Falhas individuais definem jogos de ida pelas finais dos campeonatos estaduais

Todos gostam de ter grandes jogadores no time, aqueles craques extremamente confiáveis quando as bolas chegam em seus pés, mas o fato é que não são esses que definem as partidas, os jogadores ruins é que fazem toda a diferença e interferem diretamente nos resultados. O futebol é um jogo de erros, onde pouquíssimos gols são marcados, e quando acontecem alguém do sistema defensivo leva a responsabilidade, nem sempre por grandes falhas, como as que aconteceram nos jogos de ida das decisões dos estaduais brasileiros.

São vários os tipos de erro no decorrer dos 90 minutos, alguns mais evidentes são capazes de culpar um único personagem em campo, por uma entregada de bola perto da área, um erro de marcação, um gol contra e outras tragédias dentre o vasto repertório de acidentes no futebol. É notável que as falhas do ataque não são tão lembradas quanto aquelas da defesa e meio-campo, a não ser que prejudiquem o time diretamente, gerando um contra-ataque fulminante ou algo parecido. Esses lances terríveis ficam marcados na memória do torcedor de maneira traumática; se duvida é só lembrar que depois da Copa de 82 a bola cruzada rasteira no setor defensivo é quase tratada como criminosa no futebol brasileiro, uma proibição do torcedor após ver Toninho Cerezo entregando a redonda nos pés de Paolo Rossi para marcar o segundo gol da Itália. Trágico!

Neste domingo testemunhamos uma grande atuação do repertório de acidentes futebolísticos, os defensores resolveram demonstrar fragilidades que determinaram os resultados das partidas. No paranaense duas falhas individuais do Atlético PR resultaram em dois gols do Coritiba, primeiro uma saída estranha do goleiro, depois uma daquelas entregadas de meio campo: a cabeceada do volante rubro negro não tirou o perigo, mas foi diretamente para o pé do atacante adversário, que não demorou para dar um passe matador que resultaria no gol. Na final do carioca o erro foi assombroso, o zagueiro fluminense ainda vai sonhar com a furada de bola… ela estava na sua frente na entrada da grande área, e um segundo depois nos pés do jogador flamenguista, saiu o único gol da partida.

No paulista a Ponte Preta já perdia por 2 a 0, e sentindo a derrota os zagueiros assumiram a famosa postura “apática”, um deles não marcou ninguém, viu a bola alçada na área passar na sua frente… terceiro gol do Corinthians. Pelo goiano o resultado foi 3 a 0 para o Goiás contra o Vila Nova, os três gols saíram de falhas incríveis: um gol contra, uma entregada no meio campo e uma bola curta recuada para o goleiro, tudo que era proibido no manual básico do futebol foi feito. No gaúcho teve mais um gol contra e mais uma saída bisonha do goleiro.

Os erros individuais marcaram as decisões, finais de campeonato onde times com grande potencial não conseguiram provar o poder de ataque e foram duramente penalizados por momentos horríveis protagonizados por jogadores específicos. Não tenho certeza se tudo isso evidencia alguma deficiência do nível futebolístico praticado nos estaduais, mas apesar do futebol ser um jogo de erros, as finais deste domingo foram premiadas, e obviamente não é a melhor forma de ver a decisão de um título.


“A bola é redonda, o jogo dura noventa minutos e todo o resto é apenas teoria.” Josef Herberger

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Autor: Matheus Medeiros, um roteirista e diretor de cinema que demorou 24 anos para perceber que seu amor pelo futebol não era comum, mas um fascínio não compartilhado por grande maioria dos torcedores ao seu redor.