O novo formato da Libertadores potencializa os clubes sul-americanos

Nas últimas edições da Copa Libertadores a CONMEBOL experimentou implantar inovações com o objetivo de melhorar a organização da competição e proporcionar um produto mais vendável, ao passo que as outras competições internacionais, principalmente na Europa, concretizaram um modelo atrativo que capacitou a fidelização de públicos não fanáticos por times ou pelo próprio futebol. Na verdade, há muito tempo observamos análises e indicativos de que os campeonatos sul-americanos estão ultrapassados, sendo baseados unicamente nos tradicionais clubes acompanhados por suas fervorosas torcidas, e entregando quase toda a missão de marketing para a empresa nomeadora da copa, ou para as redes de TV detentoras dos direitos de transmissão.

Após o atraso de muitos anos a CONMEBOL despertou e provavelmente percebeu a importância de estabelecer determinado glamour ao torneio continental, experimentando cerimônias de abertura e encerramento de cada partida, melhor divulgação de patrocinadores, e padrões nas marcas da Copa Libertadores e nas camisas dos clubes, além de outros elementos importados da Champions League.

Vale ressaltar que o interesse dos times e dos torcedores sul-americanos pela competição nunca foi abalado, o jeito de torcer nesse continente não importa muito com aparências, entretanto, a urgência de uma mudança drástica fica evidenciada a cada ano, quando notamos a diferença absurda entre as nossas disputas e qualquer outra europeia… a sensação de inferioridade é ativada em alto nível. E como nos importamos muito com o próprio futebol, o que mais nos incomoda não é a falta de identidade visual, mas a baixa capacidade competitiva ao chegarmos no mês de dezembro com mínimas esperanças de conquistar o título mundial interclubes, e posso dizer que pensando nisso a CONMEBOL acertou em cheio, apesar de decepcionar alguns amantes da tradição.

Hoje será encerrada a fase de grupos da Libertadores 2017, e ao contrário do que estamos acostumados, não iremos partir para uma fase de mata-mata e realizar a final do campeonato no mês de julho, desta vez caminharemos com cautela e realizaremos o último jogo no fim de novembro. Se tornou comum nos últimos anos: o campeão sul-americano se consagra no meio do ano (quase ao mesmo tempo que o campeão europeu), porém, nesta oportunidade vários talentos são revelados e consequentemente vendidos na janela de transferências, resultando na chegada do time no mundial com força mínima, vivendo outra fase, geralmente com poucos dos jogadores campeões, e é possível que até o técnico tenha partido.

Neste ano, as oitavas acontecerão em julho, as quartas em setembro e as semifinais em outubro. No dia 29 de novembro conheceremos o vencedor, que sairá da final inteiro, pronto para jogar o mundial no auge da temporada, enfrentando de forma justa os outros campeões continentais. As esperanças sul-americanas voltarão a crescer.

Em 2018 mais uma inovação será implantada: a final de jogo único em uma cidade sede determinada antes do início da competição, o primeiro destino escolhido é o Rio de Janeiro, o Maracanã será o palco da final da Copa Libertadores.


“A bola é redonda, o jogo dura noventa minutos e todo o resto é apenas teoria.” Josef Herberger

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Autor: Matheus Medeiros, um roteirista e diretor de cinema que demorou 24 anos para perceber que seu amor pelo futebol não era comum, mas um fascínio não compartilhado por grande maioria dos torcedores ao seu redor.