Do Mediterrâneo à Coreia do Sul, com ‘In The Land Of Morning Calm’ e ‘Boriya’

Ivo Nunes
Ivo Nunes
Nov 24, 2020 · 4 min read
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‘In The Land Of Morning Clam’ — Via ‘Olhares do Mediterrâneo’

Os ‘Olhares do Mediterrâneo — Women’s Film Festival’ não só vai além dos filmes, como procura ir também um pouco além da bacia mediterrânica, com produções conjuntas que demonstram o poder da colaboração de diferentes culturas, e o seu alcance artístico e universal.

Olhemos então para dois belos exemplos, com ‘In The Land Of Morning Calm’, um filme da Coreia do Sul escrito e realizado pela italiana Alessandra Pescetta, e ‘Boriya’, uma animação de Min Sung Ah produzida pela produtora francesa Marmitafilms.

In The Land Of Morning Calm

★★★★☆

‘In The Land Of Morning Calm’ (2019) conta a história de Miyeon, uma cantora coreana de Pansori interpretada por Song Jaeyun, que vive um momento ansioso na sua vida.

Sozinha na cidade, com uma extensa agenda laboral e em luto devido à perda do seu pai, a pesada pressão em que se encontra bloqueou-lhe a voz, pelo que passa os seus dias solitários em busca de algo que a ajude a melhorar, seja medicina alternativa, chás de ervas, ou um exame à garganta, no qual é-lhe garantido que a sua voz está em ótimas condições.

Com o aniversário da morte a chegar, Miyeon recebe uma caixa com os pertences do pai, que inclui um diário em que o próprio revela a sua própria pressão laboral e o quotidiano dos seus dias, cada vez mais sombrios a custo de uma doença terminal. Por entre a escuridão dos dias registados no diário de seu pai, Miyeon descobre que, no fim, a única coisa que o fazia seguir em frente era a voz da filha, baseando-se na crença de que o canto Pansori afasta os demónios.

A revelação atira-a para uma catarse inconsolável, motivando-a a fugir da grande metrópole para um templo remoto numa zona florestal onde, em contacto com a Natureza, procura uma resolução para a sua voz e para o seu luto.

Esta curta metragem de apenas 16 minutos conta muito em pouco tempo, aludindo-nos um olhar profundo e delicado para uma parte da cultura da ‘Land Of Morning Calm’, nome historicamente atribuído à Coreia do Sul, que é espiritualmente diferente, mas igualmente humana, através do Pansori, um género musical coreano usado para contar histórias, geralmente com longas performances e que combina um vocalista e um percussionista. Atualmente, o Pansori é considerado como Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

‘In The Land Of Morning Calm’ expressa o seu luto em grandes planos para uma visão mais íntima do sofrimento de Miyeon, com um passo leve, uma delicada direção de Pescetta e fotografia de Choi Wonuk, alimentadas pela banda sonora repleta de Pansori, por Sim Gyuhun, e um conjunto de edição de imagem (por Pescetta) e mistura de som que se entrega a nós espiritualmente, e nós, por defeito e pelo efeito, entregamo-nos de volta.

Este filme de Alessandra Pescetta, que participa na Competição Geral de Curtas Metragens dos ‘Olhares do Mediterrâneo — Women’s Film Festival’ foi um dos grandes vencedores do Rome Prisma Independent Awards, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Curta, Melhor Atriz e Melhor Realizador.

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‘Boriya’ — Via ‘Olhares do Mediterrâneo’

Boriya

★★★★★

Boriya, uma animação francesa e coreana de Min Sung Ah, apresenta-nos uma menina de 7 anos (Boriya), que se aborrece com a rotina da vida diária no campo. Por mais que queira que alguém brinque com ela, toda a gente à sua volta está ocupada com outras tarefas.

Após a sugestão da mãe em passear pelo campo com a vaca de estimação da família, Boriya embarca numa curta jornada de crescimento que a leva até debaixo de uma ponte, onde, seguido de um pequeno susto que apanha ao cair à água, perde de vista o animal. Os minutos que se seguem em que Boriya caminha sozinha sob o brilho do Sol e a brisa suave do vento, ensinam-lhe uma lição importante, e terminam numa surpresa quando regressa a casa.

Esta curta metragem, com argumento, fotografia, montagem e direção de arte de Min Sung Ah, e que integra a sessão PARA MIÚDOS (E GRAÚDOS) dos ‘Olhares’, é um trabalho incrivelmente ambicioso, com impressionantes detalhes nos desenhos em toda a extensão do plano. Podemos observar o mais ínfimo tracejado, seja no desenho pormenorizado das sobrancelhas das personagens, as suas caras rosadas, o pormenor dos campos de trigo e vegetação, até os raios solares que contornam Boriya num dos momentos mais bonitos do filme. Tudo, desde a animação 2D embrulhada com o 3D, as pinturas, as cores, o rigor com que foi colorido e a transformação em animação, são de qualidade perfecionista.

Em adição, a história que o argumento de Min Sung Ah conta torna este filme numa peça muito educativa para crianças, e ensina-lhes (assim como a nós também), a importância de darmos valor ao que temos, mesmo quando o damos por garantido, assim como a apreciar a nossa própria companhia. Boriya, que se encontra na Competição Geral de Curtas Metragens dos ‘Olhares do Mediterrâneo — Women’s Film Festival’, é uma curta inspirada na própria infância de Min Sung Ah, que carrega uma importante mensagem e merece ser vista em família.

‘In The Land Of Morning Clam’ e ‘Boriya’ fazem parte da secção online dos ‘Olhares do Mediterrâneo’ e estarão disponíveis na plataforma VoD Filmin Portugal de 26 de Novembro a 10 de Dezembro. Poderão consultar os detalhes aqui.’

Via Olhares do Mediterrâneo — Women’s Film Festival 2020

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