É possível ter uma tomada de decisão rápida em times distribuídos?

Tomada de decisões em times distribuídos ainda é um assunto que gera receio na hora de aplicar o trabalho remoto em muitas empresas, mas por quê? Será que o fluxo de comunicação é realmente diferente ou é apenas uma questão de colocar a experiência remota em primeiro lugar?

Permitir que uma equipe remota evolua e tome decisões com segurança e agilidade não precisa ser nada complexo. O processo pode ser parecido ao que acontece em uma empresa que atua presencialmente. Talvez a maior diferença esteja em perceber que você não vai poder cutucar e desconcentrar o seu colega para saber o status de um projeto. Mas, calma aí, isso não é legal de ser feito, independente do time ser distribuído ou não.

Lembra do conceito de remote first? Pode ser aplicado em todos os lugares, até mesmo dentro do escritório. :)

Acredito que existem dois passos que são essenciais de serem seguidos quando falamos de tomada de decisões em um time distribuído. O primeiro ponto é ter uma equipe proativa onde todas as pessoas tenham condições de criar a sua autonomia e, mais importante, que elas não tenham medo do erro (até porque ele vai poder ser corrigido rapidamente).

Depois, o segundo ponto diz respeito à construção de processos. Se a equipe criar processos diários ou semanais para a revisão do progresso do trabalho, a chance de uma decisão errada impactar o projeto é bem menor. Porque, se for necessário ajustar a rota, isso vai poder ser feito no tempo certo.


Cultura de aprendizado para tomada de decisões

Aliás, agora a gente passa a falar de outro assunto que está bem relacionado com o nosso papo aqui: cultura de aprendizado constante no trabalho remoto. Ter abertura e se sentir confiante o suficiente para compartilhar com o líder de um projeto o que está ou não funcionando é muito valioso. Assim, podemos acompanhar os resultados reais do projeto e evoluir para o futuro.

O livro Startup Enxuta, do Eric Ries, fala como empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas bem sucedidas. Nesse livro, o autor traz o conceito de “visão leva à direção” e apresenta um ciclo de feedback e aprendizado que pode ser utilizado da mesma forma para times distribuídos.

Essa imagem é um resumo do ciclo e adaptada para a realidade do trabalho remoto feita pelo time do Officeless.

Na versão original, o autor fala sobre aprendizagem validada como forma de medir o progresso do projeto. No trabalho remoto, isso se reflete dando mais flexibilidade para que cada membro do time possa estar livre para testar um experimento ou tomar alguma decisão, pois cada um sabe que qualquer erro vai ser rapidamente visto, medido e corrigido pelos próprios processos que o time combinou.

Ou seja, pode ser que, em um primeiro momento, aquilo não tenha dado 100% certo, mas, se todos o time terem consciência sobre isso, essa ação não trará prejuízos ao projeto. Porque, juntos, eles serão capazes de redirecionar o caminho para ajustar aos objetivos estabelecidos.

Se você for um líder, aqui também fica uma reflexão:
O quanto de autonomia você quer dar para o seu time? O quanto você vai permitir que as pessoas que estão mais próximas dos problemas diariamente possam tomar decisões? E com que frequência você vai avaliar essas decisões?

O segredo para tomadas de decisões em um time distribuído é simples. Se você manter uma comunicação constante — seja síncrona ou assíncrona -, proporcionar à todos liberdade, mas ao mesmo tempo ter um processo bem alinhado, pode confiar: erros catastróficos não vão acontecer.