A Nebulosa de Orionte no Infravermelho pelo Telescópio Herschel

Na direcção da constelação de Orionte, a uma distância entre os 1000 e 1500 anos-luz, existe uma concentração anormal de grandes nuvens de gás e de poeira interestelar. Estas nuvens são tão frias que, na superfície dos grãos de poeira, se formam hidrogénio molecular, monóxido de carbono, água, entre outras moléculas mais complexas, percursoras mesmo dos aminoácidos fundamentais à vida como a conhecemos. A molécula mais abundante é de longe a do hidrogénio molecular, a principal matéria prima para fazer novas estrelas. Estas maternidades estelares podem conter milhares, até mesmo alguns milhões, de massas solares, e estendem-se ao longo de dezenas ou centenas de anos-luz. Se estiverem suficientemente próximas podem cobrir uma área no céu que ocupa constelações inteiras, como acontece com Orionte.

A Nebulosa de Orionte fotografada na luz emitida pelos átomos de hidrogénio, no visível. Foto pelo autor.

Em alguns pontos da constelação estas nuvens escuras e frias tornam-se repentinamente visíveis sob a forma de belas nebulosas. A Nebulosa de Orionte, certamente a mais famosa, não é mais do que um pequeno beliscão numa imensa nuvem molecular. Aqui, a radiação ultravioleta proveniente de estrelas jovens e maciças recém-nascidas provoca a fluorescência do gás interestelar e forma enormes bolhas de plasma, designadas por “esferas de Strömgren”. Vistas por um telescópio, ou em fotografias, estas nebulosas são de grande beleza estética, enaltecida pelo facto de estarmos a testemunhar o nascimento de novas estrelas.

Para perscrutar o interior das nuvens moleculares, através do espesso manto de poeira interestelar que impede a radiação visível das estrelas recém-nascidas de chegar até nós, os astrónomos têm de recorrer a observações noutras regiões do espectro electromagnético como os infravermelhos, ondas submilimétricas e ondas de rádio. A espectacular imagem que se segue mostra a Nebulosa de Orionte e a região circundante e foi obtida no infravermelho com o telescópio espacial Herschel, da ESA. As cores são falsas, sintetizadas a partir de observações em 3 comprimentos de onda por diferentes instrumentos do telescópio: 100 micrometros (azul), 160 micrometros (verde) e 250 micrometros (vermelho).

A Nebulosa de Orionte e a região circundante observada no infravermelho pelo telescópio Herschel. Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech.

Para além dos contornos familiares da Nebulosa de Orionte, aqui com um aspecto fantasmagórico, é possível observar a extensão da nuvem molecular da qual ela é apenas uma pequena porção visível. Em particular, pode constatar-se a existência de uma espécie de “coluna vertebral” que começa acima da nebulosa, passa por detrás dela e avança em direcção ao canto inferior esquerdo da imagem. Esta formação está adornada por inúmeros pontos luminosos, estrelas recém formadas ainda dentro dos seus casulos de poeira inter-estelar. A poeira absorve a radiação intensa das estrelas e re-emite-a copiosamente no infravermelho, denunciando desta forma as suas posições.

(Fonte: NASA)

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