Sobrevoando Plutão

Neste espaço darei conta dos acontecimentos relacionados com o flyby de Plutão e das suas luas pela sonda New Horizons. O artigo será actualizado de cada vez que haja desenvolvimentos que o justifiquem.


— 24 de Julho de 2015 —

Terminou há instantes uma conferência de imprensa da NASA em que foram apresentados novos resultados da missão New Horizons. Relembro que a sonda armazenou os dados recolhidos durante o flyby num dos seus discos solid state de 8 Gbytes — o outro é usado como backup. Devido a factores como a distância, a energia disponibilizada pelos RTG (Radioisotope Thermoelectric Generator) e a partilha da Deep Space Network com outras sondas, a transmissão destes dados só estará completa no final de 2016, a um ritmo de aproximadamente 1 Kbyte/s. Mas voltando às novidades, aqui vai um resumo do que foi apresentado.

Imagens de alta resolução de Plutão

Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

Esta é agora a melhor imagem de Plutão, com o dobro da resolução da anterior melhor imagem, com cerca de 2.2 km/píxel. A imagem mostra uma enorme diversidade de terrenos no planeta anão, e.g., crateras, fracturas, planícies e montanhas. A cor é a que veríamos se observássemos Plutão com os nossos olhos.

Atmosfera em Caronte?

A figura seguinte mostra o resultado da ocultação do Sol por Caronte observada pelo instrumento Alice. A queda abrupta do fluxo de luz (linha vermelha) quando a sonda atravessa o bordo do disco de Caronte (a tracejado) indica a ausência de atmosfera ou na melhor das hipóteses uma atmosfera extremamente ténue, muito mais do que a de Plutão.

Compare-se a figura acima com a seguinte que mostra a mesma experiência mas agora com Plutão. Ainda longe do bordo do disco, o fluxo de luz (linha vermelha) desce gradualmente até atingir o zero, indicando a presença de uma atmosfera distendida.

A atmosfera de Plutão

A sonda obteve a primeira imagem da atmosfera de Plutão quando fotografou o lado nocturno do planeta. A atmosfera é visível em contra-luz, como um anel luminoso e difuso que envolve o disco escuro de Plutão. A ocultação de Plutão com ondas de rádio permitiu ainda medir a pressão atmosférica na superfície e é muito inferior à prevista, apenas 10 microbars (na Terra a pressão superficial é de aproximadamente 1 bar, 100 mil vezes maior). Observações realizadas nos últimos anos, combinadas com estes dados, parecem implicar que, nos últimos 2 anos, a massa da atmosfera de Plutão diminuiu rapidamente para metade. Os modelos sugerem que a atmosfera deverá estar a congelar e a cair na superfície à medida que Plutão se afasta do Sol, após o periélio em 1989. No entanto, os cientistas não percebem o porquê da aceleração deste processo nos últimos 2 anos.

Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

A imagem mostra também estrutura na atmosfera inferior, indícios de “tempo”. São visíveis duas, talvez mais, camadas de neblina, formadas provavelmente por hidrocarbonetos, 5 vezes mais distantes da superfície do que seria esperado.

Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

Glaciares?

Na imagem seguinte podem observar-se fluxos de gelo (setas) no bordo de Sputnik Planum que parecem contornar as estruturas poligonais e correr para o bordo da região, em contacto com uma região mais acidentada. O gelo será provavelmente de nitrogénio. No centro de Sputnik Planum os polígonos estão parcialmente cobertos por outro tipo de gelo, talvez de monóxido de carbono.

Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

Estas estruturas parecem análogas aos glaciares na Terra.

http://w3.salemstate.edu/~lhanson/gls210/images_glac/glac_MALISPINA.jpg

Planícies e montanhas

Esta imagem mostra a região sudoeste de Tombaugh Regio e mostra, em simultâneo, parte de Sputnik Planum e as duas cadeias montanhosas descobertas pela New Horizons, Norgay e Hillary Montes (Tenzing Norgay e Edmund Hillary foram os primeiros homens a atingir no cume do monte Everest, em 1953).

Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

A mosaico de 7 imagens da New Horizons que se segue foi criado pelo guru da imagem planetária, Damian Peach, e mostra as regiões ilustradas acima que circundam a enorme planície de Sputnik Planum.

