Análise a ‘The Flight Attendant’ — Temporada 1

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★★★☆☆

Cassie Bowden (Kaley Cuoco) é, como indica o título da série, uma hospedeira de bordo conhecida não só pelo seu alcoolismo, como também pelas suas indevidas aventuras e encontros com passageiros. Quando, uma noite, se envolve com um misterioso magnata Alex Sokolov (Michiel Huisman), a sua vida boémia e inconsequente transforma-se rapidamente num jogo de mistério e perseguição, ao aperceber-se que, inadvertidamente, se embrulhara num caso de corrupção e homicídio.

É bastante evidente The Flight Attendant tratar-se de uma clássica abordagem aos argumentos de espionagem. Porém, apesar do seu início prometedor, não consegue fazer jus ao género aplicado na primeira temporada, perdendo-se um pouco por narrativas secundárias triviais ou alguns twists ligeiramente forçados, para não dizer totalmente descabidos. Além disso, há muito pouca originalidade na narrativa da protagonista — não obstante o excelente desempenho de Kaley Cuoco, fazendo esquecer a sua participação em Big Bang Theory. Cassie Bowden é mais uma personagem comum, engolida por um mundo alheio ao seu, onde se vê obrigada a aplicar os seus (desconhecidos) engenhos e habilidades para desvendar uma charada que, no final de contas, terá sempre conexões com o mundo criminal. Não é uma novidade neste estilo, nem a sua história de fundo traz alguma novidade capaz de apimentar ou diversificar os desafios a superar no enredo.

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Pois, para além de ver a sua vida em perigo, a morte de Alex também lhe desperta recordações traumáticas de infância, nomeadamente a morte do seu pai, pela qual Cassie se responsabiliza imensamente. No fundo, a forma como estes abalos acabam por impactar o percurso da protagonista não são, de igual modo, uma perspectiva nova nas produções de conteúdos mais recentes. Contudo, acabam por ajudar no desenvolvimento de Cassie, ainda que de uma maneira algo desequilibrada, pois os flashbacks e cenários imaginários nos quais a hospedeira recorda o seu progenitor começam muito paulatinamente, sem grande desenvolvimento, e terminam num ápice, causando alguma estranheza. O facto da primeira temporada ser composta por oito episódios pode ter ajudado à célere conclusão desta sub-narrativa, porém, se já existiam planos de ser prolongada para uma segunda série, haveria mesmo esta necessidade de resolver tudo agora?

Continuando a análise sobre as personagens, The Flight Attendant denota dificuldades em criar algumas cuja identificação seja imediata, seja pelas suas idiossincrasias, seja por momentos icónicos ou memoráveis. Pegando em dois exemplos concrectos, Annie (Zosia Mamet) e Megan (Rosie Perez), ambas com tramas secundárias, não revelam grande progressão, nem os desafios que enfrentam são devidamente explorados — ou explicados. Provavelmente serão novamente (espero) abordados na segunda temporada, porém, foram introduzidos de forma ligeiramente redundante na narrativa. Em última instância, serviram para justificar o descontentamento ou desdém nas ocasiões que Cassie mais precisa delas — apenas para ver as suas dificuldades em sobreviver aumentadas. Podia continuar com a lista de perplexidades inusitadas que a série nos transmite, mas como não me quero alongar, ficar-me-ei apenas por estes dois exemplos e partirei para observações menos negativas.

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Sim, mesmo com todas as conveniências presentes na trama, The Flight Attendant cumpre o seu objectivo principal de entreter e prender — até certo ponto — a audiência. O clássico truque de introduzir um momento inesperado ou inquietante no final do episódio é o mais comum neste tipo de contos e também não é excepção na série que adapta o livro epónimo de Chris Bohjalian. Apesar de ter reflectido sobre a incoerência de certos twists anteriormente, também preciso de admitir — para não ser inteiramente injusto com The Flight Attendant — que há algumas reviravoltas, de facto, inesperadas. Agora, não sei se estou na melhor posição para discernir se foram impremeditadas por ter desenvolvido poucas expectativas quanto à série ou, por outro lado, pela mestria na utilização “do repentino” nos guionistas. Seja qual for, conseguem manter um mínimo interesse no desfecho da narrativa.

Por fim, o grande condutor da estória são as conversas imaginárias entre Cassie e Alex. Apenas através dos diálogos mentais a hospedeira consegue recordar-se dos turvos acontecimentos críticos da noite passada com o passageiro “C3”, acabando por contribuir para o ambiente misterioso da série. Uma vez mais, a técnica utilizada não é nova — há certamente falta de originalidade na série — mas o modo como está inserida na narrativa acaba por dar alguma credibilidade ao modo como Cassie vai conseguindo obter as suas respostas — e manifestam a perspicácia da heroína improvável, bem enquadrada dentro dos traços triviais das improváveis protagonistas da ficção pulp.

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Em suma, não é uma série brilhante, nem uma produção inolvidável. Recorre a estratégias usuais de facilitismo para poder encontrar um caminho seguro, pouco surpreendente, que fundamente o desfecho da narrativa. Adornado por personagens parcas em conteúdo, mas guiado por uma Kaley Cuoco possivelmente no seu auge, The Flight Attendant consegue, ainda assim, entreter minimamente e saciar aqueles que pretendem uma obra leve de suspense, crime e humor.

oitobits

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