Defenda o Que é Belo

Ricardo Thomé
Sep 7, 2018 · 3 min read

A imaginação do homem é afetada pelos elementos visuais que estão a sua disposição. Rodeado de feiura e caos ou este indivíduo cria o seu próprio ambiente estético com elementos imaginários ou viaja pelo mundo e se deixa impactar, elevando o seu parâmetro do que é belo e humano; Quando criados em meio àquilo que é hediondo e presenciamos pela primeira vez uma obra arquitetônica ou catedral majestosa construímos a partir daquele momento uma medida das possibilidades humanas, antes disso não.

Em qualquer época entre 1750 e 1930, se você pedisse às pessoas cultas para descrever o objetivo da poesia, da arte ou da música, elas teriam respondido: a Beleza. E se você perguntasse pela razão disso, você aprenderia que a Beleza é um valor, tão importante quanto a Verdade e o Bem.

— Afirma Roger Scruton no documentário Why Beauty Matters? (trad. Por que a beleza Importa?) baseado em sua obra Beleza (Beauty 2009).

O caos físico e a feiura nos induzem a uma espécie de fatalismo em que a maioria dos problemas não tem solução, de que o universo é hostil e a humanidade inviável; Todo problema torna-se sobrecarregado de camadas e de sofrimento desnecessário fazendo tudo parecer uma impossibilidade, pois tal realidade influencia a nossa imaginação moral e comportamental.

Num outro exemplo, aqui, quando você convida alguém para fazer uma viagem a pessoa acredita — e essa é a palavra — que antes disso é necessário resolver todos os seus problemas pessoais (financeiros, de saúde e etc), não seria mais fácil viajar primeiro? O contexto de caos não permite distinguir problemas, tudo torna-se aglutinado. A desordem física é o começo desse conflito porque ao tentarmos impor ordenação e harmonia em nossas mentes ela se depara inevitavelmente com o oposto disto na realidade prática alimentando nossos olhos com informação estética conflitante a cada minuto da rotina diária.

Propondo um exercício imaginativo, visualize um pomar, bucólico, linear e arrumado, com frutas suculentas e folhas verdes, terra bem arada e cerca cuidadosamente talhada, um estrangeiro que passe por aquelas terras olhará aquilo com cuidado, admirará as linhas e formas ordenadas, projetará em sua imaginação moral que alguém dedicado e zeloso construiu aquilo e pretende manter assim, terá um impulso inicial de não esbarrar e desarrumar, de não prejudicar a beleza e os cortes detalhados no solo irrigado, aquela paisagem moral o torna receoso, sentindo-se um inquilino que perturba a atmosfera autoimposta por aquele espaço. Agora o oposto também é verdade, um visitante que se depare com um ambiente decadente, de formas horrenda, sujo e odor nauseante sente-se livre para desfigurá-lo ou despejar o seu pior e mais vil comportamento, a beleza em si mesma civiliza e educa.

Na intenção de revitalizar o espírito de grandeza, primeiro é preciso criar uma autodefesa estética, preencher sua mente de imagens e elementos daquilo que é belo — de coisas à lugares — no mundo real, como um imaginário de “coisas” palpáveis (apesar de distantes); Pois a frequente exposição a feiura acaba se prolongando também num caos moral e ético, distorcendo a nossa medida das possibilidades humanas (tanto comportamentais quanto intelectuais), as tornando baixíssimas ou quase nulas. Aliás, num ambiente isento de beleza a própria medida da bondade acaba se tornando precária, ou seja, estando inserido num simbólico depressivo consequentemente suas inter-locuções com as pessoas também se tornam extremamente depressivas — os próprios conselhos dados são extremamente pessimistas e autodestrutivos por serem baseados na perspectiva ética das possibilidades visíveis e invisíveis — , e se não aprendermos a nos defender disso tudo provavelmente afundaremos com todo o resto.

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O Imperativo

Inspiração através do tempo.

Ricardo Thomé

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Professor. O Imperativo. Cético. Curioso sobre pessoas, o universo e tudo mais.

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