A Lava Jato e as tarefas da esquerda

O primeiro a ser dito é que a Operação Lava Jato não vai passar o Brasil a limpo, como muitos iludidos pensam. Não se passa nenhum país a limpo com operações dirigidas por policiais, promotores e juízes parciais, que representam instituições de um Estado que existe para preservar privilégios. O que realmente passa países a limpo são as revoluções sociais, massivas, democráticas, conduzidas pelo ideal de uma sociedade sem exploração e opressão.

Afirmar o óbvio é o que cabe à esquerda quanto à Lava-Jato: que se investigue tudo, que sejam levados a julgamento todos os envolvidos e punidos os realmente culpados. Isso dificilmente acontecerá, se considerarmos o inegável comprometimento partidário do juiz Sérgio Moro, do Procurador Dallagnol, e dos delegados diretamente vinculados à Operação Lava-Jato. Está claro que agem para proteger os tucanos e o PMDB ligado a Temer. No Supremo Tribunal Federal (STF), agora com o tucanato fortalecido com a presença de Alexandre de Moraes e contando com a onipotência presença de Gilmar Mendes, além da pusilanimidade da maioria dos demais membros, são grandes as chances de limitarem ao PT e ao PP as principais condenações. Aliás, quanto a esses dois partidos, a homofonia das siglas tem sido de inestimável utilidade à cruzada da grande mídia para liquidar Lula e seu partido. Grande parte da população atribui à corrupção a fonte dos problemas nacionais. Deduz-se daí — conforme recente pesquisa da Fundação Perseu Abramo — que o Estado e os governos são os vilões e que os políticos são todos iguais.

A intenção do bombardeio ideológico da mídia é preservar a imagem do grande empresariado e, desse modo, evitar a abordagem quanto ao principal problema do país que é a desigualdade social. É tarefa da esquerda mostrar ao povo que a corrupção é imanente ao capitalismo. Ela pode ser reduzida, mas não extinta, enquanto vivermos em uma sociedade cujos valores são medidos em cifras, não em comportamentos. Especificamente quanto à Lava Jato, não cabe posições extremistas: nem fé cega, nem faca amolada.

Clayton Avelar é professor de história e Presidente do Sindicado dos Servidores da Assistência Social e Cultural do Distrito Federal — SINDISASC/DF