Catchwalk x Caminhaço

Você deve ter visto as fotos daquela jurada do MasterChef praticando catch no Leblon, não viu?

I

Desde que comecei a praticar, perdi dois quilos. E economizei muito dinheiro! Mas você vai ver, o catchwalk não é só um exercício, é como um estilo de vida. O movimento começou em Nova Iorque um pouco para combater o sedentarismo dos americanos, mas também para criar um jeito novo de se relacionar com a cidade, entende? Mais slow, mais limpo.

Tudo é baseado na ideia de que os pequenos e médios deslocamentos do dia a dia podem ser feitos a pé. Quer dizer, percorre a mesma distância até o mercado, farmácia, banco, mas de uma maneira verde. Evita uber, carro, ônibus. Alguns executivos americanos tiveram um clique, que chamam de “duplo ganho”: não precisa gastar para correr na esteira da academia e ainda poupa o investimento do transporte até os locais. Sem falar de todo o conceito de interação com a cidade…

Eu, por exemplo, fiquei tão fascinado que entrei nesse movimento Walk Lovers e participo como voluntário aqui na ação Vá a Pé. Vale a pena doar um pouco do meu tempo para conscientizar as pessoas de uma grande cidade como São Paulo, conversando, conhecendo gente e distribuindo estes broches. Vários estabelecimentos já aderiram à campanha de descontos para quem usa o broche do Walk Lovers, sabia? Tem a lista no panfleto, olha aqui.

Você deve ter visto as fotos daquela jurada do Masterchef praticando catch no Leblon, não viu? É ótimo que esteja se difundindo! O legal é que como pode ser praticado por qualquer um, não precisa de muita coisa. Os tênis desenvolvidos para a prática pela Nike estão super acessíveis. E várias marcas já têm linhas incríveis de peças esportivas que simulam camisas comuns. São roupas certas para exercício, mas sem aquela cara de academia.

Em breve, o Google vai deixar disponível um aplicativo que ajuda muito a criar os percursos e divulgar nas redes sociais em tempo real. Nos Estados Unidos, já dá para baixar até a modalidade compartilhada do app. É muito bom para localizar usuários que possam te acompanhar em trechos do trajeto. Assim você interage com pessoas desconhecidas no percurso, mas com segurança. Os perfis mostram notas atribuídas por companheiros anteriores, não tem risco.

Acho que é só isso! O catchwalk está se espalhando justamente por ser um jeito bem prático de poupar tempo, viver mais saudavelmente, fazer networking. Segue a página no Facebook e acompanha as dicas e eventos por lá: CatchWalk Brasil. Não é impressionante como a gente complica tanto, mas o dia a dia pode ser tão simples?

II

Para mim, é um ato político. Às segundas, quartas e sextas, só vou a lugares em que posso chegar andando pelas ruas. Quer dizer, pelas calçadas. Isso quando elas existem, né? Por isso, numa cidade como São Paulo, vejo caminhar como resistência. Além de ser uma experiência humana que precisamos resgatar.

A gente está perdendo uma das principais identidades urbanas, a figura do flaneur, aquele tipo social dos textos do Baudelaire. O cara que leva a fundo a experiência de “flanar” pela metrópole, prestando atenção nos detalhes do cotidiano, anotando as observações… Hoje só saio de casa com o moleskine. Tem toda uma cultura a ser recuperada, percebe?

É a sua primeira vez aqui no Caminhaço? O astral é maravilhoso. Desde que a gente do coletivo As Ruas São Para Andar criou esse ato lúdico, a cada edição aumenta o número de participantes, de cartazes. Aliás, pode segurar este aqui, “Somos todxs pedestres”.

Não tem nada a ver com aquele pessoal que usa broches e aplicativos no Leblon. Queremos cons-ci-en-ti-zar. Mostrar como é bacana se reconectar com o espaço urbano. E com a ancestralidade! Caminhar é um dos atos mais primitivos e primordiais. Muitos filósofos orientais mostram como a falta na era moderna tem afetado nosso desempenho e até o autoconhecimento de cada cidadão.

Quando eu ando, abro um fluxo de vazio, dedico este momento para mim, medito. Depois te mostro alguns exercícios de respiração para serem feitos andando. Percebo que tenho corrigido a postura e a ansiedade, isso complementando o hábito com acupuntura e ioga.

Ah, é importante carregar umas coisinhas, pois o ato de flanar não pode ser atrelado ao consumismo inconsciente. Além de um caderno, gosto muito de levar estes biscoitos orgânicos, prova um. São veganos! Somos contra o uso de tecidos industriais, o mais indicado para uma experiência realmente fluida é o algodão indiano. Vou compartilhar com você nossa playlist de mantras. Também trocamos algumas atividades de observação do cotidiano muito inspiradoras.

Impressionante como a sociedade complica tanto as coisas, se elas podem ser tão simples, né? Se estamos caminhando para a distopia, por que não diminuir o passo e realmente andar? Vou te incluir no grupo de Whatsapp do Caminhaço. A gente se vê. ‘Caminante, no hay camino’!