Para finalizar, esta imagem espantosa de Plutão foi obtida combinando 4 imagens de alta resolução obtidas pela câmara LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) com imagens de menor resolução obtidas pela câmara/espectrómetro Ralph em vários comprimentos de onda. As cores assim obtidas são falsas, ou seja, não são as que os nossos olhos veriam, mas ajudam os cientistas da missão a estudar diferenças na estrutura e composição da superfície. Em Tombaugh Regio, por exemplo, a grande região clara que cobre grande parte da metade inferior do disco, com a forma aproximada de um coração, apresenta diferenças de composição entre os lobos direito e esquerdo. A região central, de cor creme é, aparentemente, rica em gelo de monóxido de carbono. As regiões mais à direita e mais abaixo, ambas com uma cor azulada, são mais ricas noutro tipo de gelo ainda não identificado. O gelo no lobo direito parece ter origem no lobo esquerdo, tendo sido transportado por algum mecanismo, possivelmente por ventos.

Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

— 22 de Julho de 2015 —

Foto de família: Plutão, Caronte, Nix e Hidra. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI e Emily Lakdawala.

Esta composição foi preparada por Emily Lakdawala, da Planetary Society, com base em imagens de Plutão, Caronte, Nix e Hidra, obtidas pela New Horizons no passado dia 14 de Julho. Os quatro corpos celestes estão representados à escala, proporcionando uma rara perspectiva do sistema.

— 21 de Julho de 2015 —

Hoje foram conhecidas mais imagens das luas Nix e Hidra, as maiores das quatro luas menores de Plutão, descobertas em 2005 pelo Telescópio Espacial Hubble. Imagens prévias da New Horizons mostraram que Nix e Hidra têm tamanhos idênticos, mas as novas imagens mostram que a semelhança termina por aqui.

Nix (esquerda) e Hidra (direita). Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

A nova imagem de Nix, foi obtida no dia 14 de Julho, numa altura em que a sonda distava 165 mil quilómetros da lua. A resolução é de 3 km/píxel. A imagem de Nix revela a sua forma irregular, algo semelhante a um comprimido, e permite estimar com mais precisão as suas dimensões em 42 por 36 quilómetros. Os instrumentos da New Horizons puderam determinar que a cor da lua é, em geral, cinza. No entanto, uma região extensa visível na imagem, processada para fazer sobressair as diferenças de coloração, tem uma tonalidade avermelhada. A região parece estar centrada numa estrutura circular que poderá ser uma cratera de impacto. A câmara/espectrómetro Ralph obteve dados que deverão clarificar se esta diferença de tonalidade é real e se tem origem em diferenças na composição da superfície. Estes dados, no entanto, só serão enviados para a Terra nos próximos meses.

Entretanto, a melhor imagem de Hidra até à data, com uma resolução de 1.2 km/píxel, foi também recebida. Obtida pela câmara LORRI também no dia 14 de Julho, quando a sonda estava a cerca de 231 mil quilómetros da lua, a imagem mostra claramente a forma irregular da lua e permite estimar as suas dimensões em 55 por 40 quilómetros. A lua aparenta ter duas grandes crateras, uma delas quase totalmente imersa na escuridão. A parte superior da lua, na imagem, é claramente mais escura do que a parte inferior o que indicia diferenças na composição superficial.

A New Horizons obteve também imagens das duas luas mais pequenas, Estige e Cérbero, mas estas só serão transmitidas para a Terra em meados de Outubro.

Uma nova cadeia de montanhas a limite de Sputnik Planum. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

Entretanto, a sonda enviou mais uma imagem de alta resolução da superfície de Plutão que permitiu a descoberta de uma nova cadeia de montanhas para oeste das planícies de Sputnik Planum e 110 quilómetros para noroeste de Norgay Montes, no bordo sul de Tombaugh Regio. As montanhas têm uma altitude estimada em 1–1.5 quilómetros, inferior às de Norgay Montes, e situam-se junto ao bordo com uma região escura rica em crateras de impacto. A imagem foi obtida no dia 14 de Julho a uma distância de 77 mil quilómetros de Plutão, correspondendo a uma resolução superior a 1 km/píxel.

(Fonte: NASA, NASA)

— 19 de Julho de 2015 —

Numa conferência de imprensa que teve lugar na 6ª feira, dia 17 de Julho, às 18 horas em Portugal, os responsáveis pela missão New Horizons deram novas informações sobre Plutão e as suas luas com base em novos dados recebidos da sonda. Esta informação está guardada no computador de bordo e será transmitida aos poucos, ao longo de muitos meses, para a Terra.

