
Cidade que escoa na Avenida
Fotos de Agatha Azevedo/Mídia NINJA e Marcelo Aguilar com reportagem de Agatha Azevedo/Mídia NINJA, durante a vivência do projeto Outros Carnavais 2016 • Brasil


Terra dos ipês, das cores e da luz, BH também é terra de luta, resistência e rua. A criatividade que adentrou a Avenida Afonso Pena nesta terça-feira de Carnaval durante o desfile das Escolas de Samba guiou os olhos do público, com destaque para a montagem da Escola de Samba Cidade Jardim, que revela a beleza do simples.

O samba-enredo da Escola reflete o processo artístico de criação de um projeto de Carnaval colaborativo, com o envolvimento de diversas pessoas guiadas pela alegria de brincar o Carnaval.

Com o tema “Sou do Samba, sou Cidade Jardim, sou Minas Gerais!”, a Escola trouxe o movimento da música mineira conhecido como Clube da Esquina e desfilou a disputa simbólica da produção carnavalesca e o samba de raíz. Nas fantasias, lixo zero era a meta. Sacos de cebola, papel picado e papelão se transformaram em brilho de Carnaval no sambódromo belo-horizontino.




A construção coletiva da escola, ao reunir dezenas de pessoas para produzir as fantasias nos mutirões, ultrapassou os detalhes e gerou, dentre outras obras de arte, as fantasias da comissão de frente e da Ala Hippie. O responsável pela revolução na produção das fantasias carnavalescas é o artista plástico Léo Piló, que pensou o projeto estético das fantasias de forma sustentável e bonita.


Reflexo da cidade, a cidade respira Carnaval de rua, de forma inovadora e com recursos escassos. A troca da brincadeira de carnaval, que começa nos preparativos e na montagem, pôde ser vista nas alas da Cidade Jardim. Com o trabalho voltado para a reutilização de resíduos urbanos, Piló é referência em transformar o lixo em espetáculo aos holofotes da Avenida.

“Lá vem a força, lá vem a magia que me incendeia o corpo de alegria”
