Maior Câmara do Mundo Descobre 9 Galáxias Anãs Satélites da Via Láctea

Uma equipa de astrónomos da Universidade de Cambridge identificou 9 novas galáxias anãs, satélites da Via Láctea. As novas galáxias foram descobertas no céu austral, junto às Nuvens de Magalhães, elas próprias satélites da Via Láctea e facilmente visíveis a olho nú. Os astrónomos identificaram as anãs em imagens obtidas durante o primeiro ano de funcionamento da maior câmara CCD do mundo, construída pelo consórcio do projecto Dark Energy Survey. A câmara, com 570 mega-píxeis, foi construída no Fermilab, nos Estados Unidos, e instalada no Cerro Tololo Inter-American Observatory, no Chile. O projecto tem como objectivo o estudo da evolução do Universo desde há 8 mil milhões de anos para tentar compreender a natureza da energia negra, uma componente invisível do nosso Universo, descoberta apenas em 1998, e que constitui cerca de 68% de toda a energia nele contido.

A localização de 6 das 9 galáxias anãs descobertas na proximidade das Nuvens de Magalhães, estas últimas facilmente visíveis na imagem. Em primeiro plano vêem-se 3 telescópios do Observatório de Cerro Paranal, no Chile. Crédito: V. Belokurov, S. Koposov (IoA, Cambridge) e Y. Beletsky (Carnegie Observatories).

As galáxias agora descobertas são verdadeiras anãs. As mais pequenas contêm apenas 5 mil estrelas — a Via Láctea tem cerca de 300 mil milhões de estrelas! — , e são mil milhões de vezes menos luminosas, e 1 milhão de vezes menos maciças, do que a nossa galáxia. A mais próxima destas anãs está situada a 97 mil anos-luz, na direcção da constelação do Retículo (Reticulum) e parece estar em vias de ser destruída pelas forças de maré da Via Láctea. A mais distante das anãs, e também mais luminosa, situa-se na constelação do Erídano a cerca de 1.2 milhões de anos-luz. Esta galáxia está no limite da região dominada gravitacionalmente pela Via Láctea. Esta galáxia aparenta ter um enxame globular — a mais pequena e débil galáxia conhecida que tem um destes enxames.

Apesar da existência de centenas destas pequenas galáxias em torno da Via Láctea ser prevista pelos modelos cosmológicos dominantes, a equipa ficou surpreendida com a descoberta de 9 exemplares numa região do céu tão pequena, junto às Nuvens de Magalhães. É bem possível que esta descoberta seja apenas a “ponta do iceberg” e que muitas outras minúsculas satélites da Via Láctea esperam ser descobertas nas imagens produzidas pela super câmara do projecto.

A câmara do projecto Dark Energy Survey em construção no Fermilab. Cada uma das peças rectangulares azuis claras, por detrás da janela óptica, é um chip CCD. No total, os 74 CCDs perfazem 570 mega-píxeis. Na imagem, apenas parte dos CCDs estavam montados. Crédito: Fermilab.
A câmara com todos os CCDs montados. Crédito: Fermilab.
A câmara montada no foco primário do telescópio Victor M. Blanco, de 4 metros, do Cerro Tololo Inter-American Observatory, no Chile. Crédito: Dark Energy Survey Collaboration.

(Fonte: Universidade de Cambridge)

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