A geologia de Tombaugh Regio. O cientistas receberam uma nova imagem, parte de um mosaico, da região informalmente designada por Tombaugh Regio. Os dados disponíveis apontam claramente para que esta seja uma região geologicamente muito jovem, com menos de 100 milhões de anos, a tenra idade sendo implicada pela ausência de crateras de impacto. A nova imagem surpreendeu a equipa e sugere que a região possa ser geologicamente activa na actualidade. A imagem foi obtida pela LORRI no dia 14 de Julho a uma distância de 77 mil quilómetros de Plutão e a resolução é melhor do que 1 km/píxel. A imagem apresenta artefactos devidos à compressão; a versão original, sem compressão “lossy” está ainda a bordo da sonda e será transmitida nos próximos meses.

A localização de Sputnik Planum e de Norgay Montes em Tombaugh Regio. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

Para norte das montanhas visíveis em imagens anteriores, agora designadas por Norgay Montes (“As Montanhas de Norgay”), situadas no bordo de Tombaugh Regio, situam-se grandes planícies geladas. Informalmente designadas por Sputnik Planum (“As Planícies de Sputnik”), estas planícies apresentam uma morfologia espectacular; o terreno encontra-se dividido em segmentos poligonais de elevado albedo com uma dimensão média de 20 quilómetros, em cujos bordos parecem ver-se canais estreitos, em alguns locais com depósitos de um material escuro, noutros, com picos de elevações que parecem parcialmente submersas. Numa região anexa, existem grandes extensões cobertas de pequenas depressões que os cientistas atribuem à sublimação de bolsas de gelos mais voláteis quando expostos na superfície.

Formações geológicas em Sputnik Planum. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

Os cientistas não sabem ainda explicar a formação dos segmentos poligonais em Tombaugh Regio. As estruturas podem dever-se à contracção de material na superfície, como acontece por exemplo, à lama no leito de um rio seco. Uma outra possibilidade sugere que os polígonos se formaram devido à ascenção de gelos de camadas mais profundas à superfície através de convecção, devido ao tímido calor emanado pelo interior de Plutão, algo semelhante ao que acontece na superfície do Sol e que dá origem à granulação. No caso de Plutão, os gelos em causa seriam de nitrogénio, monóxido de carbono e metano. A equipa identificou também locais com bandas de material escuro alinhadas numa mesma direcção e que podem ter sido formadas por ventos ao nível da superfície.

Observações com a câmara/espectrómetro Ralph permitiram detectar grande quantidade de gelo de monóxido de carbono (região verde) em Tombaugh Regio. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

Curiosamente, dados preliminares recolhidos pela câmara/espectrómetro Ralph identificaram Tombaugh Regio como uma região muito rica em gelo de monóxido de carbono facto que poderá estar relacionado com a aparente juventude e actividade geológica desta região.

A extensão da atmosfera plutoniana detectada pelo Alice. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

A atmosfera de Plutão. Os responsáveis pelo instrumento Alice, um espectrómetro para a banda dos ultravioletas, e dos instrumentos SWAP e PEPSSI, reportaram também resultados preliminares relativos à atmosfera de Plutão e à sua interacção com o vento solar. Observando o Sol desaparecer por detrás de Plutão, o Alice obteve espectros que mostram que a atmosfera do planeta anão se extende até cerca de 1600 quilómetros acima da superfície — a altitude máxima observada até à data com base em ocultações de estrelas a partir da Terra era de apenas 270 quilómetros. A atmosfera de Plutão é extremamente rarefeita pois resulta da sublimação lenta de gelos, principalmente nitrogénio, da superfície; a sua grande extensão deve-se à fraca gravidade de Plutão que permite às moléculas de gás que a compõem escaparem facilmente para o espaço.

A cauda de iões de nitrogénio de Plutão (azul). Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

De facto, o SWAP e o PEPSSI detectaram uma frente de choque resultante do embate das partículas do vento solar, e.g., electrões, protões, núcleos de hélio, com as moléculas da atmosfera. O vento solar ioniza as moléculas das espécies químicas presentes e arrasta-as para longe do planeta, formando uma cauda de gás ionizado com dezenas de milhares de quilómetros que se extende para lá de Plutão, na direcção oposta ao Sol. Neste sentido, Plutão assemelha-se bastante a um cometa!

A Primeira imagem de Nix. A equipa revelou a primeira imagem de Nix com o disco resolvido, mostrando que provavelmente não tem uma forma esférica e que tem cerca de 40 quilómetros ao longo do seu eixo maior. A imagem foi obtida no dia 13 de Julho a uma distância de 580 mil quilómetros. Alan Stern, o investigador principal da missão, revelou que durante este fim-de-semana a equipa deverá receber uma imagem com melhor resolução da lua.

