A organização da Copa do Mundo na cobertura midiática 


O grupo se propôs a fazer a comparação, da cobertura de veículos nacionais e internacionais sobre os bastidores da Copa do Mundo do Brasil. Por bastidores nos referimos às notícias que dizem respeito às obras de estádios, à infraestrutura brasileira para sediar o evento, ao atraso no cronograma, às manifestações contrárias à Copa e outras questões concernentes ao fato.

Os veículos midiáticos escolhidos possuem tradição no ramo do jornalismo impresso, mesmo nos tempos de hoje tendo expandido sua cobertura para plataformas online. Foram escolhidos os seguintes: Folha de S. Paulo, The New York Times e El País. Para os jornais nacionais, foram utilizadas as versões impressas. No caso dos jornais internacionais, devido à dificuldade de acesso à versão impressa diariamente, foram utilizados os sites. O grupo acompanhou por duas semanas, de 12 a 25 de maio de 2014, o que foi publicado nesses periódicos em relação ao tema selecionado.

Como o foco da análise não é na cobertura do dia a dia da competição, mas o que envolve a organização da Copa, acreditávamos que as publicações nacionais adotariam uma postura mais crítica e também política em relação aos problemas que envolveram a construção dos estádios e a não construção de obras estruturais. No que toca aos veículos internacionais, não acreditamos que o aspecto político teria a mesma influência. Cremos que a Copa do Mundo colocará em destaque a forma como o mundo vê o Brasil no século XXI, seus estereótipos novos e antigos.

A abordagem usada para os estereótipos equipara o trabalho do jornalista ao do antropólogo. Questiona-se até que ponto o profissional de imprensa se envolve com o ambiente do acontecimento para a produção da notícia, e quais metodologias são usadas para o relato da situação. Os jornalistas brasileiros se renderam aos estereótipos ou impuseram uma visão mais “verdadeira” sobre a preparação do torneio? Os jornais internacionais foram capazes de subverter a falsa lógica de que o Brasil é o país do samba, do futebol e da corrupção generalizada, e assim produziram uma cobertura jornalística decente e capaz de analisar friamente os fatos?

Nos próximos posts, serão publicados os dados coletados pelos integrantes do grupo ao longo do tempo de análise para que, ao final, possamos chegar à conclusão a respeito da cobertura dos veículos nacionais e internacionais sobre os bastidores da Copa do Mundo.