Sundance em Gramado

Uma das novidades este ano em Gramado é a parceria com o Sundance Film Festival, que é um bastião do cinema independente. Para marcar essa parceria, o Festival de Cinema de Gramado recebeu a atriz australiana Rachel Griffiths. Conversei com ela antes da sessão comentada do filme “Mammal”, produção irlandesa de que é protagonista.

Foto: Edison Vara/Pressphoto

Elegante, alegre e disposta, Rachel Griffiths vestia uma leve camisa branca que destoava do frio serrano e da tarde chuvosa daquela segunda-feira — mais parecia pronta para encarar um entardecer à beira de alguma praia da Austrália.

Em “Mammal” Rachel vive Margaret, uma mulher atormentada por ondas de luto e desejo. Uma personagem um tanto diferente de outras mulheres fortes e determinadas que a atriz já interpretou.

“Rebecca Daly é uma diretora jovem. Seu primeiro filme foi exibido em Cannes. Ela é uma autora intensa com uma visão única de mundo.” Rachel avisa que esse não é um filme “fácil”, mas que conduz o público numa viagem intensa e bem diferente.

Em alguma ocasião te arrependeste de ter recusado ou escolhido algum projeto? “É uma boa pergunta… Disse sim e me arrependi talvez duas vezes e nas duas ocasiões outras pessoas me aconselharam a aceitar. Não segui minha intuição e a intuição era que eu não era melhor pessoa para interpretar aqueles personagens.”

Rachel Griffiths foi indicada ao Oscar por “Hilary & Jackie” e recebeu um Globo de Ouro, além outros reconhecimentos de público e crítica. Em época de Kikito em Gramado, quero saber qual o impacto de um prêmio na carreira do artista.

“É perigoso pensar muito num prêmio; no final das contas você tem que se entregar ao trabalho e colaborar com a equipe. É engraçado… quando atletas falam em medalhas por exemplo, claro que querem o ouro, mas se empenham em atingir o melhor de si. Se você pensar somente no prêmio perde o rumo da sua jornada pessoal, desequilibra a motivação. Claro, é maravilhoso ser premiada, mas é perigoso pensar muito nisso.”

“Não estamos numa corrida. Nosso trabalho é interpretar seres humanos. Às vezes nosso melhor trabalho é ignorado e somos indicados por papeis que não são tão bons…”

Já ouviste a teoria de que a Austrália combina o que há de melhor no Brasil com o que há de melhor nos Estados Unidos? “Não! Mas adoro essa teoria. Sabemos como fazer uma boa festa, jogamos um belo vôlei de praia… Mas acho que nosso churrasco não é tão bom quanto o de vocês.”

Te importas de ser lembrada por uma atuação mais antiga ou preferes ser reconhecida por um papel recente? “Sim. Para ser honesta, meu papel mais recente é ser mãe de três crianças. E sou reconhecida por minha família. Para mim é o melhor papel que posso desempenhar agora.”

O cinegrafista Marcos Hoffman, Rachel e eu