Primeira imagem de Nix. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

A superfície de Caronte. Entretanto, a equipa disponibilizou também uma nova imagem de Caronte, obtida pela LORRI às 13:30m (hora de Portugal Continental) no dia 14 de Julho de 2015, apenas 1 hora e meia antes da maior aproximação a Plutão e a uma distância de 79 mil quilómetros. No canto superior esquerdo da imagem é visível uma formação curiosa — uma depressão com um enorme pico no centro. São visíveis também inúmeras crateras e fracturas extensas. A dimensão vertical da imagem corresponde a cerca de 390 quilómetros.

Detalhe da superfície de Caronte. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI.

— 15 de Julho de 2015 —

Os responsáveis pela missão New Horizons estão a dar neste momento uma conferência de imprensa em que apresentam os primeiros dados enviados pela sonda após o silêncio rádio de 22 horas durante a fase crítica, de maior aproximação, do flyby de Plutão.

Esta era a reacção da equipa, hoje, durante o dia, enquanto visionava as imagens incluídas no primeiro “pacote” de dados enviados pela sonda.

Podem portanto imaginar o que se segue. As imagens recebidas da sonda são verdadeiramente espectaculares! Irei substituir as imagens seguintes por versões de ,

Hidra é irregular, 43 por 33 km, e tem uma superfície de grande reflectividade, com um albedo de 0.45. Isto implica que a superfície deve estar coberta por uma camada de gelo de água, muito reflector. Novas imagens, com 2 ou 3 vezes melhor resolução, deverão ser recebidas nos próximos dias.

Hidra. Crédito: NASA-JHUAPL-SwRI.

Caronte revelou-se absolutamente surpreendente! Várias crateras, fracturas com 1000 km de extensão, penhascos, canhões no bordo do disco com 7–9 km de profundidade. Na região polar, a mancha escura (informalmente designada por Mordor) é provavelmente formada por um depósito fino superficial. Todos os sinais apontam para uma actividade geológica frequente e notável.

Caronte. Crédito: NASA-JHUAPL-SwRI.

A equipa designou “O Coração” informalmente por Tombaugh Regio, em homenagem a Clyde Tombaugh, descobridor de Plutão. Imagens de alta resolução de uma das extremidades desta região mostram montanhas de gelo de água com 2–3 km de altura e menos de 100 milhões de anos! Em Plutão o gelo de água comporta-se como a rocha na Terra; os gelos de nitrogénio e metano só formam uma camada superficial. Não há crateras nesta região o que implica actividade geológica! Plutão é um corpo isolado com evidência de actividade geológica, mesmo ao fim de 4.5 mil milhões de anos, o primeiro exemplo! Esta actividade é visível em luas dos planetas gigantes mas pensava-se que seria resultado das poderosas forças de maré exercidas pelos planetas, Plutão prova que essas forças não são condição necessária. Observações da atmosfera mostram que Plutão perde constantemente nitrogénio para o espaço através da ténue atmosfera. A existência de gelo de nitrogénio na superfície implica que tem de haver um mecanismo de renovação, talvez crio-vulcões.

A localização das montanhas observadas em Plutão. Crédito: Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI e Astronomy.
Montanhas em Plutão. Crédito: NASA-JHUAPL-SwRI.

O flyby de Plutão pela sonda New Horizons foi um sucesso!

A primeira telemetria da sonda New Horizons pós-flyby foi recebida pela antena da Deep Space Network da NASA situada nas proximidades de Madrid, às 01h53m (em Portugal Continental), terminando um silêncio arrepiante de 22 horas durante as quais a sonda executou minuciosamente uma sequência crítica de observações.

A fase crítica do flyby de Plutão, no dia 14 de Julho de 2015. Crédito: Nature.

No momento em que escrevo a sonda está já a enviar para a Terra o primeiro bloco de dados recolhidos e que inclui:

  • 3 imagens stereo de Plutão com resolução de 0.4 km/píxel;
  • 1 imagem de Caronte com 2.3 km/píxel;
  • 1 imagem de Hidra com 3.2 km/píxel;
  • 1 imagem de Nix com 2.9 km/píxel;
  • Relativamente a Plutão: observações da ocultação do Sol, medições da temperatura do lado nocturno, espectros do airglow, dados sobre a interacção entre o vento solar e a atmosfera e sobre o ritmo de escape da atmosfera.

