Torcendo juntos, pais e filhos eternizam um clube

Uma grande recompensa para um clube de futebol é presenciar sua torcida ultrapassando gerações, boa parte de todo trabalho feito com intuito de ser transformado em história é concretizado quando as arquibancadas se encontram lotadas por famílias inteiras vestindo as cores do time e o incentivando para mais uma vitória. O processo de eternização do amado escudo passa pelo momento em que os torcedores se tornam pais, e não demoram para apresentar o time do coração a seus filhos, entretanto, é muito mais complexo do que ensinar novas pessoas a gostarem de um time, se trata de fazer com que elas acreditem que também foram escolhidas por aquele time como torcedores.

“Não tem coisa mais sublime que a ligação entre pai e filho torcendo pelo mesmo time”. (José Trajano)

A herança dessa identidade na família talvez seja ainda mais significativa para os pais, que podem se sentir realizados com a simples presença da melhor companhia possível ao assistirem uma partida. A ligação entre pai e filho estimulada por qualquer clube de futebol é tão importante para os envolvidos que não tenho dúvidas sobre o direito de um pai incentivar seu filho a amar não só o mesmo time, mas toda a cultura futebolística praticada ao redor daquelas cores e daquele brasão. Dentre as diversas histórias trazidas pelo futebol, já ouvi uma em especial sobre um pai e um filho que se davam bem somente nas arquibancadas.

Claramente todos os pais preferem que seus filhos os acompanhem, sentindo o mesmo por determinado time. Mas existem casos em que os novos candidatos à torcida percebem estar atraídos por outra camisa e outro povo, e a única opção é aceitar a escolha diferente, pois estamos falando de torcedores de futebol, e todos eles sabem o quanto essa paixão é impactante e motivadora. Trago aqui a velha reflexão que diz algo como: quando nos encantamos com algo, necessitamos de alguém amado para compartilhar esse sentimento.

Aprendi a amar não apenas o time da minha família, carregado desde sempre pelo meu avô, mas também o futebol. Não me esqueço de quando meu pai comprou uma TV pequena (provavelmente sete polegadas), dessas que ligam na “tomada” do carro, para não perdermos nenhum jogo da Copa do Mundo de 2002; enquanto estávamos na estrada eu assistia a França empatar com o Uruguai. No estádio ou na TV, me acostumei a ver todos os jogos com meu pai, e desde criança sempre combinamos um lado para torcer diante de uma partida que não envolve o nosso clube do coração. Através de duelos inesquecíveis aprendi a torcer pelos times brasileiros e pelos times de menor expressão, além de perceber que nesta relação os ídolos dos pais podem se tornar ídolos dos filhos.


Não se trata de uma coluna de críticas futebolísticas, nem de um jornalismo esportivo que vai direto ao ponto. Este espaço é dedicado à emoção do torcedor, que em cada partida deposita uma expectativa tão grande quanto aquela que nos envolve ao presenciarmos uma bola alçada na grande área.

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Autor: Matheus Medeiros, um roteirista e diretor de cinema que demorou 24 anos para perceber que seu amor pelo futebol não era comum, mas um fascínio não compartilhado por grande maioria dos torcedores ao seu redor. Escreve nesta coluna nas sextas-feiras.