Análise — ‘Returnal’ — ★★★★★

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Apr 29 · 4 min read

Returnal é, verdadeiramente, um thriller psicológico construído para deixar os jogadores num loop de avanços e recuos que acompanha Selene à medida que ela mergulha numa impossível aventura pelo interior de um mundo que tem tanto de sombrio como de colorido, ao mesmo tempo que descende na espiral de si própria.

É um jogo extremamente complexo na teoria, mas na prática tem uma simples execução — em poucos minutos qualquer jogador fica com as bases para se aventurar.

Sensacional e inesquecível!

Este roguelike integra as características do género na sua própria narrativa, não-linear, tal como (e numa memória mais recente) fez Hades, um dos melhores jogos de 2020. Este passo da Sony PlayStation para trazer um dos principais lançamentos deste ano num género tão interessante é robusto — pois são poucos os jogadores que estão de facto habituados a jogar neste estilo ao mesmo tempo que a história justifica os meios para os trazer de volta (e à protagonista) vezes sem conta.

Basicamente, este tipo de videojogo faz com que regresses ao início sempre que morres, perdendo tudo o que conseguiste até ao momento excepto o estritamente necessário para que possas prosseguir mais um pouco, na próxima jogada.

O primeiro ponto a destacar é o fabuloso grafismo que, a par do ambiente sombrio, mas por vezes muito colorido, faz correr os seus 60fps como poucos, onde sentes realmente que este é o primeiro verdadeiro jogo da PlayStation 5. Todo este mundo em evolução e todas as mecânicas associadas fazem com que o jogo seja sensacional e inesquecível!

Depois, talvez sintas que não existe informação alguma de início que seja suficiente para te prender e querer saber mais sobre a aventura da Selene — o que é verdade, mas algo propositado. Subtilmente a informação será dada ou interpretada de várias formas até teres o puzzle com peças suficientes para o jogo se tornar mais… dramatúrgico, como a PlayStation nos tem habituado.

Gradualmente o jogo também se irá tornar mais interessante; a maioria dos jogos que recaem sobre o argumento têm um impulso emocional muito completo ao início para que possas mapear os teus objectivos. Aqui tens um objectivo apenas durante um grande espaço de tempo, que não sabes bem o que é, mas vale a pena lutar por ele pois a personagem não tem outra alternativa. Este processo dramatúrgio não aconteceu em Hades, pois o jogo oferece-te razões suficientes para Zagreus querer sair do submundo logo antes de iniciares a aventura. Em Returnal, a precisão da informação é incerta, muito pouco clara, mas é um elemento essencial para que esta história, da Selene, funcione enquanto argumento para um videojogo.

Os time loops foram sempre complexos de gerir no ponto de vista do espectador de cinema, ou leitor de ficção científica, pois as histórias contam-se com métricas que caminham num só sentido (independentemente da direcção e dimensões paralelas). Num videojogo, viver esta realidade pode ser mais credível e fácil de aceitar e a realidade é que Returnal não só acaba por trabalhar esta mecânica de forma exímia, como a utiliza para indiciar elementos que prendem o jogador para saber mais e mais.

Quando digo que este me parece ser o primeiro grande jogo da PlayStation 5, tenho também em consideração a experiência em si: por um lado auditiva, onde a tridimensionalidade do áudio demonstra que a percepção espacial tem muito que se lhe diga — existem muitos bons jogos que cujos triggers sonoros estão devidamente colocados (normalmente os jogos de VR dão muita importância a este ponto pois o sentimento é mais realista) mas neste caso temos também algo que não é novo, mas ajuda a fazer brilhar a consola: a triangulação do áudio que simula os ouvidos da personagem em si e não só da generalidade do plano. Por outro lado, o DualSense transmite-nos todas as sensações atmosféricas deste munso em mutação, sem bem que tenho a certeza que este comando ainda poderá ir muito mais longe.

Por fim, gostaria de destacar a grande variedade de soluções que o jogo encontra para se auto-reclicar, quer sejam mundos ligeiramente diferentes, muito diferentes, câmaras revertidas, e um ou outro truque na manga escondido. É divertido sentir que aquele mundo está de facto a brincar connosco até certo ponto — pois quando o descodificamos usamos tudo o que sabemos contra ele. É uma característica muito positiva da Housemarque — esta originalidade na reprodução.

Nos videojogos, tal como na vida, teremos de estar preparados para o que se esconde detrás do próximo portal. Pode sempre ser esse o maior desafio das nossas vidas.

Returnal (PS5) — ★★★★★

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