Algumas destas imagens poderão ser publicadas durante o dia de hoje (15 de Julho), o mais tardar numa conferência de imprensa marcada para as 20h.

Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.

Entretanto, a sonda transmitiu para a Terra observações de Plutão e Caronte realizadas no dia 13 com a câmara Ralph que fotografa com um conjunto de vários filtros que cobrem diferentes bandas do espectro visível e infravermelho. Estas imagens, com cores falsas, são cruciais pois permitem identificar as espécies químicas presentes na superfície.

A imagem de Plutão revela uma grande variedade na composição superficial (muitas cores diferentes) e uma surpresa — a região denominada por “O Coração” apesar de ter um aspecto contínuo nas imagens da LORRI, é formada por duas regiões muito distintas em termos de composição; uma delas é bem visível na imagem com a forma de um gelado de cone e cor creme. A região polar é também interessante pois contém estrias de um material assinalado na cor falsa amarelo-esverdeado.

A superfície de Caronte tem uma mancha castanha escura na região polar, coincidente com uma estrutura semelhante visível nas imagens da LORRI. Esta mancha é atribuída a hidrocarbonetos complexos designados por tolinas. O aspecto sarapintado de Caronte mostra que existe, também aqui, uma grande diversidade de terrenos e diferenças de composição.

(Fonte: NASA)

— 14 de Julho de 2015 —

Hoje é o “Dia D” para a New Horizons, mas ainda vão passar várias horas antes de começarem a chegar novas imagens. Entretanto, a equipa disponibilizou esta imagem fabulosa, obtida às 21h (hora de Portugal Continental) do dia 13 de Julho de 2015, quando a sonda distava de Plutão apenas 768 mil quilómetros, aproximadamente duas vezes a distância da Terra à Lua; a sonda estava a apenas 16 horas do seu ponto de maior aproximação a Plutão, às 12h 49m 57s do dia 14. Na versão a colorida, as cores foram adicionadas com base em imagens em várias bandas do espectro visível e do infravermelho, obtidas algumas horas antes com a câmara Ralph.

Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.
Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.

(Fonte: NASA)

— 13 de Julho de 2015 —

Plutão fotografado pela LORRI no dia 12 de Julho de 2015, a uma distância de 2.5 milhões de quilómetros. Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.
Caronte fotografada pela LORRI no dia 12 de Julho de 2015, a uma distância de 2.5 milhões de quilómetros. Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI..
Plutão e Caronte a cores. A imagem de alta resolução foi obtida pela LORRI no dia 11 de Julho de 2015. A cor foi adicionada usando imagens mais antigas obtidas pela câmara Ralph/MVIC em várias bandas do espectro visível e do infravermelho. Novas observações da Ralph/MVIC serão em breve enviadas pela sonda e permitirão uma representação da cor mais fidedigna. Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.
Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.

Esta imagem de Plutão, obtida pela LORRI no dia 11 de Julho de 2015, mostra o hemisfério de Plutão virado para Caronte lentamente a rodar (da esquerda para a direita) para fora do campo de visão. No bordo esquerdo vê-se já a região clara conhecida por “O Coração”. Entretanto, uma análise das imagens enviadas nos últimos dias permitiu já identificar potenciais crateras de impacto e penhascos.

Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.

Caronte aparece agora também com detalhe suficiente para permitir a detecção de estruturas geológicas na superfície, como um desfiladeiro provavelmente mais profundo e extenso do que o Grand Canyon, nos Estados Unidos, e pelo menos duas crateras de impacto, uma delas com raios de material projectado pelo impacto bem visíveis. Esta cratera tem um diâmetro aproximado de 95 quilómetros.

Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.

Outro pormenor intrigante é a enorme mancha escura na região polar de Caronte que se extende por 300 quilómetros e cuja origem permanece incógnita. Amanhã, a New Horizons irá obter imagens de alta resolução e espectroscopia desta região que poderão esclarecer os cientistas sobre a sua natureza.

Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.

Entretanto, as imagens da LORRI permitiram já estimar com muita precisão os diâmetros de Plutão e Caronte em 2370 e 1208 quilómetros, respectivamente. Esta nova estimativa revê em baixa a densidade de Plutão, o que implica que o seu interior é mais rico em gelo e menos rico em rocha do que se supunha. A sua troposfera, a camada da sua atmosfera ultra-rarefeita onde ocorre o “tempo” — vento, nuvens, etc. — é também mais fina do que se esperava.

