Análise a Chaos Walking ★★☆☆☆

Kuro Lilie
Jun 13 · 6 min read

Num novo planeta, onde homens foram afetados pela incapacidade de guardar para si os seus pensamentos, encontramos Todd e a sua comunidade. Todd sempre teve dificuldades em controlar os seus pensamentos, no entanto, terá que o fazer para proteger Viola, uma rapariga cuja missão é avaliar o estado do novo mundo. Ao entrar nesta aventura para proteger os que ama, Todd irá descobrir os segredos sombrios da sua comunidade.

Sobre o filme:
Filme com 1h e 45min, de género fantasia, ação e aventura. Apropriado para audiências acima dos 13 anos.
Baseado no livro “The Knife of Never Letting Go” de Patrick Ness — que normalmente escreve sobre temas mais psicológicos.
Este filme é uma espécie de reflexão sobre a mente humana e como os pensamentos são processados, e ao mesmo tempo o quão perigosos os pensamentos podem ser para outra pessoa. É uma espécie de balde de água fria para a sociedade e as suas maneiras de controlo (em que todos sabem tudo sobre nós devido a redes sociais e a aplicações)…e quando não conseguem ter acesso ao que querem reagem de maneiras pouco desejáveis. Ao mesmo tempo é um abre olhos para aqueles que acham que conhecem bem outra pessoa…a verdade é que nunca conhecemos totalmente outra pessoa porque não sabemos o que guarda para si…e quando há segredos a desconfiança aparece e pode levar a consequências devastadoras — este filme fala muito sobre o limite do homem em relação aos segredos, o seu medo perante o desconhecido e o facto de que não conseguir controlar algo.
Este filme foi adiado várias vezes e algumas partes foram regravadas, no entanto não foi suficiente para fazer deste filme um bom filme.
Nos meus dias de faculdade, o meu professor de Escrita Narrativa deu-me a conhecer o conceito KISS, que se traduz em “keep it simple stupid”…e é exatamente isso que este filme não faz…tem potencial para ser um ótimo filme ou trilogia — ou até mesmo série — no entanto está a tentar contar demasiadas micro histórias em menos de 2h e o resultado está à vista; ás vezes MENOS é MAIS.

Análise Narrativa:
Tem uma narrativa simples sem saltos temporais. É um filme de ficção-científica que de certa forma toca no tópico de extraterrestres, no entanto é algo que não é necessário para o desenvolvimento do filme — as criaturas que existem têm menos de 10% de tempo de ecrã — o que nos leva a pensar que parece apenas ser uma estratégia para “tocar em mais um género” de maneira a fazer o filme ser mais amplo.
Não temos flashbacks nem narrador. Este filme é também bastante previsível, mesmo parecendo um puzzle um bocado desmontado em que nos dão as peças, mas não nos dão uma imagem final de referência, este filme usa as reviravoltas habituais que acabam por não surpreender.
Durante todo o filme sentimos que chegámos a casa, ligámos a TV e apanhámos uma série a meio, ainda com o sentimento de “vamos lá ver se isto é bom porque ainda não percebi de onde vem isto e aquilo, nem qual é o objetivo”.

Análise ao Som, Música e Imagem:
Dirigido por Doug Liman que tem um historial de séries de ação.
A música foi feita por Marco Beltrami — que também fez as músicas para Blade 2, World War Z, i,ROBOT, A Quiet Place, Logan, Wolverine, Ben-Hur, Hitman: Agent 47, Carrie (2013), Scream (todos os filmes que envolvem a personagem Ghostface)…ao seu lado esteve como compositor adicional Brandon Roberts, que também teve a oportunidade de trabalhar nos mesmos filmes. Posto isto podemos esperar uma música mais misteriosa, minimalista, progressiva, épica e por vezes sombria.
Ben Seresin é o cinematografo que fez também World War Z, Godzilla vs. Kong, Lara Croft: Tomb Raider, The Mummy (2017) e Transformers: Revenge of the Fallen.
Kate Hawley é a costume designer que também esteve encarregue de Pacific Rim, Mortal Engines, Suicide Squad, e os filmes de The Hobbit.
No que toca a efeitos especiais o departamento encarregue por esta parte, para além de ser enorme, estive encarregue de filmes como Black Panther, Thor: Ragnarok, Wolverine, Life of Pi, X-Men: Apocalypse, Maleficent: Mistress of Evil, Dolittle, The Day After Tomorrow.
Temos bastantes efeitos especiais visuais que servem para mostrar o aspeto visual do “noise”, e temos também os efeitos especiais sonoros que nos permitem ouvir os pensamentos com uma espécie de reverb. Devo avisar já que para alguns espectadores esta particularidade pode deixar a pessoa um pouco desorientada caso não esteja muito habituada.
A nível de sons ambiente temos um exagero enorme em pássaros e algo que nos faz lembrar os rainsticks (instrumento utilizado para imitar chuva), esta combinação pode tornar-se um pouco desagradável.
A nível de imagem temos um tom de cor mais amarelado e esverdeado, assim como uma baixa luminosidade.
A nível de imagem e de som tudo funciona…o espectador pode demorar mais a habituar-se, no entanto o universo está bem representado visualmente e sonoramente (tirando talvez o exagero dos sons da natureza).

Personagens:
Neste filme temos grandes nomes como Tom Holland, Daisy Ridley, Nick Jonas e Mads Nikkelsen. O Cast fez um trabalho excelente a representar as personagens, mesmo com pouca informação sobre a sua personalidade. Temos um cast grande, mas toda a atenção se centra em Todd, acabando por torná-lo na personagem principal e transformando assim Viola na personagem secundária.
Não temos muita informação sobre a personalidade das restantes personagens…nem muito sobre Viola — parece que o filme se foca mais em nos dar uma visão detalhada de Todd. No entanto, mesmo com Todd sendo o foco principal, não temos muita informação, porque neste filme parece que as personagens estão a reagir a algo e não estão propriamente a criar algo…como uma árvore que abana ao vento, mas sem ele não se mexe.
Posto isto é um pouco difícil dar uma caracterização psicológica sólida, para piorar as pequenas características que nos dão parecem mudar ao longo do filme. Passamos o filme todo com uma espécie de feeling de que estamos a ver apenas 1 episódio de uma série e que não sabemos o que as personagens são capazes ou não de fazer.

Opinião final:
É um filme bom para passar o tempo quando não temos mais nada para fazer, mas não é um filme que uma pessoa queira rever por ter muitas falhas narrativas.
Não é um filme que seja necessário para a história do cinema visto que não traz nada de inovador.
Como filme não funciona bem…talvez funcionasse melhor se fosse uma série, pelo que a narrativa poderia ser mais desenvolvida e quem sabe pudesse ser adicionada uma narrativa não cronológica para que o espectador pudesse criar na sua mente todo um monte de teorias.
Por último, não parece que seja um filme que irá ter uma sequela.

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Kuro Lilie

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Licenciada em Som e Imagem. Apaixonada por fotografia e cinema, com queda para a escrita e desenho…e com um estranho gosto pela psicologia.

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