A pior parte da Série B

Matheus Medeiros
Jul 24, 2017 · 3 min read
Se a equipe deste goleiro estiver com um placar favorável, provavelmente teremos um problema no instante em que ele segurar essa bola e aterrizar na pequena área

A catimba é conhecida como uma marca do futebol sul-americano, protagonizada principalmente por jogadores argentinos em competições acirradas e em jogos decisivos, e a Copa Libertadores da América é um exemplo perfeito para encontrarmos este tipo de estratégia tecnicamente improdutiva. Algumas atitudes tomadas pelo objetivo de fazer o jogo não acontecer já entraram para a história do futebol, entre diversas provocações, nunca esquecemos de socos, tapas, mordidas e até beijos que ficaram marcados em partidas realmente emocionantes. Quando lembramos de catimba, não pensamos em um jogo chato e sem desenvolvimento, pelo contrário, este termo nos remete a grandes decisões muito bem jogadas, com raça e determinação, onde nenhum dos times aceita a derrota.

O futebol sul-americano realmente se tornou inconfundível, desde o meio-campo até o último degrau das arquibancadas, e nesse continente há muitos anos o Brasil sedia o que para muitos é o campeonato mais disputado do mundo, incluindo a primeira e a segunda divisão. Os brasileiros não são rotulados pela catimba, longe disso, são vistos como jogadores que querem jogar bonito e fazer a bola correr, mas ultimamente nada disso está acontecendo na Série B do Campeonato Brasileiro.

A tabela não deixa de ser eletrizante e compacta, enquanto a parte do futebol nos reserva partidas difíceis de assistir, um dos motivos é o desconhecimento da boa catimba, resultando basicamente em enrolação sem emoção nem disputa. Para sintetizar esta reflexão: na Série B do Campeonato Brasileiro 2017, depois que um time marca não tem mais jogo. Desde o apito inicial todos envolvidos sabem a dificuldade da partida, pois mesmo os times com as piores colocações são capazes de travar confrontos equilibrados com os candidatos ao acesso, e como cada rodada é uma “final”, todas as equipes fazem de tudo para não perderem pontos e jogam com o alerta ativado durante os 90 minutos.

Os jogos se tornaram pesados e cobertos de receio, com excesso de paralisações geradas pelo simples objetivo de fazer o tempo passar sem a bola correr. Quando o placar é favorável os jogadores começam a cair no chão sem qualquer justificativa, chamando por atendimento médico em atos de pura encenação, e acabam matando cerca de dois minutos antes de retornarem ao campo completamente curados e prontos para fingirem novas contusões no momento de posse adversária. Os acréscimos sugeridos pelos árbitros não compensam nem metade do tempo gasto para os atendimentos de goleiros, que fazem questão de tirar as luvas para enrolar ainda mais, e geralmente repetem esse ato no mínimo uma vez.

Infelizmente poucos contestam, e muitos consideram tudo isso dentro da normalidade ou das “situações do futebol”, e assim as partidas de terça, sexta e sábado continuam sem nenhuma elevação técnica nem tática de um ano para outro. Enquanto isso o campeonato continua com o nível baixo de sempre, obrigando os jogadores a darem entrevistas falando que Série B é complicada para justificarem seus atos antidesportivos.

A catimba que acontece na Série B é chata e extremamente desnecessária, ocasionando em jogos repletos de bolas sendo desesperadamente lançadas na área, e todos ficam apenas esperando que essa jogada repetitiva e improdutiva alguma hora dê certo. Um dos campeonatos mais concorridos do mundo seria muito melhor se tivesse futebol nos dois tempos de 45 minutos.


Neste ano a Série A atingiu um novo patamar, os times grandes se tornaram muito maiores que aqueles emergentes, e aspecto econômico do futebol brasileiro promete que a ascensão vai continuar, intensificando ainda mais as diferenças entre a pretensiosa primeira divisão e a defasada segunda divisão que insiste em manter as mesmas características, apesar dos maiores investimentos financeiros. Nunca foi surpresa, mas agora já é quase óbvio que os quatro clubes consagrados com o acesso são os principais candidatos à queda no ano seguinte.


“A bola é redonda, o jogo dura noventa minutos e todo o resto é apenas teoria.” Josef Herberger

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Autor: Matheus Medeiros, um roteirista e diretor de cinema que demorou 24 anos para perceber que seu amor pelo futebol não era comum, mas um fascínio não compartilhado por grande maioria dos torcedores ao seu redor.

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"Quando se trata de futebol… a coisa mais importante sobre o futebol… é que não é apenas futebol."

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