A LORRI observou também Nix e Hidra que aparecem já como objectos distendidos nas imagens. Este facto permitiu também estimar os seus tamanhos em 35 e 45 quilómetros, respectivamente. Com este tamanho, e portanto área superficial, as luas têm de ter uma superfície coberta por um material muito reflector, algum tipo de gelo, para o seu brilho poder ser explicado.

Os outros instrumentos da New Horizons têm estado também bastante ocupados. Um deles começou a detectar nitrogénio ionizado proveniente da ténue atmosfera de Plutão 5 dias antes da maior aproximação ao planeta anão; os cientistas estão surpreendidos pois esperavam detectar o nitrogénio apenas 1 ou 2 dias antes da maior aproximação. Um outro instrumento obteve espectros da região polar; os dados mostram que a superfície nesta região é constituída por gelos de metano e nitrogénio, confirmando definitivamente a existência de uma calota polar.

(Fonte: NASA, NASA)

— 12 de Julho de 2015 —

A última e mais detalhada das imagens do hemisfério de Plutão permanentemente virado para Caronte. Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.

Esta imagem, obtida pela câmara LORRI na manhã do dia 11 de Julho de 2015, a cerca de 4 milhões de quilómetros de Plutão, mostra o hemisfério que está permanentemente virado para Caronte. De facto, devido ao movimento orbital de Plutão e Caronte e à trajectória da sonda New Horizons, esta será a última imagem que vamos ter deste hemisfério durante o flyby.

A imagem mostra com um detalhe sem precedentes um reticulado de estruturas poligonais na superfície nas latitudes intermédias de Plutão. As manchas escuras no bordo do disco situam-se ao longo do equador e estão a intrigar os cientistas da missão, nomeadamente pelo seu espaçamento regular e grande dimensão — cerca de 480 quilómetros. Os cientistas não sabem ainda se as diferenças de brilho superficial nestas regiões têm também correspondência com o relevo local ou se as diferenças se devem apenas a diferenças na composição superficial.

A equipa aguarda ansiosamente a recepção de observações deste hemisfério entretanto realizadas com o instrumento Ralph em várias bandas do espectro visível e infravermelho. Estes dados, combinados com as imagens da LORRI, permitirão obter imagens a cores e ter uma ideia mais clara da composição superficial deste hemisfério e da sua geologia.

Na manhã do próximo dia 14 de Julho, a New Horizons passará a apenas 12500 quilómetros da superfície de Plutão, observando o outro hemisfério, caracterizado por uma enorme mancha escura apelidada de “A Baleia” e uma enorme região brilhante afectuosamente conhecida por “O Coração”.

— 10 de Julho de 2015 —

Esta imagem de Plutão foi obtida no dia 9 de Julho de 2015 pela LORRI, quando a sonda New Horizons distava de Plutão 5.4 milhões de quilómetros. Trata-se da primeira imagem com detalhe suficiente para permitir a identificação de estruturas geológicas na superfície. A resolução é de 27 quilómetros por píxel.

Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.
Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.

Alan Stern, o investigador principal da New Horizons, descreve assim os primeiros sinais de geologia na superfície de Plutão: “Entre as possíveis estruturas geológicas que foi possível identificar [nas novas imagens] contam-se regiões com contornos poligonais, uma banda com cerca de 1500 quilómetros de extensão formada por terrenos com uma estrutura complexa, e a região onde os terrenos mais claros se encontram com a região escura designada por “A Baleia””.

A reacção da equipa aquando da recepção das novas imagens, na manhã do dia 10 de Julho, mostra bem o entusiasmo vivido por estes dias no centro de controlo da missão, no Applied Physics Lab da Johns Hopkins University.

Crédito: Michael Soluri.

(Fonte: NASA)

— 9 de Julho de 2015 —

Começo por deixar-vos esta belíssima imagem de Plutão e Caronte que se tornará certamente, como muitas outras que hão-de vir, num ícone destes tempos de exploração espacial.

A sonda New Horizons encontrava-se a 6 milhões de km de Plutão e Caronte quando a câmara LORRI obteve esta imagem, ou melhor a sua versão a preto e branco, no dia 8 de Julho de 2015. A cor foi adicionada com base em imagens obtidas anteriormente por uma outra câmara, a Ralph/MVIC (Multispectral Visible Imaging Camera). Crédito: NASA/JHUAPL/SWRI.

(Fonte: NASA)

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