A hipersensibilidade da sociedade.

Vivemos num tempo em que até a frase “Tu não é daqui, né?” já foi considerada ofensiva.


Antes de qualquer processo, reclamação, elogio, comentário, vamos deixar claro uma coisa: nenhuma informação contida nesse texto foi por pesquisa minha. Tudo que tem aqui é mérito do The Atlantic. Se quiser ver uma versão mais séria, completa e até muito melhor que a minha, clica aqui (já adianto que a matéria é gigantesca) — e caso algum gringo pense em fazer alguma coisa: NOT MINE MATERY JUST MY WRITE. PLEASE DO NOT PROCESS ME.

A única coisa genuinamente minha nesse texto é o ~MOJO~


Nossa geração tem um pensamento patológico e socialmente hipocondríaco.

“Nossa, Martin. Já começa o texto com várias paradas interessantes e termos curiosos”.

Sim. Mas isso quer dizer uma coisa bem simples: a gente pensa procurando coisa errada. A gente procura doença onde não tem.

Um caso extremo desse pensamento patológico é o Hump Day. Esse dia foi criado pros alunos da University of St. Thomas, em Minnesota, fazerem carinho em camelos. Mas esse dia (que pra mim seria o dia mais afudê do ano letivo) acabou cancelado. E qualquer pessoa com bom senso perguntaria “MAS PQ Ñ DEIXARAM A GALERA CURTIR COM OS CAMELINHOS?”

O Hump Day foi cancelado depois de uma página no Facebook dizer que o dia era a favor da crueldade animal, xenófobo (com as pessoas do oriente médio) e um desperdício absurdo de dinheiro.

E essas são as +ou- conhecidas microagressões. E a nossa geração faz hipérboles dessas microagressões. Transformamos coisas pequenas em ABSURDOS.

Mas o Hump Day é só um dos exemplos. Em 2014, alunos de direito de Harvard (não é gente pouca merda - é gente teoricamente esclarecida) pediram pra professores não falarem o termo “estupro” por ser agressivo demais.

Acha pouco? Alunos que sofreram alguma espécie de ofensa racista foram liberados de trabalhos com o filme “12 Anos de Escravidão”.

Tá ruim? Alunas pediram pra sair de uma aula que passava “The Great Gatsby” por ser misógino.

Um dos pilares mais básicos da psicologia é:
NÃO BLINDE AS PESSOAS DOS SEUS PROBLEMAS.

O que fode toda lógica desses pedidos, né.

O porquê dessa frescurada é bem difícil de explicar. Mas existem tentativas. A grande maioria dos psicólogos acha que essa hipersensibilidade está relacionada a superproteção de pais e escolas.

O que isso quer dizer exatamente:
nós estamos perdendo a capacidade de discussão.

Quanto às escolas, é aquele velho papinho de bullying que todo mundo já sabe.

“Na minha época, chamar de gordo era normal.”

E isso é verdade. 10 anos atrás, toda turma tinha alguém com o apelido de Gordo, Tetinha, Quibe, etc. Ou até Negão, Neguinho, Vera Verão, Renteria, Tinga, e mais uma vez: etc.

E como eu falei, os pais também tem uma parcela de culpa nessa incapacidade de discutir. Andar de bicicleta na rua, cair, se machucar… Quanto mais protegidos, menos visões de mundo temos e mais fanáticos ficamos.

Aqui temos uma criança simulando um adulto para fazer uma piada com infantilidade.

O que comprova isso são as divergências políticas de hoje em dia. Pesquisas feitas por um grupo de cientistas políticos mostram que, 20 anos atrás, os desprazeres de diretitistas e esquerdistas eram muito mais parecidos do que hoje. Atualmente, tudo é preto no branco. E isso aqui ainda pode ser considerado racismo (HÁ COMÉDIA PRA UMA DESCONTRAÍDA).

Ou seja, crescemos com nossos pais de esquerda. Eles nos contam alguns argumentos. E com a superproteção deles, nunca vemos outros argumentos. Aí quando chegamos na vida adulta, e alguém nos diz que é de direita, queremos enfiar a cabeça da pessoa no vaso e puxar a descarga.

E tudo isso nos leva para o grand finale das frases de efeito:

As discussões e debates hoje são pautados pelo racionalismo sentimental.

“Eu sinto, então é verdade”.

Quando isso aconteceu, fudeu tudo. Uma pessoa se ofender, não transforma uma frase em ofensiva. Nós transformamos emoção em razão quando dizemos que “me ofendeu” é argumento suficiente pra derrubar um apresentador de TV, ou expulsar um aluno, ou qualquer outra coisa assim.

Tem uma frase de Thomas Jefferson (terceiro presidente dos EUA e fundador da Universidade da Virgínia, segundo o Wikipedia) que se aplica pra esses casos todos.

Ela vai mais ou menos assim:

“This institution will be based on the illimitable freedom of the human mind. For here we are not afraid to follow truth wherever it may lead, nor to tolerate any error so long as reason is left free to combat it.”

Ou uma tradução livre:

“Essa parada aqui vai ser pra galera que quer falar o que pensa. Vamos seguir a verdade sem se apegar em onde ela vai nos levar e a galera que não quiser, que se foda.”

Gostou? Concorda? Odeia? Discorda? Me fala.

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Matéria original aqui.