Por que ocupamos: um manifesto

Estamos vivendo, historicamente, a maior onda de ocupações estudantis do país. Já são mais de mil ocupações secundaristas Brasil afora e diversas universidades e institutos federais também ocupados; todos contra os ataques do governo Temer. Sabemos que a depender do Congresso, do Senado, do STF e do governo, o conjunto dos ataques que vão precarizar as condições de vida da população será implementado. A resistência é urgente. Mas se não ganharmos a unidade das trabalhadoras e trabalhadores, para a nossa luta, dificilmente conseguiremos avançar contra a retirada de direitos. Por isso escrevemos esse manifesto.

Uma das pontas de lança dos ataques é a PEC 241 (atual 55). Se aprovada, os investimentos em áreas sociais, como educação e saúde, serão congelados pelos próximos 20 anos. A saúde e a educação públicas, já sucateadas hoje em dia, vão piorar. O governo Temer quer descarregar a crise nas costas de quem mais necessita, ao invés de retirar dos privilégios dos políticos e da dívida pública, que serve para enriquecer os grandes bancos. Nesse sentido essa luta contra a PEC é de todas e todos as/os trabalhadoras/es do país. Por isso essa é uma das pautas principais de nossa ocupação.

Lutamos também contra a Medida Provisória do Ensino Médio. Para além de ter sido proposta de maneira totalmente antidemocrática, pela via de uma MP, ela visa precarizar o conteúdo do ensino nas escolas, particularmente em áreas fundamentais para a formação estudantil, como história, filosofia e sociologia. Se levada a frente, a MP aprofunda uma lógica voltada para o mercado e para a formação de mão de obra semiqualificada, em detrimento do desenvolvimento da criticidade.

O projeto “Escola Sem Partido” possui o objetivo de combater o pensamento crítico e plural dentro das escolas, além de impor um senso comum no ensino público e privado. Medidas como essa atacam a autonomia das professoras e dos professores, prevista em Constituição, e criam um clima de vigilância e repressão que remetem à época da ditadura civil-militar, em que a liberdade de expressão era duramente cerceada. Lutamos contra esse projeto, também conhecido como Lei da Mordaça.

As trabalhadoras e os trabalhadores da UFRGS, de empresas terceirizadas, para além de receberem péssimos salários e conviverem diariamente com assédios morais, vem sofrendo com o parcelamento dos vale-refeição e o frequente atraso no pagamento dos salários. Nos colocamos integralmente ao lado dessas/es trabalhadoras/es, cuja maioria da limpeza é composta por mulheres. Prestamos solidariedade a todas as suas demandas.

Fazemos esse manifesto para dialogar com demais estudantes, servidoras/es e professoras/es da universidade, bem como com o conjunto das trabalhadoras e dos trabalhadores do país. Ressaltamos que todas as pautas serão tratadas com a mesma atenção, sem hierarquização das mesmas.

Convidamos todas e todos para se unir nessa luta tão necessária e urgente. Fazemos coro com a voz de milhares de jovens e trabalhadoras/es que saíram às ruas pelo Fora Temer e em defesa da educação pública de qualidade.

MANIFESTO DA OCUPAÇÃO DO IFCH - UFRGS

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