A saudade como objeto de loucura

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eu vi teus olhos e eles não eram os mesmo de antes; eu soube que tinhas se perdido em algum momento, eu soube que a sua superfície possuía a mesma beleza, talvez até muito mais do que antes, porém não o mesmo brilho e a mesma esperança. o que ainda me deixou confortável, foi sentar ao teu lado e dividir partes minhas contigo, enquanto partes de ti eram derramadas em mim e em algum momento eu te vi lá no fundo, eu te vi como aquele que conheci há tantos anos. senti uma felicidade dentro de mim.

por alguns segundos eu tive um desejo infinito de te confortar, de te pegar no colo e te fazer descansar ali em meu peito. eu queria mesmo te tirar daquele lugar, eu queria mesmo te salvar do que se quer existe. na verdade, eu estava querendo te salvar de ti. logo eu. logo eu que não me arrisco, logo eu que não costumo sair de onde me é tão confortável, logo eu que sou viciado em sentir medo, mas que me limito a sentir medo dentro do meu lugar seguro. logo eu, que simplesmente abdico das minhas escolhas e espero conseguir salvar os outros de si, quando não posso salvar a mim dos meus próprios fantasmas.

mas como sempre, foi bom te ver. foi bom repousar minha cabeça em teu ombro, foi bom sentir a tua pele na minha. foi bom ver o teu sorriso receptivo, a tua voz aveludada. foi bom tocar nos teus cabelos e saber que mesmo no meio desse turbilhão você está bem e, por um momento, isso me fez querer chorar. eu queria ter chorado sem me preocupar com nada. queria, por saber que você não sairia de perto de mim sem que eu estivesse calmo e tranquilo. queria por saber que o teu abraço confortável iria me deixar quente e firme. eu tinha esquecido desse sentimento de confiança, desse sentimento de casa limpa, banho tomado e comida boa na mesa. e você me trouxe isso de volta. familiaridade.

agora, por aqui, a confusão continua e eu sei que as coisas estão uma loucura por aí também. mas que bom que nos vimos, que bom que tomei de volta esse sentimento. que bom que a tua camisa continua sempre no fundo da minha mochila pra me aquecer em momento difíceis. que bom te ter, meu velho e bom amigo. e eu espero que tenha te levado algum conforto também. os tempos são os mais duros possíveis e eu pareço não estar cumprindo meu papel como deveria, no entanto, saber que ainda tenho esse sentimento guardado em algum lugar no mundo me trouxe esperança de que talvez um dia eu venha a caminhar de uma melhor forma.

eu espero que continues bem. eu espero que não esqueças que a ti, amo.
e nunca te esqueces, amigo, eu vou estar sempre aqui para o que precisares.

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