Análise a ‘Ratchet & Clank: Uma Dimensão à Parte’ — ★★★★★

Bernardo Pinto Candeias
Jun 8 · 4 min read

Ratchet & Clank tornou-se num dos mais conhecidos e adorados franchises dos videojogos vai para 20 anos, com personagens cativantes, em aventuras com bons valores e muito humor, resultando em imensos jogos e um filme de animação. As suas bases narrativas ligadas à ciência e tecnologia encaixam perfeitamente naquilo que a PlayStation 5 é capaz de processar e ‘Ratchet & Clank: Uma Dimensão à Parte’ nasce de uma história que se adapta às capacidades da consola. Nesta aventura, Ratchet e Clank terão de travar o eterno nemesis Dr. Nefarious que abriu uma fenda transdimensional para outras dimensões onde ele sai sempre vitorioso. Mas os nossos amigos não estão sozinhos: uma simpática e perspicaz lombax chamada Rivet entra em acção para resolver os problemas dimensionais e juntos vão enfrentar um Nefarious com muitos truques na manga.

Imenso, frenético, estonteante!

É certamente impressionante o que a Insomniac conseguiu atingir ao nível do detalhe, das texturas, do visual e da capacidade de processamento. É um showcase da PlayStation 5, do som ao DualSense, aos absolutamente loucos planos de sequência transdimensionais que nos transportam de um cenário extremamente detalhado para outro completamente diferente sem loadings e sem chatices.

As sequências de cut-scene são soberbas, uma animação poderosa digna de uma Pixar, muitíssimo engraçada — e quero destacar a estupenda adaptação do jogo para Português de Portugal, adaptando as piadas certas aos momentos certos, ou dando vida a personagens secundárias como a outrora big boss Sra. Zurkon, agora a vendedora de armas, com uma linguagem muito atrevida (que me fez soltar boas gargalhadas apenas ao ir comprar armas e receber um comentário softcore da Sra.) que só uma excelente adaptação do Inglês funcionaria bem.

Ratchet & Clank: Uma Dimensão à Parte’ é imenso, frenético, estonteante. A acção quase que nunca para e ficamos constantemente presos à aventura, como parceiros dos nossos velhos e novos amigos. Especificamente a capacidade de por à prova a PlayStation 5 em muitos momentos com muita, mesmo muita, coisa acontecer na imagem, processadas em tem real, é um grandioso deslumbre e algo que nos corta a respiração.

É difícil de compreender mecanicamente a estrutura visceral da construção do jogo nas sequências onde passamos de dimensão para outra dimensão e para outra dimensão. É enigmático, mas que nos deixa de barriga cheia. Tendo em conta o momento presente, este jogo não poderia ser melhor e isso coloca-o como um case study no topo da montanha da PlayStation e transversalmente da indústria dos videojogos.

Na prática, o DualSense é aqui um mediador de emoções. Sentimos nas mãos o “peso” das armas, dos disparos, num excelente artifício dos gatilhos que nos passam a vibração de cada munição a sair da arma, mas não só. Os diferentes modelos de jogo — correr, saltar, conduzir equipamentos ou meios de transporte, as aventuras dos puzzles do Clank ou de uma nano-aranhinha— dão-nos uma percepção incrível para as mãos e ainda mais nos transportam para dentro da acção. Já o som tridimensional está construído eximiamente, com os pontos certos que nos indicam ameaças ou movimento espacialmente, à frente, atrás, dos lados, por cima e por baixo, e nas diagonais. A combinação do DualSense (que também transmite áudio) com uns auscultadores compatíveis (a PlayStation indica-te se os auscultadores possuem capacidades suficientes para jogar, quando os emparelhas com a consola), são meio caminho andado para nos colocar ao lado da personagem jogável naquele momento.

Algo a destacar também são as muitas opções de acessibilidade do jogo. Os videojogos devem ser extremamente inclusivos, tendo em conta as capacidade de processamento das consolas e computadores de hoje. Ratchet & Clank consegue dar um grande passo nesse sentido, para que crianças e adultos, independentemente das limitações que possam ter, tenham a possibilidade de jogar ao jogo e ter a mesma experiência que a versão dita normal.

Sobre o modo de fotografia, os nossos fotógrafos digitais encontram aqui imensas opções para explorar um mundo mais cartoonesco, que embora não seja realista como em outros títulos, passará a ser um maior desafio e acredito que resulte em excelentes álbuns muito em breve.

Todo o jogo, ao lado do DualSense e do áudio 3D e preferencialmente jogado numa televisão 4K, é uma verdadeira montanha russa de emoções fazendo esta uma das mais divertidas experiências com videojogos e de certeza a melhor aventura com a PS5 até agora. Uma história sobre a amizade e a reconciliação, absolutamente para todas as idades.

‘Ratchet & Clank: Uma Dimensão à Parte’ — ★★★★★

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