Nossos times nunca deixarão de existir

Times de futebol são imunes a falência, mesmo passando por meses sem gols, anos sem vitórias e décadas sem títulos, eles continuam existindo. Quando toda estrutura física e financeira se desmorona, o escudo que já representou tantos momentos de idolatria continua erguido, sustentado pelas pessoas que participaram da história do clube. Um time de futebol só morre em uma única situação: quando perde suas memórias; mas estas são sempre muito bem guardadas por esses torcedores, e enquanto eles existem, o time continua sobrevivendo.

E não trago tal reflexão apenas como uma metáfora ou impulso sentimental futebolístico, já cansamos de ver clubes extintos ressurgirem, muito mais pela consideração e respeito de seus torcedores (e até dos incansáveis rivais) do que pelo dinheiro depositado por um grande empresário para colocar onze homens em campo e retomar a fabricação das camisas.

Qualquer time é capaz de viver enquanto seus torcedores ainda vivem, muitas vezes um título ou uma vitória longamente aguardada fortalecem as nossas cores, mas no fim se tornam apenas histórias que precisam ser carregadas por alguém, pois sozinhas não tiram nenhum time do esquecimento.

É torcendo por um time que tudo começa, neste quase sempre inexplicável sentimento encontramos o caminho seguido por todos envolvidos no universo do futebol. Não é adequado generalizar, mas antes de amar o futebol as pessoas amam um time, suas cores, os contornos de seu brasão, o formato de sua camisa… e se identificam com aquela forma única de torcer. Antes de escolherem dedicar suas vidas a esse esporte, árbitros, comentaristas, jogadores, técnicos, gandulas e todas as outras testemunhas dos 90 minutos pertenceram a um povo, e essa característica contribui para que qualquer clube seja mais importante que o próprio futebol.

Adicionando ainda mais virtuosismo, finalizo lembrando que esta particularidade orgulhosamente apresentada pelos torcedores mantém nosso esporte não só vivo, mas sempre intenso.


Não se trata de uma coluna de críticas futebolísticas, nem de um jornalismo esportivo que vai direto ao ponto. Este espaço é dedicado à emoção do torcedor, que em cada partida deposita uma expectativa tão grande quanto aquela que nos envolve ao presenciarmos uma bola alçada na grande área.

Siga O Futebol no Facebook


Autor: Matheus Medeiros, um roteirista e diretor de cinema que demorou 24 anos para perceber que seu amor pelo futebol não era comum, mas um fascínio não compartilhado por grande maioria dos torcedores ao seu redor.