o personagem repostando em seu instagram a foto com o seguinte comentário: “A time to be thankful. From what you hold in your hand to the potential in your mind, you are a king young man. X”

Está em tempo para ser agradecido. Do que você está segurando em suas mãos ao potencial de sua mente, você é um rei jovem”

A repercussão foi tamanha que muitos foram os noticiários sobre o garoto. A mãe explicou que o garoto escolheu o boneco do Finn por ser “pretinho igual a ele” e o comentário dela em uma entrevista para o portal UOL é o que chama mais atenção: “Representatividade construindo pontes. É isso! Matias viu o John Boyega. John Boyega viu o Matias. Que toda criança se veja representada”.

A força da imagem leva à resposta da pergunta:

Por que representatividade importa?

Indiscutível é a quantidade de pessoas brancas na mídia. Filmes, séries, novelas, romances etc. A pergunta a ser feita sobre essa questão é: O mundo realmente somente as possui? se a resposta for não, elas são a maioria? A partir disso percebe-se o problema de representação da realidade.

Como diria Beyoncé em seu discurso de agradecimento ao ser premiada no Grammy 2017 como “Best Urban Contemporary Album” com um Album enaltecendo a história negra norte-americana (perdendo para Adele em muitas das outras indicações):

“É importante mostrar imagens para minhas crianças que refletem as suas belezas para que, assim, elas possa crescer em um mundo onde elas se olhem no espelho e vejam elas mesmas e não tenham dúvida de que são bonitas, inteligentes e capazes”

Representatividade LGBTQ

A partir da discussão sobre a importância de representatividade, a atriz Chandelly Braz que interpreta uma personagem lésbica no seriado “ Edifício Paraíso” da GNT expõe a urgência da representatividade desse grupo social nos meios televisivos:

“Ainda são pontuais casais LGBT na televisão, na TV aberta mais ainda (…). Representatividade importa e muito. A televisão tem um papel fundamental no combate à LGBTfobia, e consequentemente na naturalização das relações homoafetivas. Isso se faz tendo representatividade não só na teledramaturgia, mas em outros setores da televisão também, por que não? É irreal termos uma população LGBT enorme no Brasil e ligarmos a TV e só vermos casais héteros”.

A naturalização desse amor é questão fundamental para aceitação de casais homoafetivos em meio social aberto, principalmente em lugares de lazer de acesso ao público generalizado, principalmente família tradicionais e conservadoras.

A discussão da questão LGBTQ torna-se mais forte no mês de junho e, esse ano, parece que o debate alcançou outros patamares. A mudança de logomarcas e layouts de plataformas da internet para as cores da bandeira gay, assim como a disponibilização de produtos desse formato por grandes empresas (sem discutir o caráter de vendas, que é outra história da mesma forma importante de ser problematizado) deu visibilidade aos LGBTQ’s.

O Medium inclusive com essa logo nesse momento de escrita só dá orgulho.

Outra questão importante é entender a influência religiosa existente no cenário político atual, principalmente o brasileiro. Este foi o tema principal da Parada de Orgulho LGBT em São Paulo no último domingo. Com a naturalização do romance e do relacionamento homossexual, será um movimento social que parte da sociedade para a mudança e criação de leis que protegem e garantem direitos de casais e famílias com estrutura diferente do tradicional heterossexual.

Cartaz promocional do evento anexado na Faculdade de Letras — UFMG

Aproveitando o mês de discussões, uma atitude política importantíssima de de grau de responsabilidade igualmente notável é a curadoria de filmes em cartaz no mês de Junho no cine Humberto Mauro em Belo Horizonte. Mantendo a temática da mostra “Corpo Político: História Permanente do Cinema”, sessões especiais dedicadas ao mundo LGBTQ e suas questões de gênero e identidade foram trazidas pelo cinema.

Todas as sessões acontecem às quintas-feiras, no Cine Humberto Mauro. Como na maioria das outras sessões, a entrada é gratuita e a distribuição de ingressos meia hora antes de cada exibição.

Ainda dá tempo de, no dia 22/06, às 17h assistir ao filme “Fazendo Amor” de Arthur Hiller (Making Love, EUA, 1982). A sessão será comentada por Jacson Dias, coordenador executivo do UNA-SE CONTRA A LGBTfobia, conselheiro LGBT pela Sociedade Civil de Contagem e integrante do coletivo cinefronteira.

Cena do filme “Making love”

E também, no dia 29/06, também às 17h, estará em cartaz “Vítor ou Vitória?” de Blake Edwards (Victor/Victoria, EUA-ING, 1982) e a sessão será comentada por Juliana Antunes, diretora e pesquisadora de cinema.

Cartaz de divulgação do filme.

Além das sessões comentadas, muitos outros filmes (um total de 33 sessões) foram programadas para o mês. Confira a programação completa aqui.

Cartaz promocional do evento anexado na Faculdade de Letras — UFMG
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