Metalinguagem no Medium e o retorno do Textão

PS: a palavra “Medium” vai aparecer em uma quantidade considerável de vezes nesse texto embora eu a tenha substituído em um tantão de outras vezes.

PS2: Foi mal.


No meu primeiro contato com o Medium eu não sabia que estava diante dessa nova promessa de transformar a forma como as pessoas produzem conteúdo e se relacionam em torno disso. Foi em um texto do youPIX falando dos youtubers mirins e eu só tinha duas coisas em mente enquanto lia:

1) Esses guris ficando ricos e eu aqui dando milho aos pombos.
2) Como o site do youPIX tá com um visual bacana.

Nem me passou pela cabeça de procurar saber a razão de ter tido esse segundo pensamento. Foi apenas alguns poucos dias depois, em outro texto do youPIX chegado a mim através do Twitter (dessa vez falando especificamente do Medium e explicando o motivo deles terem migrado pra lá), que eu vim conhecer de fato e entender a ferramenta que estava prestes a me fazer passar o resto do dia lendo textos e mais textos.

Pesquisei tudo sobre a nova rede social e descobri que ela não é tão nova assim. Existe na gringa desde 2012 e só chegou nas bandas de cá no final de 2014 (com um site traduzido para o português e uma equipe trabalhando aqui). Antes eram poucos os brasileiros que se atreviam a publicar ideias, visto que a comunidade estava dominada por usuários americanos e recheada de textos em inglês.

Continuei pesquisando e percebi uma coisa interessante. A maioria dos textos, sobre o Medium, para os quais eu era direcionado estavam publicados no próprio Medium.

Era o Medium falando do Medium. Metalinguagem pura.

Li texto atrás de texto buscando entender o motivo de a rede social ter se tornado expectativa de salvação de conteúdo na internet (falo principalmente do contexto brasileiro, no qual estou inserido). As pessoas estavam/estão empolgadíssimas com o novo brinquedo e não param de falar dele.

Refleti um bom tempo, na medida em que devorava o máximo de conteúdo e informação que eu podia, e cheguei a uma conclusão: a proposta era realmente fantástica. Fazer com que as pessoas se concentrem na qualidade, e não mais na quantidade, era divino.

O próprio nome da plataforma nos remete à palavra que vem do latim e diz respeito ao meio, muito usada nos estudos da área de Comunicação. Media, mídia, meio de comunicação, whatever. O Medium está realmente servindo para um propósito que é diretamente ilustrado no seu nome: ser um meio.

Mas outra característica que me deixou bastante intrigado foi o seu layout, como o design foi construído para facilitar que a mensagem seja bem recebida através desse meio. Isso me lembra uma velha frase de um dos mais célebres teóricos da comunicação, e que também foi citada no texto publicado pelo youPIX:


“o meio é a mensagem”

(Marshall McLuhan)

O espaço na rede social é desenvolvido de forma que essa frase faz mais sentido que nunca. O próprio Médium por si só transmite uma mensagem autônoma e estabelece uma dinâmica diferente entre o leitor e o conteúdo oferecido. E foi isso que me fez prestar mais atenção naquele primeiro texto que li sem saber onde estava. Mas de uma coisa eu sabia: estava em um ambiente excelente para comunicar, por natureza.

Desde que abandonei um blog de Cinema (ah.. bons tempos de Cinemafia) e um projeto de caderno pessoal em forma de blog que não saiu do canto, que eu não tinha mais gosto para pensar em algo pra jogar na internet. Um lugarzinho legal pra discutir e trocar ideias.

Sempre gostei de escrever e de ler os mais variados textos publicados na internet, e tinha um apreço diferente por aqueles mais bem construídos, com uma argumentação mais pensada. Que não fosse apenas uma informaçãozinha que podia ser encontrada em qualquer lugar da web.

O hipercompartilhamento de informações na maior parte das redes sociais faz desaparecer qualquer espécie de conteúdo que possa ser interessante pra você e muitas coisas bacanas ficam soterradas no deserto da midiatização. Além do que os blogs já perderam a força há um bom tempo e só se fala no poder do Youtube e na falta de necessidade de ler textões quando se pode assistir vídeos. Mais prático né? Mais preguiçoso também, eu diria.

Nada contra a cultura dos vídeos (eu adoro e sou consumidor voraz). O que me incomoda é substituir uma linguagem por outra quando elas podem ser complementares.

Fora que o tal do “textão” virou piada interna na internet. As pessoas quando se deparam com mais de três parágrafos já ficam entediadas. Elas querem ter o miolo da informação fácil e acessível, ali bem na frente delas, para ser consumido em poucos segundos e continuar a navegação gulosa. Mal sabem que muitas das vezes não estão passando nem da casca.

Bom, em uma coisa eu acredito: tem assunto que só pode ser dissecado em um bom e bem discorrido texto. Ele não precisa ser textão (aí vai do entendimento de cada um o que vem a ser um textão), basta dizer aquilo que motivou a sua concepção. E se para isso ele precise ter uma, duas, até dez páginas, que seja.

Uma forma de expressão não elimina a outra. Temos aí Twitter, Youtube, Facebook e tantos outros, cada um com sua particularidade. E agora o Medium trazendo de volta os textões numa plataforma mais propícia e adequada pra isso.

Fala sério gente, muito fofinha essa foto.

Foi isso que me fez brilhar os olhos. Fazia tempo que tinha ideias e não encontrava um espaço legal para publicar. E nos últimos meses algo me incomodava para escrever, ou fazer vídeo, produzir algum tipo de conteúdo, só não sabia ao certo o quê e aonde. Parece que agora eu descobri o melhor ambiente.

Não sei qual o futuro disso aqui. Os usuários que vão ditar a apropriação que eles querem fazer da ferramenta. Podem surgir as mais variadas formas de uso, algumas até que transformem a linda e pacata comunidade do Medium num verdadeiro alvoroço informacional facebookiano. Não sabemos. Mas que ele parte de uma premissa genial para trazer uma experiência bem tentadora, isso já dá pra afirmar.

O que nos resta é esperar. Esperar, claro, aproveitando tudo de bom e de novo que a plataforma nos permite explorar. Eu estou um pouco enferrujado no esquema de textos pra internet, faz tempo que não faço algum e o Medium proporcionou que eu voltasse a ter vontade e disposição para isso. Tentarei pegar o jeito novamente e criar alguma coisa pensada pra esse lugar que não tenho pretensões de largar (enquanto ele for lindão assim).

Pronto, já escrevi minha cota sobre o Medium. Já sou da turminha.